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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Senhora da Graça

Foi mais uma aventura. Saída de manhã cedo, não tão cedo quanto o calor previsto aconselhava, pedalada defensiva que o objetivo a isso obrigava. Uma escaramuça a subir à saída de Felgueiras, quando nos juntámos com um outro grupo até à entrada de Fafe e depois a subida da Lameirinha e o planar suave até Mondim. A Senhora lá olhava para nós, ainda fomos até ao início da subida e alguns, que não eu, prosseguiram até à bica. Tivesse quem me trouxesse de volta depois da descida e teria sido desta que lá tinha subido, mas como não tinha outra coisa planeada que o regresso pelo mesmo meio, lá ficou tão desejada subida adiada para melhor dia. Quando cheguei ao final, 190 km depois da partida, eatava com pedalada para tentar a subida, caso ela estivesse à minha frente. Mas isto é como os melões, só depois de abertos se sabe se são doces.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Ainda ferve


Eram os tempos dos Audi Quattro e dos Lancia 037, passavam na rotunda dos Produtos Estrela ao início da noite, a caminho da Póvoa do Varzim. na escola ouvia os tempos dos troços no rádio a pilhas, nos intervalos das aulas. Já antes admirava as fotografias dos Fiat 131 Abarth, enquanto sonhava com a troca do velho 124 da família por um daqueles, mesmo o simples 1300. Pouco depois foi o primeiro sábado em Arganil, saída de madrugada numa carrinha de nove lugares, o inenarrável Woodpeckers from space tocado até à exaustão, o frio de Março e o corpo aquecido pela adrenalina do ruído dos motores em elevada rotação. O passo seguinte, entre as idas à Póvoa para ver a assistência antes do parque fechado, foi a noite passada na descida para Folques, as fogueiras a demarcar o troço, o frio da manhã que deixava poças geladas antes dos ganchos com os precipícios bem perto. Seguiu-se a prova espetáculo no aeródromo de Palmeira e mais tarde as idas a Fafe. Depois vieram os compromissos profissionais e depois os familiares e para o ano é que vai ser, seguir o rali do princípio ao fim. Foi para longe, arrefeceu o entusiasmo.



Agora o centro nevrálgico está à porta de casa, pensava que já tinha passado a febre mas bastou ver os carros com os autocolantes nas portas para ficar com o sangue a ferver. Logo vou ver a chegada da etapa, fraco consolo mas para já será assim. Para o ano é que vai ser.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Da passagem do tempo

Havia um tempo em que tudo era lá longe. No início da caminhada o fim parecia inatingível, as Minas dos Carris eram lá no cimo do monte e a mochila pesava tanto, cada passo parecia o último antes de voltar para trás, o segundo ano do curso parecia intransponível e mesmo que o terminasse havia os outros três que estavam num futuro inalcançável, passam depressa e quando der conta está a olhar para trás e a pensar que foi tão rápido, dizia a doutora da farmácia a olhar para o grelo na pasta, a primeira prestação do empréstimo da casa não augurava nada de bom quando se olhava para o que sobrava para o mês à frente.

Agora já se olha para o caminho que enche os olhos a pensar que está a começar e vai deixar tanta vontade de lá voltar, a curiosidade dos dias e das paisagens que estão a chegar perdeu o travo a mistério, muito embora mantenha a curiosidade inabalável da descoberta e da captação mental, aquela que fica na memória e nunca é igual, nem sequer comparável, à que se vê na fotografia, é por isso que cada vez perco menos tempo atrás do aparelho, o tempo que se lá dedica nuca mais se recupera para aqueles momentos de puro prazer.

Lá atrás, tão atrás já, está a memória do simpático casal que nos levou a Cambridge, os nomes já lá vão, devem estar no caderno soterrado no sótão da casa onde cresci, a senhora com tanta vida sentada na cadeira de rodas onde se deslocava, de sorriso encantador nos lábios, os dedais com os membros da família real nas estantes impecavelmente limpas da casa de paredes de tijolo burro, as memórias das sirenes a mandá-la ainda criança para os abrigos contra as bombas voadoras, a assegurar que a vida continuava a passar cada vez mais depressa. Tanta razão tinha ela.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Pés ao caminho



Parei o carro, saí e dirigi-me à porta do escritório. Abri-a e entrei, deslocando-me pelo corredor até à cadeira que habitualmente ocupo. Sentei-me. Ou seja, resumindo, andei uns passos.

Saí de casa e fui à padaria, que fica na mesma rua, a três ou quatro minutos a pé. Comprei seis pães e regressei pelo mesmo caminho. Entrei em casa e tomei o pequeno almoço. Fui ao pão.

Calcei as sapatilhas e liguei os auriculares no telefone esperto. Escolhi o "Dark side of the moon" e fechei a porta atrás de mim. Percorri a rua onde moro até à rotunda, virei em direção ao mar e acelerei o passo ao ritmo da música. Entrei no passadiço junto às dunas, percorri-o até ao final da zona com distância marcada no chão e o álbum acabou. Carreguei em "L. A. woman" e voltei para trás. O vento fresco no trombil e a batida agora mais rápida fizeram-me alargar ainda mais o passo. Fiz uma derivação no caminho após a saída do passadiço e regressei a casa para tomar um duche. Duas horas depois de ter começado, estava de alma lavada. Tinha ido caminhar.