Pode até ser a música. E o verde.
E aqueles pubs sempre animados que aparecem nos filmes, já se sabe que os
filmes são feitos para criar ilusões, nos tempos dos morangos chegaste a entrar
na versão inglesa desses estabelecimentos de diversão, até entraste na moda das
amargas, bitter, one pint, please, o sino a tocar last drinks às onze menos
cinco, depois era acordar às cinco e meia da manhã para começar a recolher os
frutos vermelhos para um cesto pequeno, a partir das seis em ponto. Mas isso
foi em terras de Isabel segunda e o filme era passado em parte na Irlanda, onde
não foste porque a greve dos correios atrasou a entrega da carta que enviaste
já atrasada a perguntar à rapariga se te dava guarida por uns dias, qual
internet qual quê, nem com tal coisa se sonhava. Acabaste por ir sozinho para
norte, para o distrito dos lagos, lindíssimo, onde passaste por outro pub com
muita cerveja a correr, e rio de montanha logo à saída da porta.
Era largar tudo e ir viver para o
verde, haveria uma chafarica onde entrar às oito da manhã e sair às cinco da
tarde, qualquer lata com quatro rodas serviria para deslocações mais rápidas, a
de duas rodas era para levar com o vento no trombil, uma daquelas casinhas com
quartos minúsculos e uma sala com vidraria trapezóidal sobre o jardim de
brincar. E a estufa nas traseiras, aquelas casas de vidro para brincadeiras de
adultos.
Raio de filmes que me deixam de
cabeça no ar, a lata até era a banheira Volvo onde se mete a casa inteira e
ainda sobra espaço para o cão, a moça era gira e disponível depois do desgosto
amoroso, faltava o Hugh Grant que sempre imaginaste ser, com a parte do distraído
irresistível, sem a parte do menino mimado sempre à procura de um brinquedo
novo. No final a outra parte da história, aquela em que é preciso ser-se muito
parvo para deitar fora duas décadas de construção empenhada.