O Nordkaap, La Tierra del Fuego,
és um cromo das obsessões geográficas, a Aurora Boreal, e dos fenómenos
naturais, a Muralha da China, Machu Pichú, e dos calhaus inúteis e erodidos, és
um teso, vais deixar tudo para quando já não terás forças e a memória for um
farrapo e cada imagem se desvanecerá passados dois dias, pois é, mas no país já
não há muitos mais marcos a assinalar e muitos dos pormenores continuam bem
presentes e a Muralha de Adriano aos vinte anos e as capitais, e os miúdos dizem na escola
que já lá estiveram a cada imagem dos livros de história e geografia, certo que
só falam de cá e dos países mais próximos mas são poucos os colegas que também.
E assim queira o destino e me mantenha as pernas para pedalar e os braços para
nadar e não serão cinquenta quilómetros diários que me impedirão de montar nela
e correr mundo, literalmente, que com esta idade se algum dia tivesse que ter o
juízo de que sempre ouvi falar já o teria, que não ganharei outro daqui para a
frente.
Fechei os olhos e inspirei o ar fresco trazido pelo vento. Fi-lo sempre que precisava de me encontrar, até que, de olhos fechados e pensamento vagueante, senti-a, forte, intensa, despertadora da realidade que me recusava a admitir: a chapada cruel do défice.
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quinta-feira, 7 de maio de 2015
terça-feira, 28 de abril de 2015
Pensamentos bons
Estão ali os vasos com a sementeira das petúnias, a
terra por cima está a ficar seca, que caralho vou eu fazer se lhes deito água e
chove ficam encharcadas e as folhinhas começam a boiar, se não rego e não chove
ficam secas e já acho que me vão desaparecer todas, isto de andar a comprar
sementes no supermercado é o que dá, bem fizeste em comprar as dos pepinos e
dos tomates no Grémio, por falar nisso estão a ficar grandes, os rebentos dos
pepinos, está a ficar na altura de os mudares para o canteiro, tens medo que os
caracóis ou as lesmas ou que raio de bicharada anda por lá os comam mas não
tens alternativa, mete lá uns quantos rebentos e logo vês. Uma estufa ali é que
ficava bem, mas o jardim ou quintal ou horta ou lá o que seja é tão pequeno que
ocupava metade daquilo e já sabes que a patroa, se sabe que lhe chamas isso
atira-te com o vaso das petúnias em crescimento à testa, é contra, que fica mal
e depois quando fores fazer o churrasco não tens onde sentar as pessoas, que
umas almofadas para pousar por cima do murete de pedra é que ficam bem, depois
calcam-me os canteiros e lá vai o projeto de mandar isto tudo à merda e passar
a cultivar tomates e pepinos e feijão verde e as favas que ficaram por semear
este ano. Entretanto a relva está a crescer e também crescem as ervas daninhas
e todos o tipo de fetos e sei lá mais o quê e os testes da catraia que são
todas as semanas e quero manter o bom hábito de rever a matéria, uma horita que
seja para cada teste e na sexta feira se a malta for andar todo o dia eu também
quero ir, se apanhar o empeno no regresso hei-de acabar por chegar mas quero
manter o bom hábito de ir a Fátima uma vez por ano, qual promessa qual caralho,
é sinal que continuo a ter pernas e me mantenho a andar com a regularidade
suficiente para aguentar a estafa, olha o homem que ia connosco no domingo,
setenta e quatro anos e lá fazia as subidas mais devagar mas chegava lá acima e
a rolar ninguém tinha que esperar por ele e ontem ia para Viana depois do
noventa do dia anterior, eu tinha que chegar aos cem e lá fui dar mais uma voltinha.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Para naum cair asiono os travoins e a bicicleta pahra
Tivese eu mais nada que
fazer e divertir me ia a provar que a lihngua portugueza naum presiza de mais
do que vinte e tries letras para que todas as palavras posam ser escritas sem
quaisquer duhvidas quanto ao seu significado. E ainda retiraria os sies
sedilhados, o duplo hese e todos os asentos grahficos. E tambeim tentaria
acabar com situasoins que me paresem duvidozas, como o uzo do sie como hese
antes dos is e dos es. E o uzo do hese como zie, em prejuhijo deste. O agah
teria um forte incremento de uzo, jah que pasaria a asentuar palavras
esdruhxulas e agudas.
Alehm disto ainda reporia
formas de distinsaum de outras palavras que jah foram abolidas em acordos
anteriores, como puarto, local de abrigo de embarcasoins, e porto, forma verbal
do verbo portar. E cuar, colorasaum, diferente de cor, falar sem recurso a
auxihlio escrito. Embora alterando a forma de escrita da sidade invicta para
Puarto, em conformidade com a palavra asima escrita, manter lhe ia a letra
maihuscula, tal como aos restantes nomes prohprios.
Jah sei que haverah outras
situasoins que naum tardaraum a apontar me, mas acredito que delas posa dar boa
conta em favor desta causa.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Cá está ela!
