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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Salada grega

É melhor do que uma novela da TVI. Nessas, até a minha filha adolescente é capaz de adivinhar o que se vai passar a seguir, na Grécia tudo é completamente inesperado, nem os comentadores de fim de semana acertam um único palpite.

Se há uns dias pensava que o referendo seria o desempate por pontapés da marca da grande penalidade agora acho que, a realizar-se, será apenas mais um pequeno capítulo de uma trama que parece estar para lavar e durar. De volta às novelas, está naquela fase em que são anunciados os últimos capítulos, o que se faz quando ainda faltam uns três meses para acabar. À escala grega isso equivale aí a umas três décadas.

terça-feira, 19 de maio de 2015

É longo mas tem mensagens importantes


Foi uma prenda adiantada da quarta classe, porque o padrinho o tinha prometido um dia, sabendo-se condenado por uma doença que agora tem cura na grande maioria dos casos, a avó que não madrinha por desgosto de não o ter sido para o primeiro neto que apenas o foi por três dias cumpriu o desígnio do marido falecido e ofereceu a bicicleta de roda pequena à frente e três velocidades com alavanca no quadro, entre o assento e o guiador.


Dali até à entrada na faculdade foram muitas tardes a percorrer quantos caminhos de terra havia nas redondezas, numa área continuamente alargada à medida que a força nas pernas aumentava e a procura por caminhos novos também, sempre a imaginar-se ao volante dos carros de rali que preenchiam as páginas das revistas e jornais religiosamente lidos logo que saíam para as bancas.


Depois, com um dos ordenados iniciais, foi a entrada na moda que despontava lentamente das novas bicicletas de montanha, com pneus largos e dezoito combinações possíveis para desmultiplicação da pedalada, a juntar aos travões do tipo vê, v-brake na notação inglesa. Depois os amortecedores, os travões de disco e a adição da bicicleta de estrada, porque nessa é que se ganha potência para longas maratonas, a menos que se possa andar na outra todos os dias.


A moda das bicicletas é recente para as grandes massas e, paradoxalmente, aumentou com o agravar da crise económica, será pela saída dos ginásios ou por mudança de mentalidade ou por simples processo de seguir o rebanho. O efeito é de tal dimensão que os municípios desataram a construir ciclovias, os passeios organizados atingiram dimensões gigantescas e até já se fazem peregrinações em duas rodas. O reverso da medalha é a convivência com os restantes utentes das vias públicas, peões e automóveis. Se a convivência com os peões pode não ser pacífica mas não tem grandes consequências físicas, já a relação com os automobilistas se pode tornar conflituosa e até mesmo ameaçadora para a integridade física dos ciclistas, como se pode, infelizmente, concluir por este post da virtual muito amiga e simpática AC. É certo que há uma mentalidade ainda dominante entre os automobilistas de que têm sempre prioridade sobre os ciclistas mas também é verdade que aqueles não estão habituados à lentidão dos ciclistas nem estes estão preparados para andar em estrada.


O ciclismo desportivo é mais uma vertente do lazer em bicicleta que está em franca expansão e tem particularidades muito diferentes do simples andar de bicicleta. É praticado preferencialmente em grupos, que podem ir de dois elementos até duas dezenas ou até mais. Não é compatível com as ciclovias, quer porque nestas circulam ciclistas de todas as idades e ritmos de pedalada, quer porque os peões andam muito perto e até na própria ciclovia. O ciclista desportivo, ainda que amador, pode atingir médias superiores a 30 km/h, pedalar 200 km num dia e atingir velocidades de ponta superiores a 60 km/h.


Estas caraterísticas colocam problemas de convivência com os automobilistas, muitos dos quais não entendem que andar de bicicleta pode ser encarado como um desafio pessoal de desenvolvimento muscular, semelhante a qualquer outro desporto praticado com empenho e dedicação. Claro que requer cuidados especiais da parte do ciclista, que deve ter a noção de que a bicicleta é o elemento mais frágil da equação e que há regras de trânsito a cumprir.


Noutra vertente do uso de bicicletas deve reforçar-se que não se deve usar as passadeiras para atravessamento enquanto ciclista, porque a chegada à passadeira é muito mais rápida do que quando é feita por peões e pode impedir a travagem a tempo de evitar o embate por um veículo automóvel.


Para que se evitem desfechos de infortúnio como o relatado pela AC.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Convençam-me que não é disparate


Faz sentido a realização de exames de final de ciclo três ou quatro semanas antes do final das aulas?

Faz sentido que o calendário escolar dos alunos dos 4º e 6º anos possa terminar, de acordo com o entendimento do agrupamento de escolas ou da escola não agrupada, uma semana antes do calendário dos restantes anos do ciclo respetivo tendo os alunos realizado já os exames?

Faz sentido que os alunos dos 2º e 3º ciclos não envolvidos nos exames fiquem quatro manhãs em casa porque a escola é sede do agrupamento e não podem decorrer aulas regulares enquanto decorrem exames?

