quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Falar de barriga cheia

Estava com muita vontade de ir de férias, muito porque já não as fazia desde o verão passado, falhando os tradicionais períodos do Natal e Páscoa. Talvez por essa razão tenha acedido a ficar no mesmo local mais de uma semana, algo que raramente se tinha passado e que vai frontalmente contra o meu espírito reconhecidamente nómada. O plano inicial previa uma deslocação ao país vizinho, que teria aproveitado certamente para acrescentar mais dois ou três locais ainda não visitados ao imaginário mapa alfinetado. Mas uma intervenção do mais mediático comentador da nossa praça apelando ao dispêndio dos gastos de férias em terras nacionais acabou, este ano e por reconhecimento da gravidade da situação económica geral, por fazer alterar os planos. Isso e um convite para três dias consecutivos e intensos de pedalada, com final num local próximo de um outro onde é habitual passar uns dias.

Os dias de pedalada chegaram, foram divertidos e interessantes mas passaram depressa. Depois foram quase duas semanas de rotina de praia, com piada nos primeiros dias mas sabor a pouco a partir daí. De maneira que, pela primeira vez desde que me lembro, fiquei com vontade de voltar a casa, prometendo a mim mesmo, mesmo sabendo que depressa disso me esquecerei, que não me volto a meter noutra, nem que tenha que me enfiar num hotel de turistas gordos e ruidosos durante uma semana. O melhor mesmo é começar já a planear as do ano que vem.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Água das pedras da Escócia e chave de parafusos

Dançar durante quatro horas, para quem só o faz porque é algo que dá prazer à pessoa a quem proporcionamos os melhores momentos que conseguimos apenas pelo facto de gostar de a ver feliz, é um feito que roça o extraordinário. Naturalmente, à proeza não foi estranho o nível de etileno que circulava na corrente sanguínea. Há quem raramente beba bebidas alcoólicas, uma francesinha com fino a acompanhar ou um jantar de amigos com um copo de vinho não contam para o campeonato.

Sabendo do efeito benéfico que as substâncias eufóricas legais lhe causam quando ingeridas controladamente, libertando-o da timidez quase apática demonstrada em situações onde a extroversão é recomendável, evita recorrer ao seu uso, quer por considerar que a situação falseia o seu comportamento habitual, quer pelas consequências imediatas, o mau hálito e o quase torpor do dia seguinte. Mas uma vez não são vezes.

E a música até ajudou, dando vontade de regressar a locais onde não põe o pé há mais de uma década, caracterizados por música aos berros e poucas luzes, algumas coloridas.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ainda que o motivo seja diferente

Costumo ansiar pelas férias porque são mais uma oportunidade para conhecer novas paragens, novos costumes, percorrer estradas por onde nunca passei, aprender mais sobre o mundo enorme que nos rodeia.

Este ano preciso de férias porque do ponto de vista físico já noto alterações, sobretudo ao nível da atenção que costumo dispensar às tarefas mais básicas. Continuo a gostar de trabalhar, a gostar do meu trabalho, não me importo de sair de casa às 6 da manhã ou de regressar depois do jantar, mas fico preocupado quando dou por mim sem me lembrar quando virei em determinada rua.

Ainda falta um mês para o dia já reclamado. Mas, apesar do cansaço, será com a expectativa e a vontade do costume que me farei à estrada. Mesmo sendo um percurso conhecido, tenho a certeza de que encontrarei novos motivos de interesse.

terça-feira, 17 de julho de 2012

E finalmente o Verão

As saudades que todos tínhamos de uma noite quente, pelo menos por cá, pelas nossas terras. Noite magnífica na capital, terreno que piso com pouquíssima frequência, sobretudo fora de horas. Jantar numa esplanada sem arrepios de frio, caminhada longa e revigorante na marginal, muito bem composta a hora tardia de dia de semana.

Perfeito teria sido com companhia, desde que adequada.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Pequenos gestos

Ser servido à mesa do restaurante por quem se senta à nossa frente pode parecer um gesto banal, mas tem um significado de enorme amplitude quando visto à luz da história dos intervenientes.

E as férias ainda tão longe

"Play it again, Sam" e "We'll always have Paris" são frases de gente que se pretende fazer passar por culta mas vê o filme como os japoneses visitam monumentos em Itália.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Com a idade a satisfação do pensamento é cada vez menor

A antecipação mental de uma viagem de vários dias de bicicleta nunca chegará ao prazer real de a fazer, por muito sofrimento físico que implique.

Da mesma forma, a imaginação de um olhar insinuante e tenso de desejo, de um corpo voluptuoso cuidadosamente vestido para ser liberto de amarras que provocam arrepios de calor será sempre largamente superada pela realidade da entrega, do empenho colocado no ansiado momento.