A capa negra pendia-lhe dos ombros numa fusão perfeita com os cabelos cor de azeviche, realçando o brilho intenso dos olhos escuros na penumbra da velha carrinha pão de forma. Era madrugada e não se vislumbrava o mar próximo, esta noite de sábado no início de Maio levava todos os anos muitos automóveis até às imediações das praias. Estava completamente despida sob o manto quente, joelhos flectidos e afastados, cada uma das pernas do lado exterior das do morcego de camisa branca que, sentado no largo banco traseiro do veículo, ocupava as mãos em lentos círculos sobre a pele macia em frente. O aroma suave e inebriante que emanava do pescoço alvo fazia-o mergulhar a cabeça no interior do abafo, provocando na rapariga alegres gargalhadas de prazer enquanto fechava o círculo sobre a cabeça do rapaz e a apertava na direcção dos pequenos picos levantados, que ele humedecia alternadamente com a língua em riste.
Aos poucos o movimento pendular de cavaleira foi-se intensificando, os olhos semi-cerrados, os braços à volta da cabeça do montado, a força da tenaz em crescendo contra o peito em reboliço. Desceu as mãos para os flancos dela, deixou-a mover-se à sua vontade, tinha descoberto há algum tempo que na altura por que esperava sentiria os músculos da companheira contraírem-se em espasmos regulares. E era uma sensação viciante.