Mostrar mensagens com a etiqueta Tornei-me azedo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tornei-me azedo. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Das sentenças


Foram quatro. Talvez seja a moda dos jogos com tiros, não são pessoas, não são gente, são apenas figuras que temos que matar para ganhar o jogo. Mas não tem história, a da televisão, as poucas palavras que se foram sabendo, para passar horas e dias e noites a jogar contra um chinês virtual, já o do Pinhão talvez tivesse, duas miúdas de vinte e poucos anos, será alucinação, serão filmes a mais que idolatram a personalidade e nos fazem donos da verdade, será a ambição que gente que é gente tem carros de luxo e come em restaurantes com estrelas e vai de férias para um paraíso nas Maldivas. Eram a ex-mulher e os pais e o filho dela que não dele, que palavras possam ter dito, que atos possam ter praticado que o levassem a descarregar duas armas, a julgar pelos ditos, a deixar o filho que tinha com a falecida sem mãe, sem avós maternos e com um pai que não o ajudará nem que seja nas escolhas nas encruzilhadas e a quem provavelmente nunca perdoará o ato insano que cometeu. E o repetir destas situações, afinal se calhar estamos atrás daqueles que decapitam jornalistas e militares, lá longe, no que toca ao desenvolvimento humano, para lá caminhamos em vez de aceitar que uma sociedade se faz de regras e só o seu cumprimento permitirá o bem comum. Que merda é essa do bem comum, isso são histórias de meninos e padres na missa e candidatos a primeiro-ministro. Que dúvida pode assaltar quem vai julgar sobre a pena a aplicar, quem com ferros mata com ferros morre, o que justifica alimentá-lo e prestar-lhe cuidados de saúde e dar-lhe uma televisão de écran plano e uma cela individual e depois mandá-lo embora passados dez ou quinze anos por bom comportamento, reabilitado para uma vida que lhe passou à frente e o deixará a atormentar a vida dos poucos que lhe venham a deitar uma mão, quiçá por vergonha, quiçá porque ainda há boas pessoas que não merecem as provações por que passam às mãos de quem não vale o ar que respira.