E já não pergunto se faz sentido fazer testes intermédios a quase todas as disciplinas no 9º ano, a meio do segundo período.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Das sentenças


Foram quatro. Talvez seja a moda dos jogos com tiros, não são pessoas, não são gente, são apenas figuras que temos que matar para ganhar o jogo. Mas não tem história, a da televisão, as poucas palavras que se foram sabendo, para passar horas e dias e noites a jogar contra um chinês virtual, já o do Pinhão talvez tivesse, duas miúdas de vinte e poucos anos, será alucinação, serão filmes a mais que idolatram a personalidade e nos fazem donos da verdade, será a ambição que gente que é gente tem carros de luxo e come em restaurantes com estrelas e vai de férias para um paraíso nas Maldivas. Eram a ex-mulher e os pais e o filho dela que não dele, que palavras possam ter dito, que atos possam ter praticado que o levassem a descarregar duas armas, a julgar pelos ditos, a deixar o filho que tinha com a falecida sem mãe, sem avós maternos e com um pai que não o ajudará nem que seja nas escolhas nas encruzilhadas e a quem provavelmente nunca perdoará o ato insano que cometeu. E o repetir destas situações, afinal se calhar estamos atrás daqueles que decapitam jornalistas e militares, lá longe, no que toca ao desenvolvimento humano, para lá caminhamos em vez de aceitar que uma sociedade se faz de regras e só o seu cumprimento permitirá o bem comum. Que merda é essa do bem comum, isso são histórias de meninos e padres na missa e candidatos a primeiro-ministro. Que dúvida pode assaltar quem vai julgar sobre a pena a aplicar, quem com ferros mata com ferros morre, o que justifica alimentá-lo e prestar-lhe cuidados de saúde e dar-lhe uma televisão de écran plano e uma cela individual e depois mandá-lo embora passados dez ou quinze anos por bom comportamento, reabilitado para uma vida que lhe passou à frente e o deixará a atormentar a vida dos poucos que lhe venham a deitar uma mão, quiçá por vergonha, quiçá porque ainda há boas pessoas que não merecem as provações por que passam às mãos de quem não vale o ar que respira.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Lembrando o rei de Espanha

Tenho um grande respeito, cada vez maior, pelos idosos. Quando penso que as sociedades que ainda se regem por leis tribais confiam os seus destinos aos mais velhos, penso que todos poderíamos beneficiar se essa regra fosse adaptada ao governo dos países ditos democráticos, que cada vez mais tendem a desprezar a sabedoria de quem já passou por quase tudo na vida e sabe prever nas palavras e atitudes dos mais novos as suas verdadeiras intenções. Naturalmente, há gente nova com enorme capacidade e maior motivação para dirigir, mas cada vez é mais difícil conseguir escolher essas pessoas dentre um numeroso grupo que utiliza técnicas cada vez mais sofisticadas para se fazer sobressair, apenas pela vontade de ser conhecido a todo o custo.

Voltando aos idosos, aprecio neles a qualidade da discrição, muitos sabem exatamente o que se passa no mundo que os rodeia, seja na esfera familiar ou no universo mais alargado do público, mas mantém-se calados até que alguém lhes peça ajuda. Já me entristece quando vejo que há outros, que até tiveram papéis muito relevantes à escala das nações, onde granjearam respeito e admiração, que tentam usar os seus créditos em prol de objetivos sectários, quiçá até pessoais, fazendo afirmações de grande exagero e a roçar o ridículo. E eu fico hesitante entre a falta de lucidez que me custa admitir em quem tanto tempo se mostrou muito perspicaz e a tentativa de subverter um sistema apenas porque se deixou se fazer parte dele. Seja qual for a razão, fico incomodado.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Demissão

Demitiste-te. Demitiste-te de uma função que não admite demissão. Mas pediste, pediste não, que tu não pedes nada, exiges sem o dizer, reclamas com silêncios e frases geladas, impuseste que me mantivesse no meu posto, numa missão que só tem sentido se a tua função continuar ativa, pela própria definição semântica das palavras. Que tens direitos. Que tens trabalho feito. Ensinaste-me que os direitos existem se associados a deveres. Ou então não foste tu, apenas quem contigo partilhou a função de que te demitiste. Que nunca acaba, é função vitalícia, assim recordo de me teres ensinado, parece que quem disso se esqueceu foste tu. Não me passa pela cabeça exigir um dia com base naquilo que é meu dever, como quem tem um crédito e decide resgatá-lo. Para mim isso coloca um ponto final numa relação comercial. E eu tenho poucas relações pessoais para me dar ao luxo de as mercantilizar. Pensava que também assim pensavas, que também de ti brotava esta quase generosidade. Agora concluo que não, que foi mais uma coisa que desapareceu com o mentor deste espírito.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Mau demais para ser verdade

Vi o vídeo. Na realidade já o tinha visto no domingo à noite, encontrando-me afastado da televisão e sem ouvir o que se dizia. Achei, na altura, que era outra coisa qualquer, certamente sobre o mesmo tema, mas feito por quem teria objetivos satíricos. Não me passou pela cabeça que o mentor do projeto, Marcelo Rebelo de Sousa, concordasse em passar tal produção na televisão alemã.

