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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Conversas no monte

"- Os halterofilistas Ucranianos masturbam-se e bebem o seu próprio sémen antes das provas. (As palavras não foram rigorosamente estas, uma dúzia de homens no monte excitados pelos saltos e exaustos pela subida ao radar usam uma linguagem um pouco diferente).

- Isso não faz sentido. Se já veio de dentro porque é que foi lá parar outra vez?"

Porque é que se trocam horas de sono e lazer para ouvir e dizer disparates destes? Porque estes raros momentos de insanidade mental são uma ótima forma de enfrentar os assuntos sérios da semana seguinte.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Das estradas


Tivesse eu a possibilidade de fazer apenas o que me dá na real gana, como aconteceu durante a adolescência e uma parte do início da vida adulta, e agarrava na bicicleta e percorria o país inteiro durante umas boas três semanas. Já tive uma fase de muita estrada de carro, já tive outra fase de querer ver outras paragens garantindo o meu próprio sustento durante a estadia fora de portas. Neste momento gostava de percorrer as vilas deste país e as estradas que as ligam com lentidão e sem outra produção de dióxido de carbono que não a da minha própria respiração.

Sendo independente e autónomo pergunto-me por que razão não conseguiria viver emocionalmente sozinho. Quando entro numa estrada não me contento sem lhe chegar ao fim. Quando uma mulher bonita me deixa entrar no mais fundo da sua cabecinha, tenho que saber o que se esconde para lá de cada curva, numa viagem sem fim à vista. Felizmente conheço poucas mulheres que escondam frondosas paisagens floridas e coloridas para lá da fronteira que o meu passaporte permitiu transpor.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O verdadeiro culpado

Por cá só se ouve o click click dos ratos de alguns computadores. Nem os telefones tocam. Acho que o país está parado à espera do sol.

Esta tese merece reflexão profunda e pode facilmente tornar-se na alavanca de inovação potenciadora da onda crescente, retumbante e imparável de confiança, empenho e produtividade que nos devolverá à liderança incontestável dos destinos do planeta.

Se o estado do tempo for unanimemente eleito como o verdadeiro culpado da crise então está terá fim à vista e após a chegada do sol e do calor os políticos unirão as mãos apenas pelo tempo suficiente para soltar um grito de felicidade, agarrando de seguida nas enxadas e correndo para os campos para plantar as batatas, atrasadas pela terra encharcada. Os jornalistas deixarão de fazer perguntas parvas e correrão a conduzir os rebanhos para os pastos e os comentadores políticos, classe mais despontante do que cogumelos em dias quentes e húmidos, limparão as matas e recolherão biomassa suficiente para a produção de energia renovável para todo o país.

O tempo escuro e frio é terrível, voltei a adormecer depois do despertador tocar.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Falar de barriga cheia

Estava com muita vontade de ir de férias, muito porque já não as fazia desde o verão passado, falhando os tradicionais períodos do Natal e Páscoa. Talvez por essa razão tenha acedido a ficar no mesmo local mais de uma semana, algo que raramente se tinha passado e que vai frontalmente contra o meu espírito reconhecidamente nómada. O plano inicial previa uma deslocação ao país vizinho, que teria aproveitado certamente para acrescentar mais dois ou três locais ainda não visitados ao imaginário mapa alfinetado. Mas uma intervenção do mais mediático comentador da nossa praça apelando ao dispêndio dos gastos de férias em terras nacionais acabou, este ano e por reconhecimento da gravidade da situação económica geral, por fazer alterar os planos. Isso e um convite para três dias consecutivos e intensos de pedalada, com final num local próximo de um outro onde é habitual passar uns dias.

