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terça-feira, 13 de março de 2012

Mistério aquático


Tento manter o bom hábito de ir à piscina duas vezes por semana. Apesar de ver os miúdos nas pistas ao lado a passarem por mim como se levassem barbatanas nos pés, ou como se eu arrastasse um petroleiro, o que vai dar no mesmo, passo ali três quartos de hora sem parar, o que me deixa muito satisfeito, dada a minha já avançada idade. Há, no entanto, um mistério que me anda a intrigar. Sou cerca de um minuto mais rápido, o que equivale a cerca de um longo segundo a menos por percurso, para a mesma distância e igual programa, na segunda sessão semanal, que tem sido à sexta-feira. Será o cheiro a fim-de-semana? Não sei, não encontro explicação racional, não tenho sequer distrações a meio da semana, não sei bem porquê mas as poucas sereias que de vez em quando me faziam voltar a cabeça e me torturavam passeando-se em trajos menores nas pistas ao lado parecem ter emigrado para águas mais quentes.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O golo do Crixiano


Como jogador de futebol, tenho uma grande admiração pelo nosso compatriota. Em casa há momentos de saudável picardia com o adepto mais novo de futebol, porque a juventude, vá-se lá saber porquê, prefere o homem da camisola 10 azul e vermelha.

O golo de ontem foi mais um momento de inspiração, um golo monumental de simplicidade, de tal forma que a concorrência parece ter admitido que a questão do campeonato está resolvida. O sucesso de uma equipa que, em Espanha, tem mais portugueses que a maior parte, senão a totalidade, das equipas do nosso campeonato, equipa técnica incluída, deixa-me satisfeito. Não gosto da atitude de Mourinho, como profissional, mas não posso deixar de reconhecer os seus resultados e de o admirar por isso. Sobretudo no ambiente que imagino seja de cortar à faca da capital do país rival histórico.

Quanto a Cristiano Ronaldo, só desejo que faça a sua melhor época de sempre e que o corolário seja no Verão.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Dos disparates políticos

A política tem destas coisas, quando se tenta a fuga para a frente como forma de tentar branquear um disparate, geralmente resulta no aumento da dimensão do facto absurdo. Vem isto a propósito daquilo que parece ser um apelo à emigração por parte do nosso governo. Tenho a opinião de que Passos Coelho tem demonstrado ser mais sensato do que a seu antecessor, muito embora o clima político destes tempos seja muito mais propício a esse comportamento. Não obstante o líder da oposição ter feito declarações recentes muito mais alinhadas com a falta de bom senso revelada até há alguns meses atrás. Voltando ao facto político, parece-me inusitado estar um país a formar a sua população durante quase vinte anos para depois os enviar para o estrangeiro. Podemos discutir se a formação ministrada nas duas últimas décadas é aquela de que o país precisa, em muitas áreas terá sido, noutras provavelmente deverá ser repensada, agora incentivar a saída do país é algo que me suscita as maiores dúvidas como linha política.

Há já várias áreas profissionais, e aquela onde me enquadro é uma delas, que saltaram as fronteiras na busca do trabalho que por cá vai rareando. Felizmente há muitas empresas nacionais que tomaram essa iniciativa, gerando no estrangeiro movimentos de capitais que beneficiam o país. Mas as pessoas continuam a trabalhar para o país. Quando fazemos a malas por conta própria e vamos trabalhar para outras paragens deixamos de contribuir para a nação que nos formou.

Provavelmente, a questão será outra. Já em tempos defendi que a diferença entre salários praticados em Portugal é vergonhosa. É encarado com uma naturalidade gritante que haja diferenças de um para cinco nos vencimentos de pessoas que não tenham cargos de elevada responsabilidade, deixando de lado a questão de se este tipo de cargos merece uma remuneração claramente destacada das outras. Esta realidade, conjugada com a ideia dos nossos pais de que um curso superior implica um ordenado e um estatuto social correspondente ao que era um doutor ou um engenheiro há quarenta anos atrás, distorceram o mercado do ensino através da procura desenfreada de cursos privados, resultando num desequilíbrio da oferta relativamente à procura e na perda de expectativas por parte de uma grande parte dos formados.

Se neste país a diferença de ordenado entre quem menos ganha e quem mais recebe não fosse superior a três, acredito que não houvesse necessidade de dizer às pessoas para emigrarem.