Brilhava ao longe o cabelo, muito liso e negro. Vinha de túnica preta e jeans, discreta mas elegante, unhas dos pés pintadas em vermelho nada Ferrari, que não vai em modas se não se sentir bem consigo. A pele em tom de exposição solar moderada, própria da época.
Conversa fluida, animada, de quando em vez quase atropelada. Os olhos, ambos os pares, à solta na procura de detalhes, temperados pelo género. O decote, certamente ponderado tendo em conta a situação, ocupava um plano privilegiado, de difícil contenção visual. O rebordo em temas inspirados em civilizações sul-americanas, de cor branca, delimitava uma área geometricamente perfeita, apelando ao recurso a compasso como forma de comprovar o rigor circunferencial. Abusando do clima informal, o vislumbre de um pequeno rebordo de lingerie negra rendada faz aumentar irremediavelmente o ritmo cardíaco.
Já não se encontram muitas ocasiões para aumentar o volume sonoro dentro do automóvel, ainda para mais com música comercial. Felizmente, ainda há momentos que nos fazem sentir bem.