Tive acesso, em primeira mão, ao
guião da reforma do estado. Sim, sou bem relacionado. Reza assim:
- O estado, na sua versão atual nascido a 25 de Abril de 1974, tem 39 anos de idade. Como tal faltam-lhe ainda 27 anos para a aposentação, a manter-se até lá a idade legal atualmente em discussão. Daqui se conclui que o estado não tem direito a reforma tão cedo.
- Os pais do estado atual foram perseguidos, presos e amordaçados pelo anterior, o então novo. Agora, como forma de compensação pelo que passaram, este estado manter-lhes-á as compensações que entenderam justas, ainda que quem se mantém a trabalhar não tenha condições de gerar os recursos necessários. Aplica-se esta condição com especial prioridade a quem teve nas mãos os destinos do país.
- A viúva do estado falecido, por coincidência, no mesmo dia do nascimento do atual, então designado por novo, Srª Dª Ditadura dos Santos, não obstante ter residência fixada na maior das ex-colónias africanas, beneficiará de um regime de exceção que lhe permitirá ficar isenta do corte na acumulação de pensões, recentemente anunciado.
Cumpre-se, assim, sem margem para
dúvidas, mais uma das tarefas hercúleas que o atual governo tem em mãos.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Os olhos também comem
O desejo tem essa caraterística
deliciosa de tornar a visão de alguém ou algo que tão bem conhecemos num prazer
semelhante ao sentido da primeira vez que essa experiência foi vivenciada. Pode
ser uma pessoa, um animal, uma paisagem, um alimento, um objeto. Pode ser uma
parte do corpo humano que esteja geralmente oculta. Cuja visão desperte na
mente de quem olha uma reação de apreço, demonstrada por um brilho no olhar, um
suspiro, a aceleração da respiração como resposta ao aumento do ritmo cardíaco.
Mas realmente belo é sentir que
quem nos olha como se da primeira vez, quem procura o físico escondido e se
vai, lentamente, passo a passo, aproximando do objetivo ocular, quem liberta
finalmente aquilo que se engrandece sob a expetativa de vislumbrar no rosto da
exploradora algum pequeno traço revelador da sua satisfação, quem nos vê, demonstra que o que vê corresponde ao que esperava e lhe incute um impulso
irreprimível de passar à prática o que na sua mente se desenhava durante o
percurso até então realizado.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
O verdadeiro culpado
Por cá só se ouve o click click dos ratos de alguns computadores. Nem os telefones tocam. Acho que o país está parado à espera do sol.
Esta tese merece reflexão profunda e pode facilmente tornar-se na alavanca de inovação potenciadora da onda crescente, retumbante e imparável de confiança, empenho e produtividade que nos devolverá à liderança incontestável dos destinos do planeta.
Se o estado do tempo for unanimemente eleito como o verdadeiro culpado da crise então está terá fim à vista e após a chegada do sol e do calor os políticos unirão as mãos apenas pelo tempo suficiente para soltar um grito de felicidade, agarrando de seguida nas enxadas e correndo para os campos para plantar as batatas, atrasadas pela terra encharcada. Os jornalistas deixarão de fazer perguntas parvas e correrão a conduzir os rebanhos para os pastos e os comentadores políticos, classe mais despontante do que cogumelos em dias quentes e húmidos, limparão as matas e recolherão biomassa suficiente para a produção de energia renovável para todo o país.
O tempo escuro e frio é terrível, voltei a adormecer depois do despertador tocar.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
E as férias ainda tão longe
"Play it again, Sam" e "We'll always have Paris" são frases de gente que se pretende fazer passar por culta mas vê o filme como os japoneses visitam monumentos em Itália.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Swimmimg pool update
Acordei com uma pontada no pescoço, assim aqui do lado esquerdo, que aumenta quando inclino a cabeça para a direita. Também dói quando a rodo para a esquerda, o que é chato quando tenho que prestar atenção ao trânsito desse lado.
Mas não era disso que eu queria falar, mas sim confirmar que fui 55 segundos mais rápido do que na terça-feira. E, não obstante a dita pontada, fui 9 segundos mais rápido do que na semana passada. Não fora a lesão e tinha cumprido o objetivo de baixar dos 45 minutos.
E como imagino o teor de alguns dos comentários, mato já duas coelhas: sim, é uma desculpa esfarrapada e sim, não havia uma única nadadora na piscina.
Mas não era disso que eu queria falar, mas sim confirmar que fui 55 segundos mais rápido do que na terça-feira. E, não obstante a dita pontada, fui 9 segundos mais rápido do que na semana passada. Não fora a lesão e tinha cumprido o objetivo de baixar dos 45 minutos.
E como imagino o teor de alguns dos comentários, mato já duas coelhas: sim, é uma desculpa esfarrapada e sim, não havia uma única nadadora na piscina.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Pensamentos profundos na prática de condução solitária
A Popota cagalhota está incontinente.
É uma estreia neste tipo de frases lapidares, deve ser de seguir uma certa pessoa que se sai frequentemente com preciosidades deste tipo.
É uma estreia neste tipo de frases lapidares, deve ser de seguir uma certa pessoa que se sai frequentemente com preciosidades deste tipo.
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