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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Das viagens em espaços fechados


Não te rias, não agora, há poucas coisas mais excitantes do que uma mulher nua deitada de bruços, deixa-me olhar-te bem, sabes que gosto de encher os olhos e tens muitos pequenos detalhes por onde me possa perder, o formato longo do segundo dedo do teu pé, o espaço entre esse e o dedo maior, que a minha língua preenche enquanto te contorces, não mexas esse pé porque sei que queres mais e eu não quero ficar com um olho negro, os altos dos outros dedos, que percorro agora qual trepador em contagens de segunda e terceira categoria, espraio-me de seguida ao longo da linha exterior do teu pé de planta alva, faço um círculo em redor do tornozelo e prossigo por cima do tendão de Aquiles, que rapidamente se transforma numa linha imaginária no lugar da costura dos collants usados pelas pin-ups americanas dos anos cinquenta, chego ao vinco atrás do joelho e deixo que o meu queixo se afunde entre eles, levantando os olhos para mais uma visão paradisíaca, o traço rosado e já brilhante, de rebordos escuros, as suaves elevações simétricas, regresso às depressões suaves que a minha língua afaga em vários movimentos rápidos, antes de voltar a subir vagarosamente de volta à linha central, deixo que a respiração profunda assinale o caminho enquanto a ponta do meu nariz serve de batedor. Termino a lenta ascensão e faço uma deriva sem pressas para o centro nevrálgico do turbilhão em crescendo. Permito às minhas mãos abertas o deleite do toque e, sôfregas, elevam um pouco cada uma das nádegas que sinto enrijecerem. De novo o meu queixo se posiciona sobre o eixo de reflexão e deixo que os meus lábios em círculo reduzido iniciem um sopro refrescante de velocidade elevada.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Começar o ano em grande

Quero fazer-te vir devagarinho, manter-te naquele ponto em que as contrações se sucedem em catadupa, em que te queres mexer descontroladamente mas sabes que isso fará terminar o processo. Não será fácil prender-te para que não o faças, mas eu gosto de desafios difíceis.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Talvez poético, em português arcaico ou evitando-o elegantemente.

Em arcaico

Deleito-me, com o meu olfaqueto apurado pela visão edílica do teu corpo descoberto, enquanto o teu odor fresco e doce me faz cravar-te as unhas curtas nas nádegas retesadas..

Taqueteio-te a pele, milímetro a milímetro, desde o pináculo erequeto do teu mamilo escurecido até ao rio doce e de sabor a mel que corre em turbilhão no cimo das tuas pernas.

Elegante

Aspiro, inebriado, o cheiro perfumado do teu cabelo, enquanto deixo que o meu nariz descreva círculos imperfeitos em redor do teu pescoço.


Toco-te a pele, milímetro a milímetro, pelo interior das tuas coxas, desde a curva do joelho até ao contorno quente da tua rosa em ebulição.



Digam-me, divas inalcançáveis que por aqui passais, qual das grafias preferis?

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Os olhos também comem

O desejo tem essa caraterística deliciosa de tornar a visão de alguém ou algo que tão bem conhecemos num prazer semelhante ao sentido da primeira vez que essa experiência foi vivenciada. Pode ser uma pessoa, um animal, uma paisagem, um alimento, um objeto. Pode ser uma parte do corpo humano que esteja geralmente oculta. Cuja visão desperte na mente de quem olha uma reação de apreço, demonstrada por um brilho no olhar, um suspiro, a aceleração da respiração como resposta ao aumento do ritmo cardíaco.


Mas realmente belo é sentir que quem nos olha como se da primeira vez, quem procura o físico escondido e se vai, lentamente, passo a passo, aproximando do objetivo ocular, quem liberta finalmente aquilo que se engrandece sob a expetativa de vislumbrar no rosto da exploradora algum pequeno traço revelador da sua satisfação, quem nos vê, demonstra que o que vê corresponde ao que esperava e lhe incute um impulso irreprimível de passar à prática o que na sua mente se desenhava durante o percurso até então realizado.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Aproveitando a moda

Apareceu com o cabelo impecavelmente alinhado, apanhado atrás, os longos fios num tronco regular de diâmetro constante, qual torrente jorrando de uma bica refrescante. Olhou-a apreciativamente num esboço de sorriso enigmático que a eletrizava de curiosidade e a deixava com o pensamento num turbilhão, enquanto revia mentalmente o seu aspeto, tentando decifrar o significado do seu olhar.


