Eram os tempos dos Audi Quattro e
dos Lancia 037, passavam na rotunda dos Produtos Estrela ao início da noite, a
caminho da Póvoa do Varzim. na escola ouvia os tempos dos troços no rádio a
pilhas, nos intervalos das aulas. Já antes admirava as fotografias dos Fiat 131
Abarth, enquanto sonhava com a troca do velho 124 da família por um daqueles,
mesmo o simples 1300. Pouco depois foi o primeiro sábado em Arganil, saída de
madrugada numa carrinha de nove lugares, o inenarrável Woodpeckers from space
tocado até à exaustão, o frio de Março e o corpo aquecido pela adrenalina do
ruído dos motores em elevada rotação. O passo seguinte, entre as idas à Póvoa
para ver a assistência antes do parque fechado, foi a noite passada na descida
para Folques, as fogueiras a demarcar o troço, o frio da manhã que deixava
poças geladas antes dos ganchos com os precipícios bem perto. Seguiu-se a prova
espetáculo no aeródromo de Palmeira e mais tarde as idas a Fafe. Depois vieram
os compromissos profissionais e depois os familiares e para o ano é que vai
ser, seguir o rali do princípio ao fim. Foi para longe, arrefeceu o entusiasmo.
Agora o centro nevrálgico está à
porta de casa, pensava que já tinha passado a febre mas bastou ver os carros
com os autocolantes nas portas para ficar com o sangue a ferver. Logo vou ver a
chegada da etapa, fraco consolo mas para já será assim. Para o ano é que vai
ser.