quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ainda que o motivo seja diferente

Costumo ansiar pelas férias porque são mais uma oportunidade para conhecer novas paragens, novos costumes, percorrer estradas por onde nunca passei, aprender mais sobre o mundo enorme que nos rodeia.

Este ano preciso de férias porque do ponto de vista físico já noto alterações, sobretudo ao nível da atenção que costumo dispensar às tarefas mais básicas. Continuo a gostar de trabalhar, a gostar do meu trabalho, não me importo de sair de casa às 6 da manhã ou de regressar depois do jantar, mas fico preocupado quando dou por mim sem me lembrar quando virei em determinada rua.

Ainda falta um mês para o dia já reclamado. Mas, apesar do cansaço, será com a expectativa e a vontade do costume que me farei à estrada. Mesmo sendo um percurso conhecido, tenho a certeza de que encontrarei novos motivos de interesse.

terça-feira, 17 de julho de 2012

E finalmente o Verão

As saudades que todos tínhamos de uma noite quente, pelo menos por cá, pelas nossas terras. Noite magnífica na capital, terreno que piso com pouquíssima frequência, sobretudo fora de horas. Jantar numa esplanada sem arrepios de frio, caminhada longa e revigorante na marginal, muito bem composta a hora tardia de dia de semana.

Perfeito teria sido com companhia, desde que adequada.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Pequenos gestos

Ser servido à mesa do restaurante por quem se senta à nossa frente pode parecer um gesto banal, mas tem um significado de enorme amplitude quando visto à luz da história dos intervenientes.

E as férias ainda tão longe

"Play it again, Sam" e "We'll always have Paris" são frases de gente que se pretende fazer passar por culta mas vê o filme como os japoneses visitam monumentos em Itália.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Com a idade a satisfação do pensamento é cada vez menor

A antecipação mental de uma viagem de vários dias de bicicleta nunca chegará ao prazer real de a fazer, por muito sofrimento físico que implique.

Da mesma forma, a imaginação de um olhar insinuante e tenso de desejo, de um corpo voluptuoso cuidadosamente vestido para ser liberto de amarras que provocam arrepios de calor será sempre largamente superada pela realidade da entrega, do empenho colocado no ansiado momento.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Um pouco mais de mim

A dedicada Paixão incluiu-me num desafio, cujas respostas seguem abaixo, ainda que com algum atraso motivado pela conjugação de afazeres pessoais com outros profissionais. Os tempos que vivemos são diferentes do comum das últimas décadas e presenteiam-nos com paradoxos pouco previsíveis. Mas isso são outros quinhentos. Cá vai o desafio:


O que te tira do sério: O ziguezague. Dizer agora que tomamos um caminho e no momento de o começar voltar atrás e dizer que afinal não é por ali.
A que cheiras: Gosto de pensar que cheiro a manhãs luminosas de Primavera.
A que sabes: Em simultâneo a doce e a salgado. Menta e chocolate.
O que gostas de ler: Aquilo que não sei escrever, Saramago, Lobo Antunes.
Sentes-te: Tranquilo, motivado, com vontade de percorrer o mundo de bicicleta.
O que te deixa com um sorriso nos lábios: A estrada desconhecida.
O que dizem os teus olhos: Que sou um otimista incorrigível, por vezes inconsequente.
O que me oferecias: Um livro de Gabriel Garcia Marquez, “O amor nos tempos de cólera”.

Não o vou passar a ninguém, mas será com inegável prazer que lerei as respostas de quem tiver a ousadia de continuar a corrente.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O meu primeiro beijo

Não foi desse que pretendi falar há alguns dias, mas devido às valiosas contribuições das minhas estimadas leitoras que contaram as suas experiências nesse campo senti-me compelido a partilhar também aqui a minha. Foi muito romântico, deixem-me que vos diga, tudo tinha começado algumas horas antes em casa de uma amiga, durante a assistência a um filme, eu estava ao lado da mocinha, cruzei os meus braços, ela fez o mesmo e os nossos dedos tocaram-se no espaço entre ambos. À saída acompanhei-a até casa, éramos todos vizinhos e debaixo de uma árvore com rebentos novos de Primavera, a coberto da noite, trocamos um beijo de despedida. Para mim foi breve, mas deixou-me nas nuvens e fez com que tivesse uma imensa dificuldade em adormecer. O primeiro com a língua foi no dia seguinte, na mesma casa e com a mesma pessoa, foi estranho a princípio mas rapidamente se tornou numa opção a desenvolver. Ainda recordo as tentativas com a boca completamente aberta e círculos desenfreados, ignorando completamente as potencialidades que tal órgão muscular oferece. A bem dizer, só ao fim de alguns anos e na procura de sensações tântricas é que me apercebi do verdadeiro valor da língua durante o beijo.

Tendo a Pseudo falado no assunto numa perspetiva diferente e interessante sob o ponto de vista da experiência, fiquei com a pulga atrás da orelha na tentativa de que ela dissesse quando mudou de ideias. Pelo que lanço agora aqui o desafio para saber quais as primeiras impressões quanto ao uso da língua como potenciador de estados de alma e em que altura se tornou inigualável.