Perderam-se nos braços um do outro, em beijos e carícias cuja intensidade o tempo amplificara, suspiros e gemidos que confirmavam a primazia da contenção como meio de potenciar a satisfação. Pediu-lhe que não se deitasse enquanto lhe segurava firmemente, com ambas as mãos, o cordão que lhe pendia da cabeça. Os puxões suaves que a embalavam ao ritmo das investidas que fazia nas suas costas faziam-na estremecer e da sua garganta saíam pequenos gritos abafados que o incitavam a aumentar o ritmo. Enquanto fechava os olhos reviu mentalmente a expressão facial que a intrigara.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Da dança da chuva

Gosto do cheiro da terra quente quando molhada, entra pelas narinas despertando metáforas de vales de relva com aroma inebriante, dilatados pelo calor de um sol cujo toque de raios intensos provoca arrepios, suspiros, batidas aceleradas e faz fluir o mel, prelúdio da dança da natureza em ritmos inicialmente calmos e depois em crescendo, ao sabor do aumento da temperatura rumo ao clímax estival que dá descanso aos corpos exaustos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Collants brancos



Não vou à bola com leggings. Não são collants nem são calças, depois é preciso vestir qualquer coisa por cima e o resultado é muito pouco sensual na esmagadora maioria dos casos. Os collants sim, podem ser muito apelativos, de preferência lisos e negros ou brancos. Esta última cor também me parece delicada de combinar, mas a dona do par de pernas que os envergava na superfície comercial onde me desloquei anteontem conseguiu avivar-me a memória quanto ao uso eficaz dos ditos e transportar-me para o interior do Renault 5 onde por diversas vezes tratei de outra actividade gratificante, livrar a minha companhia do calor incómodo provocado em certas situações pela peça de vestuário. Essa e outras.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

36 horas (II)

Chegados ao hotel quase correram até ao quarto, onde trocaram o longo beijo de reencontro que calavam. Mas de seguida, recuperando o ritual já antigo, Lígia agarrou no saco grande que trazia e refugiou-se na casa de banho. Vasco abriu igualmente o seu saco das surpresas e retirou um casaco impermeável de bombeiro e o capacete respectivo, que tinha pedido emprestados a um amigo de infância e que envergou depois de se ter despido por completo. Ligou o portátil e deixou que os Doors ecoassem pelo quarto, sincronizando “Light my fire” com o preciso momento em que Lígia entrava no quarto, de botas de saltos altíssimos, lingerie vermelha fogo e uma écharpe negra à volta do pescoço, cobrindo desafiadoramente os seios desenvolvidos. Contendo com dificuldade o riso, a rapariga balbuciou “Sr. Bombeiro, estou em chamas, venha apagar-me este fogo que me consome”. Amaram-se demoradamente até que o sono os venceu, sabendo que o dia seguinte seria longo e começaria cedo.

Lígia despertou à hora do costume, pouco antes das sete da manhã, tendo Vasco acordado logo que a pressentiu desperta. Abriu o reposteiro, deixando entrar o sol, e foi vestir os calções de banho sabendo que a lembrança da piscina interior deserta levaria a companheira a saltar da cama. Dirigiram-se à piscina e brincaram na água, atiçando-se mutuamente como adolescentes a aproveitar a ausência de outros hóspedes. Sentindo os estômagos vazios voltaram ao quarto, tomaram um duche rápido e dirigiram-se à sala para tomar o pequeno-almoço. A manhã foi dedicada à exploração das imediações do hotel, incluindo a vila próxima, por cujas ruas deambularam demoradamente, visitando a igreja, o museu e os jardins. Escolheram um dos restaurantes por onde tinham passado para o almoço, sabendo que regressariam ao hotel para uma tarde que se previa tão relaxante quanto intensa. O vinho branco escolhido tinha já contribuído para o estado descontraído, embora potenciasse a vontade de se terem novamente. Mas antes ainda teriam a massagem a dois, ministrada por um casal jovem e simpático, ele nela e ela nele. Num ambiente de penumbra, com o ruído abafado da água a cair numa cascata artificial na sala e música de Enya, com uma mistura de aromas suaves e estimulantes. As mãos de pena nas costas de Vasco deixavam-no num estado dificilmente disfarçável de satisfação, enquanto os toques firmes em Lígia a deixavam num estado de alta tensão eléctrica. Quando terminaram, mal se conseguindo equilibrar nas pernas, dirigiram-se ao banho turco, que encontraram vazio para gáudio de ambos. Sentando-se um em cada extremo do banco corrido deixaram que os pés começassem o trabalho que os olhos suplicavam. Lígia desfez-se da parte superior do bikini, imediatamente substituído pelo pé livre de Vasco. Não necessitavam de muitas carícias para atingir o clímax que sentiam à flor da pele, num gesto tão rápido quanto o permitido pela atmosfera tórrida e húmida, Vasco sentou Lígia sobre as suas pernas, vigiando de soslaio a entrada da porta. Ela puxou-lhe os calções para baixo apenas o suficiente para libertar o membro que ameaçava furar o tecido, desviou o pouco pano que a cobria e deixou-se escorregar lentamente sobre ele, completamente fora de si com o pensamento de que alguém poderia entrar a qualquer momento. A invasão da língua de Vasco na boca dela foi a gota final para despoletar o inevitável e cravou as suas unhas nas costas do companheiro sabendo que ficariam marcadas, enquanto se debatia furiosamente de encontro às suas pernas. Quando diminuiu a intensidade dos movimentos foi a vez de Vasco erguer o rabo, em várias estocadas que a levantavam como se estivesse montada num touro num rodeo americano. Ainda estava sobre ele quando se ouviram risos e vozes em aproximação do lado exterior da porta, dando-lhe tempo apenas para cobrir os seios com o bikini encharcado.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

