Dor de cabeça, dores nos ouvidos, pingo no nariz, mais uma vez lá paguei, olha, não paguei nada que, por agora, a miúda ainda está isenta, uma visita de urgência ao Centro de Saúde. Tradicionalmente, quem se encontrava a desoras neste mítico local eram os médicos mais experientes, nunca soube se pela referida maior formação prática, se por maior disponibilidade familiar ou outro motivo qualquer. Essas senhoras e esses senhores cresceram num tempo em que a televisão começava às seis da tarde, ou por aí, e as máquinas de escrever se limitavam aos escritórios, pelo que, quando lhes deram um teclado para prescrever receitas era vê-los com os indicadores em riste à procura da próxima tecla que comporia o nome do medicamento. Nada contra, eu não sou capaz de escrever mensagens no telemóvel sem olhar para o visor, ao contrário de quem tenho lá em casa.
Ora com a corrida às aposentações dos últimos anos tem-se assistido ao renovar dos profissionais que prestam serviço público de saúde, dando lugar a gente mais jovem, alguns nascidos já no tempo dos telemóveis. Consequência disto é a velocidade vertiginosa com que a Senhora Doutora Médica que ontem tratou a minha mais nova preencheu o formulário para levar à farmácia. E, já agora, o empenho que demonstrou durante a consulta, pouco mais do que de rotina, a provar, mais uma vez, que é útil reflectir se as condições que temos para trabalhar são ou não adequadas à realidade que vivemos.