Os dias de pedalada chegaram, foram divertidos e interessantes mas passaram depressa. Depois foram quase duas semanas de rotina de praia, com piada nos primeiros dias mas sabor a pouco a partir daí. De maneira que, pela primeira vez desde que me lembro, fiquei com vontade de voltar a casa, prometendo a mim mesmo, mesmo sabendo que depressa disso me esquecerei, que não me volto a meter noutra, nem que tenha que me enfiar num hotel de turistas gordos e ruidosos durante uma semana. O melhor mesmo é começar já a planear as do ano que vem.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Água das pedras da Escócia e chave de parafusos

Dançar durante quatro horas, para quem só o faz porque é algo que dá prazer à pessoa a quem proporcionamos os melhores momentos que conseguimos apenas pelo facto de gostar de a ver feliz, é um feito que roça o extraordinário. Naturalmente, à proeza não foi estranho o nível de etileno que circulava na corrente sanguínea. Há quem raramente beba bebidas alcoólicas, uma francesinha com fino a acompanhar ou um jantar de amigos com um copo de vinho não contam para o campeonato.

Sabendo do efeito benéfico que as substâncias eufóricas legais lhe causam quando ingeridas controladamente, libertando-o da timidez quase apática demonstrada em situações onde a extroversão é recomendável, evita recorrer ao seu uso, quer por considerar que a situação falseia o seu comportamento habitual, quer pelas consequências imediatas, o mau hálito e o quase torpor do dia seguinte. Mas uma vez não são vezes.

E a música até ajudou, dando vontade de regressar a locais onde não põe o pé há mais de uma década, caracterizados por música aos berros e poucas luzes, algumas coloridas.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

E as férias ainda tão longe

"Play it again, Sam" e "We'll always have Paris" são frases de gente que se pretende fazer passar por culta mas vê o filme como os japoneses visitam monumentos em Itália.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Swimmimg pool update

Acordei com uma pontada no pescoço, assim aqui do lado esquerdo, que aumenta quando inclino a cabeça para a direita. Também dói quando a rodo para a esquerda, o que é chato quando tenho que prestar atenção ao trânsito desse lado.

Mas não era disso que eu queria falar, mas sim confirmar que fui 55 segundos mais rápido do que na terça-feira. E, não obstante a dita pontada, fui 9 segundos mais rápido do que na semana passada. Não fora a lesão e tinha cumprido o objetivo de baixar dos 45 minutos.

E como imagino o teor de alguns dos comentários, mato já duas coelhas: sim, é uma desculpa esfarrapada e sim, não havia uma única nadadora na piscina.

terça-feira, 6 de março de 2012

Não me consigo decidir


Ontem ouvi duas notícias, perdão, duas não notícias, que me deixaram indeciso sobre qual seria a mais idiota. Alguém me quer dar uma mão?

Primeiro foi a suposta polémica sobre as audiências. Uma vez ouvi uma explicação sobre como se fazem as avaliações, diz que colocam um aparelho em casas seleccionadas e sabem por essa via o que as pessoas estão a ver. Ora eu não conheço ninguém que tenha esse zingarelho, nunca ninguém me perguntou o que estou a ver na televisão, por isso concluo que a avaliação dos famosos shares deve ter uma base científica de elevado gabarito. Vir a companhia A dizer que o telejornal da RTP teve ontem uma quota de 20% e depois chegar a companhia B e dizer que foram 30% deve dar azo a pareceres científicos e teses de doutoramento até, pelo menos, ao ano 2078.

Não contentes com isto, ontem outros estudiosos fizeram saber que 40% dos portugueses disseram que não iam passar férias ao estrangeiro este ano. Espera, então isto quer dizer que 60%, números redondos tantos quantos os adeptos do Benfica, vão para o estrangeiro? Apelo desde já ao senhor primeiro-ministro que preste muita atenção a este facto, porque se calhar tem espaço para mais um aumento da dita austeridade, que afinal parece que não o é.

Como se nota, a crise não é só na economia.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Linguagem de ciclista

"Vai devagar que vem aí uma puuuuuuuuutaaaaa!"

Não, não são senhoras que enveredaram pelo difícil caminho da profissão fácil, muito embora também ainda as haja em locais ermos e improváveis. No calor da pedalada, que facilmente deixa para trás as manhãs frias de Janeiro, o emprego do calão vernáculo refere-se a uma subida íngreme e paciente, numa relação baixa, a velocidade quase de passo.

