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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

No cinema

Não se pode fumar no interior de uma sala de cinema. Mas pode-se comer pipocas. Pode-se remexer o recipiente de cartão e deixar o vizinho do lado quase às portas da loucura com o restolhar das bolinhas explodidas de milho. Se é para comer aquela merda, que não passa de uma dúzia de grãos de cereal revestidas de açúcar, porque é que não se limitam a pegar nelas uma a uma, silenciosamente, e mastigá-las com a boca bem fechada, que já basta o cheiro enjoativo que largam quando ainda no pacote. É preciso dar-lhes a volta, sabe-se lá a escolher o quê, já que se acaba por comer tudo, fazendo uma chinfrineira que se ouve na sala mais longínqua? Ou será que o objetivo é apenas chamar a atenção, vejam, olhem para mim, eu estou aqui, sou uma gorda desconsolada que ia ver a nova comédia nacional mas como já não havia bilhetes acabei por vir parar a esta sala e quero lá saber que os outros se estejam a tentar concentrar para perceber como se ligam estas personagens que o realizador entendeu meter em cenas desligadas para prender a atenção do espetador.


Valha-nos a cena de ginástica de alta escola sobre o para-brisas do Ferrari amarelo, primorosamente descrita pelo Javier Bardem. Ficará, sem sombra de dúvida, registada nos anais da cinematografia pela reinvenção do erotismo na indústria automóvel. E a comparação com o peixe limpa-fundos não lembraria ao diabo.

Nota: na sequência de uma atenta observação de uma das minhas mais dedicadas leitoras corrigi as palavras compostas para-brisas.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Defeito de personalidade

É o que se pode chamar um defeito bom. Porque quem perde sou sempre eu. Não consigo estabelecer um balanço entre ganhos e perdas, porque só o faço porque sei que pode ser eficaz em situações onde o pedido direto não funcionaria. 

Quando eu quiser algo de ti, não esperes que o faça senão na minha forma particular de pedir, ou seja, usando outras palavras, o meu sorriso ingenuamente sedutor e o meu olhar penetrante.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Das áreas de serviço


Tenho uma visão quase mítica das áreas de serviço das auto-estradas ou daquelas estações de serviço das antigas estradas nacionais que se encontram isoladas do mundo exterior. Em Espanha até parecem cenários de filmes americanos. Quem as usa fá-lo como complemento das viagens que empreende, uns em meio profissional, outros por prazer ou simplesmente como forma de chegar a um local distante. Eu uso-as mais vezes em contexto profissional, mas como tenho o estranho prazer de percorrer grandes distâncias por via rodoviária durante as férias também as frequento por motivos lúdicos. Por vezes tento imaginar de onde vem e para onde vai aquela família que está sentada na mesa ao lado, por onde já andou o casal da auto-caravana italiana ou quantas estradas diferentes já percorreu o camionista que dormita na cadeira de praia, à sombra do mastodonte que conduz. Outras vezes observo o rosto da senhora que me serve o café do lado de lá do balcão, na esperança de ler o seu pensamento enquanto me olha. Tentará adivinhar porque estou eu ali, o que faço na vida, estará contente por morar longe da confusão das grandes metrópoles ou sonhará ser o viajante que descansa por uns momentos antes de se voltar a fazer à estrada a grande velocidade?

Muitas vezes olho para as casas térreas com jardins e uma horta para toda a família ao lado das quais passo e imagino o sossego que será ali viver, sem filas de trânsito nem encontrões no supermercado. E penso em como ansiaria pelo ritmo frenético da cidade se ali morasse.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A mãe natureza não dorme

O ano que agora chega não promete nada de bom para a maioria de nós. Mas não há nada como a mãe natureza para nos recordar que as criações mais belas podem despontar na altura mais inesperada e mesmo ao lado, quando não é mesmo no meio, da maior montanha da matéria resultante da incompetência de uns quantos na gestão daquilo que é de todos.

Se a imagem acima não servir para pintar de verde os tempos mais próximos, pelo menos recordará que não é preciso consumir toneladas de combustível para poder disfrutar de umas férias retemperadoras e de contenção económica, num local que o autor da fotografia terá todo o gosto em recomendar, promover e divulgar.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Chapinhar

Já foi um carro da moda. Não foi comprado por essa razão, era uma aspiração antiga, de antes de o conceito de ter tornado popular. Tanto que a moda passou e o carro ficou, por convicção, porque continua a poder chegar onde a esmagadora maioria não vai, apesar de fazer em raríssimas ocasiões. É um trambolho, um charuto, mas proporciona sensações únicas como a de permitir chapinhar alegremente quando o dilúvio se abate sobre a estrada. É divertido, é traquina, sabe bem, ainda que apenas por alguns minutos.

O jipe que não é, é de outra marca, que está sempre pronto a andar, é quase um membro da família, tanto que os mais novos nem querem ouvir falar na sua reforma. Se os ventos continuarem a soprar na direcção certa, será suficiente para o curto percurso diário em dias ditos úteis e manter-se-á no activo por muitos e bons anos.