36 horas (I)

Chamavam-lhes as loucas 36 horas. Quando conseguiam conciliar agendas o programa começava já tarde, no final dos dias de sexta-feira. Vasco saía do escritório já depois das 10, passava por casa para tomar um duche rápido, parava ao balcão do Capa Negra para engolir três rissóis e um fino, que complementava com dois cafés para o manter desperto na auto-estrada. Girava a chave do Giulietta, fazendo roncar suavemente o potente motor do carro do trevo verde e rumava a sul, sabendo que o pouco trânsito da hora adiantada e os 235 cavalos da máquina vermelha, único carro ao qual consentiria a cor, tirando os inatingíveis Ferrari, o levariam até às portas da capital em pouco menos de duas horas.

Lígia, por seu turno, preparava minuciosamente o cenário para mais um dos guiões em que se tornavam peritos. Não sabia onde acabaria a noite, não quando ele vinha de norte, chegaria a sua vez de o planear, sabia que alguma surpresa ele traria e tinha que o surpreender à altura. Ambos fanáticos por pormenores, não descurava os mínimos detalhes que a faziam ansiar por cada nova aventura.

Vasco chegou ao Carregado e deu um toque para o telemóvel de Lígia, sinal de que estava perto. Parou no local combinado e esperou apenas o tempo suficiente para fazer desaparecer a papelada que juntava no banco do lado direito. Viu-a sair do seu carro, abriu a porta e guardou na bagageira o saco da rapariga, enquanto lhe mergulhava o nariz nos cabelos longos e aspirava o aroma suave do champô, misturado com o perfume escolhido para a noite. Sabia o efeito que a sua inspiração profunda provocava.

Atravessaram a ponte para sul comentando a troca de mensagens dos últimos dias e Vasco deixou escorregar a sua mão até ao joelho de Lígia, aproveitando a subida intencional e provocante do vestido de malha na posição de sentada. Tinha uns clássicos collants pretos, adivinhando a fraca impressão que as modas recentes imprimiam no condutor. Vasco subia a mão em círculos, ao ritmo da música dos Doors que ainda restava do percurso a solo. Quando chegou ao ponto mais elevado do caminho dos dedos, Lígia aconchegou-se no banco de couro com o símbolo no topo, levou a mão ao leitor múltiplo de CDs, sabendo que do quatro ao seis haveria alguns dos seus preferidos, seleccionou o quatro e descontraiu-se completamente quando Sade fez ecoar “Jezebel” pelo automóvel. Vasco seguia agora dentro dos limites de velocidade, minimizando os efeitos da distracção, e iniciou movimentos circulares com o dedo médio, lentamente, esperando pela altura em que Lígia tomaria o controlo dos acontecimentos e ele teria apenas que a ir contrariando de vez em quando, prolongando o jogo. Ela abria agora ligeiramente as pernas, levantando os braços e passando as mãos por cima dos mamilos que já se faziam notar sob a malha. Rapidamente passou a controlar os seus próprios movimentos, mostrando-lhe qual a zona onde pretendia ser estimulada. Sabendo que o caminho não deveria terminar tão cedo, fez prolongar o seu prazer como se estivesse só, mas com a vantagem de ter ao seu lado quem gostava de a sentir molhada e excitada e apreciava toda a beleza do momento. Quando já não aguentava mais enfiou a sua mão nas calças de Vasco e deixou que o toque na erecção que sabia estar ali potenciasse o seu orgasmo.

