terça-feira, 18 de outubro de 2011

Hoje chamo o velho Camões


Em tempos guardava apontamentos pessoais e profissionais no pensamento de que um dia mais tarde me poderiam ser úteis. Tenho ainda coisas antigas guardadas, desde catálogos técnicas a cartas de amigos, algumas já com décadas de idade. Tenho andado a deitar essas coisas ao lixo, as profissionais porque já foram ultrapassadas pelo avanço contínuo da ciência e da técnica e as dos afectos, mais ou menos intensos, mais ou menos íntimos, porque o que então unia as pessoas foi alterado por tudo o que entretanto se passou nas vidas de cada um e tornou-se numa realidade completamente diferente.

Tudo tem um tempo e um lugar e nem mesmo entre irmãos as ligações mantêm a mesma natureza ao longo da vida. E o tempo esbate quer as ligações mais fortes, quer os conflitos que inevitavelmente resultam, se outras razões não houverem, do aparecimento de novas pessoas. Assim como cria, fortalece ou desfaz novos laços.

No caso particular do núcleo familiar mais restrito é impressionante, surpreendente e excitante o caminho que se pode percorrer quando os intervenientes realmente se empenham. Tão surpreendente como, por vezes, inimaginável nos seus primeiros passos.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Já chovia, não?


Gosto do Outono. Gosto das cores das folhas, gosto do cheiro da terra molhada e das queimadas de folhas e ramos secos, cujo fumo cinzento se eleva no ar fresco. Gosto de calçar botas e vestir camisolas mais grossas. Gosto do peso dos cobertores na cama e do seu calor acolhedor ao acordar, apesar da atrapalhação que provocam em movimentações que nada têm a ver com o sono.

Este calor fora de tempo sabe-me a artificial.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A moda Verão-Outono 2011


Este calor não dá tréguas. E se eu tenho olhos, é para olhar. E para ver. E para ver há que olhar com olhos de ver. E que vejo? Vejo que as meninas e as senhoras continuam a preferir roupas leves, reveladoras das belas formas com que a natureza as premiou, a mesma natureza que me acrescentou a imaginação de ver o que está escondido, mas pouco dissimulado nos volumes sob os tecidos.

Almoçar numa área comercial intensamente frequentada torna-se, assim, numa sessão agridoce de contemplação pouco dissimulada. Felizmente é pouco frequente.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A tal da idade

Faz com que o número de previsões acertadas aumente. No caso de ontem, bem que poderia ter falhado. Mas não desesperemos, como de costume na última oportunidade lá haveremos de ganhar o jogo e ir ao europeu.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Nunca mais aprendemos


Esta crise que vivemos devia tornar-nos mais sensatos e, pelo menos nalguma áreas, mais humildes. Por alguma razão aqui chegámos e a mim parece-me que é tempo de pensar nas causas. E se a tão comentada ausência de agitação social parece uma forma sensata de avaliar a situação, ainda que num futuro próximo possa ser benéfico o uso da manifestação social como forma de pressão sobre quem nos dirige, já as palavras de ontem do seleccionador daprincipal equipa de futebol são uma forte machadada no bom senso.


A equipa portuguesa tem a posição mais confortável no início do jogo, deve, por isso, deixar que a Dinamarca se desgaste e aproveitar até para procurar um deslize do adversário. Mas isto parece-me diferente de entrar para ganhar. O jogo de sexta-feira passada demonstrou que a defesa não está bem, o que nem é de estranhar. E Paulo Bento está muito longe de ser o treinador ideal para incutir confiança num grupo de jogadores. Continua a ser o irmão mais velho do grupo, aquele de quem se gosta porque tem mais experiência, porque conhece brincadeiras mais ousadas, porque tem maior à-vontade frente aos adultos. Mas que não se respeita precisamente porque é irmão. O respeito tem-se pelo pai, figura que Paulo Bento não é capaz de representar. O pai teria sabido contornar o amuo de Ricardo Carvalho e evitado que desertasse, palavra com a qual, infelizmente, concordo.

Não auguro nada de bom para o jogo desta noite. Mas também reconheço que a derrota não será drama nenhum, pelo menos para a maioria. Afinal de contas até podemos ser o melhor segundo e, mesmo assim, ter apuramento directo. Mas não o sendo, ainda há um Play-off. E que será dos nossos comentadores desportivos se perderem a oportunidade de equacionar os quinhentos cenários possíveis até à qualificação?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Prognóstico no fim do jogo


Não tenho qualquer ambição de ser político, aprendi cedo, ainda na escola secundária, na febre juvenil das eleições para a associação de estudantes, que o meu estômago não é para esses voos. E digo isto sem ponta de desprezo por quem exerce as funções, até porque muitos só o fazem porque outros, eventualmente mais capazes, se acomodam a uma vida mais confortável e recatada, mesmo sem opíparas e quantas vezes enfastiantes jantaradas, passeios a alta velocidade em automóveis grandes e luxuosos e férias em locais longínquos, enclausurados durante alguns dias em estâncias balneares limitadas a alguns milhares de metros quadrados.

Mas se não é preciso ser um reconhecido técnico de finanças públicas para dizer o que o nosso ministro maismediático alegadamente terá afirmado, também não é preciso saber muito de política para imaginar que tais palavras são totalmente ocas e não servem para mais do que desgastar ainda mais a imagem de alguém que tem uma das fracções maiores da responsabilidade de nos levar a bom porto nos próximos tempos e que necessita da maior tranquilidade para o desempenho das funções.

Creio que, propositadamente, o senhor ministro da economia tem-se mantido resguardado do mediatismo da comunicação social, uma vez que está muito longe de ser um comunicador. Ao senhor ministro das finanças, pensando no anterior igualmente competente em termos de capacidade técnica e até algo melhor comunicador, acredito que muitos dos cabelos se tornem rapidamente brancos e que num ápice se comece a cansar do lugar se ninguém manifestar interesse ou for capaz de o resguardar nos próximos tempos. Em linguagem de ciclista, era bom que outro subisse à cabeça do pelotão.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Momentos I

Brilhava ao longe o cabelo, muito liso e negro. Vinha de túnica preta e jeans, discreta mas elegante, unhas dos pés pintadas em vermelho nada Ferrari, que não vai em modas se não se sentir bem consigo. A pele em tom de exposição solar moderada, própria da época.

Conversa fluida, animada, de quando em vez quase atropelada. Os olhos, ambos os pares, à solta na procura de detalhes, temperados pelo género. O decote, certamente ponderado tendo em conta a situação, ocupava um plano privilegiado, de difícil contenção visual. O rebordo em temas inspirados em civilizações sul-americanas, de cor branca, delimitava uma área geometricamente perfeita, apelando ao recurso a compasso como forma de comprovar o rigor circunferencial. Abusando do clima informal, o vislumbre de um pequeno rebordo de lingerie negra rendada faz aumentar irremediavelmente o ritmo cardíaco.

Já não se encontram muitas ocasiões para aumentar o volume sonoro dentro do automóvel, ainda para mais com música comercial. Felizmente, ainda há momentos que nos fazem sentir bem.