E, no contexto, relação baixa quer dizer uma combinação em que o diâmetro da cremalheira é quase igual ao do carreto.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Pensamentos profundos na prática de condução solitária

A Popota cagalhota está incontinente.

É uma estreia neste tipo de frases lapidares, deve ser de seguir uma certa pessoa que se sai frequentemente com preciosidades deste tipo.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Finalmente uma nova música de Natal

Esta é a época do ano que me deixa mais irritadiço, é a silly season do Inverno, bem pior do que a de Verão porque nessa desloco-me para um local quase deserto e transformo os meus dias em banhos de tranquilidade, verde e mar. Ou afogo-me em estrada e pedras velhas e fotografias sem máquina.

Mas este ano estou bem menos tenso, parece que a crise teve o efeito perverso de limitar as luzinhas imbecis a piscar, os bonecos insufláveis por fora das janelas e as musiquinhas idiotas repetidas até à exaustão ano após ano, como se as crianças que fizeram parte do Coro de Santo Amaro de Oeiras fossem obrigadas, como castigo, a ouvir as suas vozes até ao dia em que disserem aos netos que faziam parte do grupo que nos entra em casa, sem pedir licença, todos os dias durante um mês inteiro em cada ano.

A este propósito não posso deixar de enaltecer a música de Natal do MEO Go, um prodígio de imaginação, orquestração e dotes vocais das crianças, quiçá algumas descendentes do grupo acima referido, e a prova de que há gente muito mais habilitada para compor poemas musicais do que alguns cantores que se intitulam autores, e nem me atrevo a escrever a novel palavra que alguém desencantou para os designar, que pululam pelo nosso reduzido universo musical.

Eu, que não tenho nada a ver com a Meo e até sou assinante da concorrência há longos anos, sorrio todos os dias ao ouvir a peça do Gato Fedorento, dignos sucessores do grande mestre Herman José, a quem reconheço um enorme talento e a falta de coragem para ter parado no momento certo.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Help x 2

Preciso de ajuda para matar dois escaravelhos, ou baratas, ou bichos de aspecto primitivo com muitas patas. O primeiro é a formatação dos textos, apesar de ser um tipo cinzentão que compra carros porque a mecânica é fiável e evoluída enquanto o desenho da máquina não importa para nada, gosto de ver as margens dos textos alinhadas à esquerda e à direita, portanto sem tendência para nenhum dos lados. Acontece que esta nova formatação do blogas só me deixa alinhar à esquerda, o que até vai contra a tendência portuguesa e europeia mais recente. Alguém consegue justificar os seus textos?

Outra cena é a necessidade de inserir as letrinhas chatas, ainda por cima tortas como se tivessem estado numa grande noitada e continuassem em coma alcoólico, que me foi relatada pela minha leitora mais impaciente, ameaçando inclusivamente de virar costas e nem olhar para trás. Por favor confirmem que já não há essa necessidade ou, em caso negativo, como desactivar o raio da opção.

Bem hajam!

P.S. (não me refiro ao partido da esquerda, hannnnn, direita, hannnn, centro, haannn, nem eles sabem) Depois de escrever isto consegui formatar as margens. Mas não vou apagar o que escrevi, que até me pareceu ter saído jeitosinho.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Aquilo que me custa


Não é olhar para os teus olhos verdes imensos, aqueles que de tanto brilharem em dias de sol intenso me deixam rendido e atordoado.

Não é o teu sorriso quente e alegre, quase ingénuo, não fosses sempre tão defensiva, que me desarma e me deixa sem argumentos.

Não é o teu cabelo loiro, ondulado, que imagino espalhado pela almofada em cachos de frescura, onde mergulharia como numa cascata havaiana.

Não é o tom inebriante da tua voz quando respondes evasivamente às minhas provocações, deixando a porta aberta para novas investidas mas lembrando-me sempre que o risco está bem visível.

Tudo isto apenas me tortura.

Aquilo que me custa é, tão somente, nada disto te poder dizer.