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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Salada grega

É melhor do que uma novela da TVI. Nessas, até a minha filha adolescente é capaz de adivinhar o que se vai passar a seguir, na Grécia tudo é completamente inesperado, nem os comentadores de fim de semana acertam um único palpite.

Se há uns dias pensava que o referendo seria o desempate por pontapés da marca da grande penalidade agora acho que, a realizar-se, será apenas mais um pequeno capítulo de uma trama que parece estar para lavar e durar. De volta às novelas, está naquela fase em que são anunciados os últimos capítulos, o que se faz quando ainda faltam uns três meses para acabar. À escala grega isso equivale aí a umas três décadas.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A rotunda

Sonhei que estava numa rotunda, uma assim grande tipo L'Étoile, e que pretendia percorrer metade dela e sair na mesma direção em que tinha entrado. Percorri os cento e oitenta graus e preparava-me para sair quando me deparei com um sinal de sentido proibido descomunal mesmo à entrada da rua. Fiquei surpreso, já que no meu percurso não constavam caminhos proibidos, mas segui até à próxima saída. Faço um pequeno desvio, pensei, atrasar-me-á o percurso mas chegarei ao destino na mesma. Presto-me para sair na próxima rua e qual não é a minha surpresa quando dou de caras com outro sinal vermelho com um retângulo branco horizontal no centro. Que raio, começo a ficar irritado, então e agora? Continuo a circular no trânsito infernal, os condutores esbracejam, gritam de janela aberta e tocam as buzinas furiosamente, tento sair na próxima e na seguinte e todas estão marcadas com o sinal, chegam mais carros que entram e não podem sair. Espera, pensei, é só um pesadelo, vais acordar e está tudo bem.

Acordei. Tomei o meu duche, vesti-me, tomei o pequeno almoço, calcei-me e abri a porta para sair. Começo a ouvir as buzinas e os gritos. Saio à rua e estou no meio da rotunda.


Acordei no local errado ou o código não serve para o fim a que se destina?

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A paixão à portuguesa

Bastava ter ganho os dois jogos a Israel. No final das contas, até chegava ter vencido um deles. Dito de outra forma, era suficiente uma única das três acelerações de ontem do Cristiano para ter resolvido tranquilamente a questão da qualificação. Não haveria mais dois jogos, teria sido mais limpo e menos emotivo.

Mas isso seria como aqueles casamentos do tipo olá querido, correu bem o teu dia, correu muito bem então e o teu, o meu também correu bem, liga a televisão para vermos as notícias. Nós, portugueses, não somos nada disso, se mais provas fossem necessárias juntar à inevitabilidade dos play-offs para a coesão nacional, cá temos a nova cruzada de fazer de conta que recuperamos a independência nacional no dia em que os ditadores do orçamento forem embora. Curiosamente, o calendário é um cabrão sádico, isso acontecerá precisamente por altura do campeonato para o qual finalmente nos qualificámos, pelo que São Cristiano terá nos pés a capacidade de dar ao governo a paz necessária para negociar o famoso programa cautelar que garantirá, novamente, a ausência de responsáveis nacionais pelas políticas de austeridade. O que, convenhamos, representa a única forma de ter uma direção política definida.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Cá está ela!

Tive acesso, em primeira mão, ao guião da reforma do estado. Sim, sou bem relacionado. Reza assim:

  1. O estado, na sua versão atual nascido a 25 de Abril de 1974, tem 39 anos de idade. Como tal faltam-lhe ainda 27 anos para a aposentação, a manter-se até lá a idade legal atualmente em discussão. Daqui se conclui que o estado não tem direito a reforma tão cedo.
  2. Os pais do estado atual foram perseguidos, presos e amordaçados pelo anterior, o então novo. Agora, como forma de compensação pelo que passaram, este estado manter-lhes-á as compensações que entenderam justas, ainda que quem se mantém a trabalhar não tenha condições de gerar os recursos necessários. Aplica-se esta condição com especial prioridade a quem teve nas mãos os destinos do país.
  3. A viúva do estado falecido, por coincidência, no mesmo dia do nascimento do atual, então designado por novo, Srª Dª Ditadura dos Santos, não obstante ter residência fixada na maior das ex-colónias africanas, beneficiará de um regime de exceção que lhe permitirá ficar isenta do corte na acumulação de pensões, recentemente anunciado.

