Palavra puxa palavra, que é como quem diz, verso puxa verso, foram há algum tempo saindo estas linhas que não estão terminadas, encontrando-se à espera que o tempo ameno da Primavera traga com calor do Sul, quiçá nas asas das andorinhas, a inspiração que faltou no frio do Inverno. Escrito a quatro mãos, é bem visível aqui o talento inato da inexcedível Orquídea Selvagem, que publicou os mesmo versos em simultâneo.
I
Percorrendo o teu rosto com o olhar
Olho fixamente os teus lábios molhados.
Eles chamam por mim numa prece velada
Seduzindo-me e embalando-me em vontades
Imitando sorrisos de criança traquina
Almejando o mel da minha boca.
II
Voz rouca e falso tom de acento grave
Altera a entoação normal aguda
Com ela te embalo num tom suave
Recitando poemas de Neruda
Altera a entoação normal aguda
Com ela te embalo num tom suave
Recitando poemas de Neruda
III
E o brilho dos teus olhos não mente
Neles a chama, rival da lareira
Suspiras, resistes, forte, valente
Avanço em fulgor minha mão matreira V
Nestas noites frias de Dezembro
Embala-me em teus braços quentes e fortes
Recitando poesia sussurrada p'la tua voz suave.
Uma lareira acesa faz-nos companhia
Dá-nos o calor que o corpo pede
Afagando-nos a pele nua como uma carícia.
IV
E o brilho dos teus olhos não mente
Neles a chama, rival da lareira
Suspiras, resistes, forte, valente
Avanço em fulgor minha mão matreira
Leves, lentos, dedos atrevidos...
Alcançam o meu seio em arrepio
Rios de prazer inundam os meus sentidos.
Escuto tua voz, doce delírio
Imitando o som do vento em meus cabelos.
Rezam os meus lábios suave prece
Aguardando o beijo que apetece.
VI
Arqueias as costas, mordo-te os peitos
Beijo, lambuzo, aperto a pele que queima
Contemplo a forma dos montes perfeitos
Resisto à vontade de ti, que teima
Beijo, lambuzo, aperto a pele que queima
Contemplo a forma dos montes perfeitos
Resisto à vontade de ti, que teima
Deixamos aqui o convite para que outras mentes inspiradas contribuam para o enriquecimento deste devaneio poético.