segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Redondas

A circulação nas numerosas placas redondas espalhadas pelo nosso país e não só é das tarefas mais complicadas de toda a condução, qualquer que seja o veículo envolvido. Suponhamos que o Sr. Bernardino quer, numa confluência de quatro vias, percorrer três quartos da dita. Imbuído dos ensinamentos dos primórdios da condução, percorre toda a distância na via da direita, cruzando duas saídas antes de chegar à sua. Como tem prioridade, já que circula pela direita, todos os outros terão que ter cautela.

Já o seu neto, o Tomás, jogador compulsivo de tudo o que são Colin McRaes e afins, seguidor fiel das provas de Fórmula 1 e Moto GP, desenha uma tangente perfeita sempre que passa naquelas novas que inventaram para o meio das vias de duas faixas para cada lado e quer optar pela segunda saída, ou seja, a oposta à entrada, entrando e saindo pela faixa da direita. A sinalização, o pisca, não interessa para nada.

A marcação no pavimento também não ajuda, quando existe limita-se à separação entre faixas, excepção feita à Praça Mouzinho de Albuquerque, vulgarmente conhecida por outro nome.

Eu cá gosto mais de outras redondas, onde o único pisca é o dos meus olhos, o uso das mãos na condução quer-se prolongado em voltas e voltas sem fim e os lábios são empregues para prolongar a obra de arte em altura, em vez de combaterem com o telemóvel no sistema mãos livres. Mas apreciava com agrado uma redução de sustos no contorno das placas deste país.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Collants brancos



Não vou à bola com leggings. Não são collants nem são calças, depois é preciso vestir qualquer coisa por cima e o resultado é muito pouco sensual na esmagadora maioria dos casos. Os collants sim, podem ser muito apelativos, de preferência lisos e negros ou brancos. Esta última cor também me parece delicada de combinar, mas a dona do par de pernas que os envergava na superfície comercial onde me desloquei anteontem conseguiu avivar-me a memória quanto ao uso eficaz dos ditos e transportar-me para o interior do Renault 5 onde por diversas vezes tratei de outra actividade gratificante, livrar a minha companhia do calor incómodo provocado em certas situações pela peça de vestuário. Essa e outras.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A mãe natureza não dorme

O ano que agora chega não promete nada de bom para a maioria de nós. Mas não há nada como a mãe natureza para nos recordar que as criações mais belas podem despontar na altura mais inesperada e mesmo ao lado, quando não é mesmo no meio, da maior montanha da matéria resultante da incompetência de uns quantos na gestão daquilo que é de todos.

Se a imagem acima não servir para pintar de verde os tempos mais próximos, pelo menos recordará que não é preciso consumir toneladas de combustível para poder disfrutar de umas férias retemperadoras e de contenção económica, num local que o autor da fotografia terá todo o gosto em recomendar, promover e divulgar.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

As minhas comentadoras são das boas

Do que não duvidava nem por um segundo. Que são boas. Comentadoras.

Cá estão as respostas com que não deixaram de me brindar. A elas e a todas e todos os que por aqui passarem, os meus desejos de um 2012 com saúde e trabalho, que o resto deverá vir por acréscimo.



Porque é tempo de Natal
Também vou dar uma prenda
A quem saiu afinal
Melhor do que a encomenda

Começo pela menina
Geralmente bem disposta
Ar de miúda traquina
Insolente na resposta

Sempre desafiadora
Tem no sofá o seu feudo
É grande provocadora
A querida amiga Pseudo

A estraga-prazeres chegou,
Acelerada pela auto-estrada.
Avisa que também gostou
Da prendinha por ti ofertada.

Agora percebi o que perdi,
A ver se não volta a acontecer.
Se tal voltar a ocorrer,
Juro que não me esquecerei de ti :)


Não m’esqueço da poetisa
De rimas acaloradas
Que com música idealiza
Cenas das mais inflamadas

Transmite uma linda imagem
E sem ponta de perfídia
De certo não é selvagem
A tentadora Orquídea

Tens jeito para rimar
Quero entrar na brincadeira
Vou a minha voz afinar
Pra dizer bem à maneira:

«Ena ena... maravilha
Isto aqui está do baril
É por isso que visito
A chapada no trombil.»