Cumpre-se, assim, sem margem para dúvidas, mais uma das tarefas hercúleas que o atual governo tem em mãos.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Da má educação

Fui enganado. Tenho que o admitir e confesso-o aqui publicamente. E deixei-me enganar por duas vezes. Acreditava, na altura, que as maiorias de partido único constituíam a única forma de levar à prática um trabalho com princípio, meio e fim. Depois deste infeliz exemplo e da experiência adquirida ao longo destes anos que já começam a tornar-se muitos, chego à conclusão de que quem nos governa é míope por definição da profissão, por isso trabalhos com horizonte para cumprir só poderão ser levados a cabo por via de pessoas e entidades exteriores à coisa pública. A não ser que a profissão volte a ser atrativa para quem tem essa capacidade, do que duvido para as próximas décadas.


Voltando ao engano, pergunto-me como pude ser tão ingénuo e deixar-me ir na conversa de quem parecia ter certezas sobre tudo e encontrava sempre os argumentos mais contundentes para justificar cada passo dado em frente, na direção do abismo que agora reveste a forma de poço sem fundo. As árvores não crescem até ao céu, dizia quem tinha a sapiência da experiência. Mas aquilo que me deixa, agora, profundamente angustiado é ouvir a mesma pessoa justificar os seus atos com a mesma certeza que então demonstrava e reafirmar que o caminho era o correto e que agora tudo seria diferente se o tivessem deixado terminar a tarefa. E que quem o impediu foi um alargado bando de malfeitores em conluio, inclusivamente quem ele escolheu para o acompanhar. Lembra o famoso ministro iraquiano, quando já tinha os americanos à porta. Com uma diferença, é que este senhor pode voltar num dia mau para a história.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Lembrando o rei de Espanha

Tenho um grande respeito, cada vez maior, pelos idosos. Quando penso que as sociedades que ainda se regem por leis tribais confiam os seus destinos aos mais velhos, penso que todos poderíamos beneficiar se essa regra fosse adaptada ao governo dos países ditos democráticos, que cada vez mais tendem a desprezar a sabedoria de quem já passou por quase tudo na vida e sabe prever nas palavras e atitudes dos mais novos as suas verdadeiras intenções. Naturalmente, há gente nova com enorme capacidade e maior motivação para dirigir, mas cada vez é mais difícil conseguir escolher essas pessoas dentre um numeroso grupo que utiliza técnicas cada vez mais sofisticadas para se fazer sobressair, apenas pela vontade de ser conhecido a todo o custo.

Voltando aos idosos, aprecio neles a qualidade da discrição, muitos sabem exatamente o que se passa no mundo que os rodeia, seja na esfera familiar ou no universo mais alargado do público, mas mantém-se calados até que alguém lhes peça ajuda. Já me entristece quando vejo que há outros, que até tiveram papéis muito relevantes à escala das nações, onde granjearam respeito e admiração, que tentam usar os seus créditos em prol de objetivos sectários, quiçá até pessoais, fazendo afirmações de grande exagero e a roçar o ridículo. E eu fico hesitante entre a falta de lucidez que me custa admitir em quem tanto tempo se mostrou muito perspicaz e a tentativa de subverter um sistema apenas porque se deixou se fazer parte dele. Seja qual for a razão, fico incomodado.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Até oiço a música no ar

Falta um ano e meio para reviver, durante aí uns bons dois meses, o sentimento de esperança e prosperidade que se seguiu às grandes arruadas dos meados da década de setenta. Acabarão os cortes nas pensões, o desemprego e o IVA na restauração. Depois virá o dia seguinte e os maus de agora acusarão os novos maus, enquanto o forem, de terem faltado à verdade. Toda a gente sabe disto. Porque que é que se finge que não?