Tenho um grande respeito, cada
vez maior, pelos idosos. Quando penso que as sociedades que ainda se regem por
leis tribais confiam os seus destinos aos mais velhos, penso que todos
poderíamos beneficiar se essa regra fosse adaptada ao governo dos países ditos
democráticos, que cada vez mais tendem a desprezar a sabedoria de quem já
passou por quase tudo na vida e sabe prever nas palavras e atitudes dos mais
novos as suas verdadeiras intenções. Naturalmente, há gente nova com enorme
capacidade e maior motivação para dirigir, mas cada vez é mais difícil
conseguir escolher essas pessoas dentre um numeroso grupo que utiliza técnicas
cada vez mais sofisticadas para se fazer sobressair, apenas pela vontade de ser
conhecido a todo o custo.
Voltando aos idosos, aprecio neles a qualidade da discrição, muitos
sabem exatamente o que se passa no mundo que os rodeia, seja na esfera familiar
ou no universo mais alargado do público, mas mantém-se calados até que alguém
lhes peça ajuda. Já me entristece quando vejo que há outros, que até tiveram
papéis muito relevantes à escala das nações, onde granjearam respeito e
admiração, que tentam usar os seus créditos em prol de objetivos sectários,
quiçá até pessoais, fazendo afirmações de grande exagero e a roçar o ridículo.
E eu fico hesitante entre a falta de lucidez que me custa admitir em quem tanto
tempo se mostrou muito perspicaz e a tentativa de subverter um sistema apenas
porque se deixou se fazer parte dele. Seja qual for a razão, fico incomodado.