Menina dos olhos belos
Inquieta e sonhadora
Vê palácios e castelos
Corre pelo mundo fora

Só desejo que descanse
Seu príncipe chegará
Até lá festeje e dance
Como a AC prenda não há

Grande poeta é o rapaz,
faz versos e consegue rimar,
Aqui a Ac vai ver do que é capaz,
para agradecer, e mimar

Porque a vida são dois dias,
e um até já passou,
O Ness surpreendeu,
E a Ac adorou!

Em período de licença
Anda quem por mim puxou
Geralmente muito intensa
Parece que agora murchou

Mas eu sei que chegará
Ainda mais empolgante
A Amanda voltará
Formosa e exuberante

Pois meu caro Ness
diante do seu grito me apresento
Com certeza que merece
estas palavras que acrescento

Peço desculpa pela demora
mas meu amigo sabe certamente
que mais do que a mente decora
são as palavras que a gente sente

Como tal e porque tão bem me conhece
mais do que exuberante, empolgada estou
Bombardeada por olhares em prece
Agradeço profunda_mente e agora me vou.

Antes de ir tenho tempo ainda
de lhe desejar muita inspiração
e que este ano que agora finda
dê lugar a outro repleto de emoção



(Já tentei alterar as definições mais de quinhentas vezes e não consegui melhor do que esta bodega. Por agora, fica assim)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Das férias que não o são

Podia reclamar, não fosse não gostar de estar encafuado em casa sem grande coisa que fazer. Podia dizer palavrões, se calhar até o faria noutras alturas, não fosse ter sabido de mais um que está em casa contra a vontade, por já não ter o que fazer. Podia estar em cima da bicicleta, mas deixa-me estar por aqui a ver se o que tenho a mais por agora não tenho a menos nos tempos mais próximos.

Mas lá que me apetecia ir aproveitar o sol...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Natal

Recordei isto há pouco, logo de manhã, na Rádio Nova, e só posso concordar que seja uma  das melhores músicas de Natal, como dizia o César. A prova de que não temos que ouvir as mesmas musiquinhas ano após ano.

A todos os que por aqui passam, essas e esses que até se atropelam à entrada, os meus votos de um Natal feliz.



   

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Dos disparates políticos

A política tem destas coisas, quando se tenta a fuga para a frente como forma de tentar branquear um disparate, geralmente resulta no aumento da dimensão do facto absurdo. Vem isto a propósito daquilo que parece ser um apelo à emigração por parte do nosso governo. Tenho a opinião de que Passos Coelho tem demonstrado ser mais sensato do que a seu antecessor, muito embora o clima político destes tempos seja muito mais propício a esse comportamento. Não obstante o líder da oposição ter feito declarações recentes muito mais alinhadas com a falta de bom senso revelada até há alguns meses atrás. Voltando ao facto político, parece-me inusitado estar um país a formar a sua população durante quase vinte anos para depois os enviar para o estrangeiro. Podemos discutir se a formação ministrada nas duas últimas décadas é aquela de que o país precisa, em muitas áreas terá sido, noutras provavelmente deverá ser repensada, agora incentivar a saída do país é algo que me suscita as maiores dúvidas como linha política.

Há já várias áreas profissionais, e aquela onde me enquadro é uma delas, que saltaram as fronteiras na busca do trabalho que por cá vai rareando. Felizmente há muitas empresas nacionais que tomaram essa iniciativa, gerando no estrangeiro movimentos de capitais que beneficiam o país. Mas as pessoas continuam a trabalhar para o país. Quando fazemos a malas por conta própria e vamos trabalhar para outras paragens deixamos de contribuir para a nação que nos formou.

Provavelmente, a questão será outra. Já em tempos defendi que a diferença entre salários praticados em Portugal é vergonhosa. É encarado com uma naturalidade gritante que haja diferenças de um para cinco nos vencimentos de pessoas que não tenham cargos de elevada responsabilidade, deixando de lado a questão de se este tipo de cargos merece uma remuneração claramente destacada das outras. Esta realidade, conjugada com a ideia dos nossos pais de que um curso superior implica um ordenado e um estatuto social correspondente ao que era um doutor ou um engenheiro há quarenta anos atrás, distorceram o mercado do ensino através da procura desenfreada de cursos privados, resultando num desequilíbrio da oferta relativamente à procura e na perda de expectativas por parte de uma grande parte dos formados.

Se neste país a diferença de ordenado entre quem menos ganha e quem mais recebe não fosse superior a três, acredito que não houvesse necessidade de dizer às pessoas para emigrarem.