Não conheço Isabel Jonet. A opinião que tenho sobre a senhora é baseada unicamente em algumas aparições na televisão e no pouco que conheço do Banco Alimentar Contra a Fome, incluindo duas participações como voluntário na recolha de alimentos à porta de supermercados. Considero o trabalho desta senhora absolutamente notável e parece-me que as reações às suas declarações espelham a fielmente a mentalidade daqueles a quem se refere.
Concordo com tudo o que disse, eu cresci no tempo em que uma caixa de bolachas Maria e uma bola de queijo tinham que dar para o mês inteiro, numa casa de seis pessoas. Nunca me faltou nada, mas não se ia a correr ao supermercado porque acabou a caixa dos Chocapics e os miúdos não comem mais nada ao pequeno almoço.
Temos todos que aprender a viver mais pobres, provavelmente se Isabel Jonet tivesse dito com menos luxos não tinha utilizado uma palavra que se tornou sensível aos ouvidos daqueles que pensam que basta pedir mais tempo para pagar o que devemos que por milagre a crise desaparece. Mas não me custa a crer que, da boca de quem conhece perfeitamente a realidade da falta de meios de subsistência e dos sacrifícios que alguns fazem para manter um certo estatuto social á custa da ignorância das suas necessidades básicas, as palavras foram medidas e proferidas para serem marcantes.
Nós, os europeus, aqueles que se aproveitam há mais de seis séculos das necessidades de grande parte dos povos do mundo, temos que ter noção que os desequilíbrios sociais têm que ser atenuados, quanto mais não seja pela maior educação desses povos. E isso vai ter consequências nos excessos que temos cometido.
Agora, condenar Isabel Jonet, uma das pessoas que mais tem lutado pelo bem estar de quem menos tem, é o mesmo que matar a formiga e promover a cigarra a presidente.