Aproveitaram o restante percurso até ao hotel para ouvir a música, num silêncio feito de mensagens telepáticas que prometiam muito mais acção nas horas seguintes.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Do deslumbramento

Olho o teu corpo de contornos suaves e voluptuosos através do reflexo devolvido pelo espelho redondo do tecto, a tua pele morena, já recuperada das carícias longas e quentes do sol do verão em vias de esquecimento, esse sol que invejo por lhe teres permitido tão prolongado deleite, os teus joelhos levemente flectidos em pose de modelo renascentista ante os olhos dos pintores flamengos de vida boémia, os braços ainda conformados no arco de êxtase com que rodearam os meus ombros, teus olhos escuros e expressivos irradiando uma luz intensa tal qual a luz negra que realça os brancos na escuridão profunda, o teu sorriso travesso e provocante a lembrar que o descanso é apenas o estritamente necessário até ao próximo assalto. Derreto-me, estarreço-me, esforço-me por manter viva a imagem, mesmo sabendo que a recordação que guardarei a partir desse momento nunca será mais do que um efémero resquício do deslumbramento desses minutos.

Lendo-me o pensamento, levantas-te e fazes questão de passear pelo quarto em passo lento mas firme, de negra cabeleira sobre os ombros, olhar longe do meu, ombros levantados e em esquadria perfeita, deixando-me rendido, prostrado, boquiaberto com tal pose de beleza feminina.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Arma de devoração maciça




Prendeu-o entre os dentes enquanto se aproximava do pescoço de pele luzidia, já desnudado dos longos cabelos negros, que o desafiava a demoradas e insinuantes carícias. Aproximou-se a menos de um centímetro de distância e expirou suavemente um sopro que refrescava em contacto com a superfície gelada do líquido habitual, por agora em estado sólido. Sentiu um gemido leve e iniciou o movimento lento, semi-circular, ao longo do rebordo de intersecção com o troco, de um ombro até ao outro.

Deixou que uma ou duas gotas pingassem na depressão traqueal e iniciou uma linha, agora em contacto de pena de andorinha, até ao vale dos montes gémeos, contornando a base do lado direito, já em oscilação crescente. Levantou o lápis de água e esperou que uma gota se desprendesse em direcção ao pináculo escuro que já se erguia na antevisão do arrepio refrescante. Como sempre se pautou por uma conduta de equilíbrios, dirigiu a massa arrefecida para a vertical do pináculo adjacente e deixou tombar uma nova gota.

Regressou aos trajectos rectos e iniciou novo vagaroso percurso entre a base das elevações e a pequena cratera meteorítica que guarda a entrada da descida vertiginosa para o centro do luxuriante planeta das emoções. Decidiu deixar repousar o sólido no cálice improvisado, despertando de imediato um gemido mais intenso, e matou a sede com lábios hipotérmicos nos mamilos cada vez mais eriçados. Não te mexas senão perde-se o mágico, sussurrou-lhe. Regressou ao centro e resgatou o cristal cada vez mais pequeno, continuou a recta num percurso descendente cada vez mais inclinado e curvou agora à esquerda para nova linha de intersecção, por onde deixou escorrer mais alguma da massa em transição de estado.

Procurou o centro, aproximou-se da pele mais rosada e voltou a arrefecer o sopro de encontro à superfície em frente, sentindo o fervor que aumentava de intensidade. Continuou a brisa fresca até que a impaciência venceu e sentiu a superfície quente e húmida de encontro aos seus lábios. Deixou que a massa gelada rolasse entre a sua língua e os outros lábios, forçou o cristal para que subisse e descesse repetidamente no cone que refrescava, agradava-lhe particularmente a visão do desaparecimento e subsequente regresso à sua boca, hiato que aproveitava para passar a língua gelada no extremo superior da abertura. Os movimentos tornavam-se frenéticos, o frio percorria toda a extensão da zona em ebulição, num gesto repentino agarrou no que restava entre os dedos e fê-lo subir pelo pequeno círculo até então alheado da brincadeira, provocando o desaparecimento da arma de devoração maciça no preciso momento que os gemidos passaram a gritos abafados.