sexta-feira, 12 de abril de 2013

O verdadeiro culpado

Por cá só se ouve o click click dos ratos de alguns computadores. Nem os telefones tocam. Acho que o país está parado à espera do sol.

Esta tese merece reflexão profunda e pode facilmente tornar-se na alavanca de inovação potenciadora da onda crescente, retumbante e imparável de confiança, empenho e produtividade que nos devolverá à liderança incontestável dos destinos do planeta.

Se o estado do tempo for unanimemente eleito como o verdadeiro culpado da crise então está terá fim à vista e após a chegada do sol e do calor os políticos unirão as mãos apenas pelo tempo suficiente para soltar um grito de felicidade, agarrando de seguida nas enxadas e correndo para os campos para plantar as batatas, atrasadas pela terra encharcada. Os jornalistas deixarão de fazer perguntas parvas e correrão a conduzir os rebanhos para os pastos e os comentadores políticos, classe mais despontante do que cogumelos em dias quentes e húmidos, limparão as matas e recolherão biomassa suficiente para a produção de energia renovável para todo o país.

O tempo escuro e frio é terrível, voltei a adormecer depois do despertador tocar.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Eu também mostro a minha

Não podia deixar deixar a minha amiga Pseudo mostrar o que tem de bonito sem lhe retribuir a gentileza. Eu apenas mostro o que tenho, que de bonito não tem nada. Ora então cá vai:
 photo SANY0084.jpg


E sim, eu sou persistente.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Da coerência

Será coerente andar no pátio de guarda-chuva aberto a tirar à mangueirada a lama acumulada nos sapatos, nas meias, nas calças de alças, nas luvas e no impermeável depois de ter andado toda a manhã a apanhar chuva pelo capacete abaixo e lama por tudo acima?

E para a especialista, como se mantém a porcaria dos óculos sem embaciar, para não se levar nos olhos com a lama das rodas dos gajos da frente?

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Fim de ciclo


Sempre gostei de carros, não foi por acaso que fui parar a uma profissão que a eles poderia estar intimamente ligada, muito embora por artes do destino não trabalhe nesse ramo.

O primeiro automóvel que comprei obedeceu a três critérios de racionalidade, teria que ser fiável, estar em bom estado e não ser caro. Feita a pesquisa optei por juntar um critério de irracionalidade, que foi a aptidão para andar por terrenos não pavimentados. Escolhi um Renault 4, das últimas séries, já na versão GTL, que conduzi durante três anos e me deixou imensas boas recordações.

Mas o bichinho de um verdadeiro todo-o-terreno não deixou de morder e a oportunidade apareceu dois anos após a venda da chamada 4L. Foi então que comprei o que queria, um veículo de quatro rodas motrizes, com caixa de transferência, vulgarmente denominado de redutoras. O objetivo inicial, de andar no monte, pouco passou de umas centenas de quilómetros de estrada de terra e uns quantos estradões mais estragados, já que rapidamente concluí que era muito mais excitante e incomparavelmente mais barato andar no monte de bicicleta. Além de mais saudável. Mas o dito jipe não ficou na garagem, passou a andar de casa às costas pelo país inteiro e mesmo pelos países vizinhos mais próximos, permitindo cumprir o sonho antigo de conhecer novas paragens. Além disso, sempre permitia estacionar nas praias em locais inacessíveis aos veículos tradicionais, fazendo com que a alavanca pequena mantivesse algum uso, ainda que reduzido. Os mais novos sempre foram adeptos incondicionais do veículo, protestando sempre que se insinuava ao de leve que fosse a possibilidade de o deixar ir embora. Foi sendo religiosamente bem tratado, sabendo que não era um desporto barato e que a qualquer momento um acontecimento com responsabilidade alheia poderia terminar com a brincadeira. E foi precisamente o que aconteceu, felizmente sem qualquer consequência física para os habituais quatro ocupantes. Um veículo com dezoito anos de existência não merece ser cuidado das mazelas que sofreu, de acordo com a lei do país.

Foram catorze anos de peripécias, até a da viagem falhada à Suíça, interrompida à chegada a França e ainda não retomada. Os miúdos cresceram naquele carro. Mas é apenas um objeto inanimado e aquilo que senti no preciso momento em que, ao sair para avaliar os estragos, tive a certeza de que não o voltaria a conduzir, foi rapidamente ultrapassado pela pequenez dos sentimentos face à grandeza das relações humanas, essas sim verdadeiramente importantes.

Entretanto, a tarefa de levar a casa às costas para fora dos limites do país já tinha sido entregue a outro veículo, mais potente e, sobretudo, mais económico, pelo que, face aos valores entretanto exorbitantes para um carro semelhante, se fecha aqui um ciclo longo da minha vida. Ficarão as boas recordações e a vontade de que o substituto também deixe as suas.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Ó Pedro, vê lá se aprendes com o Tó Zé

O Tó Zé disse hoje que não defende a extinção da ADSE mas é a favor da sua reformulação. Isto, em Segurês, língua própria do Tó Zé mas nada diferente do antigo Socratês, quer dizer que a ADSE deve continuar a ser um subsistema mas de futuro as suas regalias serão as mesmas do SNS.

Eu acho que falta algo de Coelhês à linguagem do Pedro.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Este é apenas de teste. Ou não.

Que é aquilo que eu consigo fazer neste momento, bem, se calhar conseguia fazer mais mas depois tinha que responder a comentários e se calhar vinham ideias novas e eu ficava macambúzio por não ter as melhores condições para as escrever e para isso já me basta a situação económica do país e o que não me vai entrar no bolso para o ano.

Tenho, no entanto, uma questão que me anda a picar os miolos: faço ou não os 800 km que deram nome ao braço da galáxia?

E com este post matei 2 coelhos duma cajadada, provei que não há problema algum com o blogger e deixei uma mensagem para quem, como eu, gosta de montar.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Mau demais para ser verdade

Vi o vídeo. Na realidade já o tinha visto no domingo à noite, encontrando-me afastado da televisão e sem ouvir o que se dizia. Achei, na altura, que era outra coisa qualquer, certamente sobre o mesmo tema, mas feito por quem teria objetivos satíricos. Não me passou pela cabeça que o mentor do projeto, Marcelo Rebelo de Sousa, concordasse em passar tal produção na televisão alemã.

Entendo que o tempo foi curto, entendo que havia falta de meios, já não entendo que se caísse no erro da precipitação e se desse o salto em frente num tema sério com a ligeireza de algo feito em cima do joelho. Portugal não é aquilo que se mostra no vídeo. O Zé Povinho? O travesti vianense? Os men-in-black representando a Troika e assaltando os nossos subsídios como se não os tivéssemos gasto em estradas e estádios e experiências ditas verdes? E o muro, senhores, nunca nenhum dos responsáveis do filme falou com alemães o suficiente para saber que o muro e as guerras são assuntos tão sensíveis para os alemães que a sua lembrança lhes provoca imediatamente mal-estar? E admiram-se pela receção negativa que por lá causou?

Senhores, o vídeo dos finlandeses foi certamente feito por uma só pessoa e sem sair do lugar. Será difícil fazer algo parecido?

Perdoem-me o tom negativista, eu gosto de Marcelo Rebelo de Sousa, eu apoio todas as iniciativas que nos engrandeçam em Portugal e no estrangeiro, mas repudio o que é mau, feito sem cabeça e apresentado precipitadamente porque a visita de Ângela Merkel estava iminente. Neste caso, como em tantos outros que nos levaram ao estado lastimável em que nos encontramos, a falta de rigor e de empenho só empobrece a nossa imagem no exterior.