Entendo que o tempo foi curto, entendo que havia falta de meios, já não entendo que se caísse no erro da precipitação e se desse o salto em frente num tema sério com a ligeireza de algo feito em cima do joelho. Portugal não é aquilo que se mostra no vídeo. O Zé Povinho? O travesti vianense? Os men-in-black representando a Troika e assaltando os nossos subsídios como se não os tivéssemos gasto em estradas e estádios e experiências ditas verdes? E o muro, senhores, nunca nenhum dos responsáveis do filme falou com alemães o suficiente para saber que o muro e as guerras são assuntos tão sensíveis para os alemães que a sua lembrança lhes provoca imediatamente mal-estar? E admiram-se pela receção negativa que por lá causou?

Senhores, o vídeo dos finlandeses foi certamente feito por uma só pessoa e sem sair do lugar. Será difícil fazer algo parecido?

Perdoem-me o tom negativista, eu gosto de Marcelo Rebelo de Sousa, eu apoio todas as iniciativas que nos engrandeçam em Portugal e no estrangeiro, mas repudio o que é mau, feito sem cabeça e apresentado precipitadamente porque a visita de Ângela Merkel estava iminente. Neste caso, como em tantos outros que nos levaram ao estado lastimável em que nos encontramos, a falta de rigor e de empenho só empobrece a nossa imagem no exterior.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Conversa de bancada

Eram três, alguns metros atrás, a mais velha não teria mais de 14 anos. No meio de várias conversas, incluindo chamadas de telemóvel, sai esta: “Eles não eram casados, estavam numa relação aberta”.

Numa quê? Fiquei a pensar, o que é uma relação aberta? Qual será, na cabeça de uma miúda pré-adolescente, a distância entre o casamento e uma relação aberta?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A queda do general solitário


Portugal é um país corporativo. Há classes profissionais que moldam as leis de forma a protegerem-se, inclusivamente das ameaças daqueles que aspiram a fazer parte da própria classe. Há grupos que se fazem valer da dependência a que conseguiram votar a sociedade para exercerem pressões no sentido de terem regalias, mascaradas com o termo direitos, que se tornam claros abusos, desproporcionados relativamente aos seus concidadãos.

De vez em quando alguém com poder para o efeito aparece empenhado em alterar radicalmente este estado de coisas. Na maior parte das vezes a vontade desaparece rapidamente, ou porque a pessoa só pretendia fazer-se notar ou porque alguém do lado dos potencialmente afetados demonstrou que não era uma boa ideia.

Ontem ficámos a saber que em Espanha as coisas não serão muito diferentes. No entanto, a pessoa que detinha o poder avançou no sentido de alterar o estado da situação e acabou vítima daquilo que pretendia alterar. Tivesse sido por movimentação política, tivesse sido por influência corporativa, a verdade é que a caravana seguirá o seu caminho e o juiz justiceiro será mantido à margem. Aquilo que os delinquentes não conseguiram, travar o temerário juiz, foi alcançado pelos seus pares.

Já não sou partidário de soluções radicais, a menos de uma situação em que já nada mais reste do que passar uma esponja e começar de novo, o que até poderá nem estar tão longe. Mas isso seria um sistema completo e não só um dos pilares da sociedade. Entendo que vale mais vencer pequenas batalhas do que partir para a guerra pura e dura, já que o exército a enfrentar pode ser poderoso e aniquilar facilmente em general sozinho. Espanha perderá um dos seus mais empenhados generais, diminuindo-se assim a sua capacidade para moralizar aos poucos um sistema de vícios. Igual a tantos outros bem perto de nós.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

De volta às mulheres exigentes


Não consegui uma resposta satisfatória à questão sobre as mulheres exigente. Sendo assim, terei que me expor mais do que queria e atirar-me-ei para a frente de peito aberto, sujeito a ser trespassado com flechas certeiras. Ou isso ou uma pneumonia, o mais provável com a temperatura exterior de hoje. À cautela já engoli dois comprimidos de ibuprofeno ao pequeno almoço.

Eu gosto de mulheres exigentes, que não se contentam em aceitar passivamente aquilo que me dê na real gana oferecer-lhes. Que me peçam mais, que me incentivem a chegar mais longe, que me agucem a imaginação. Admiro a capacidade de quem é capaz de me fazer correr sem abrir o jogo, mulheres que deixem no ar, levemente, sem alaridos, a escolha a fazer na encruzilhada seguinte. Gosto de ser picado quando me desleixo, desde que feito com subtileza e elevação. Imagino que esta condição também me torne exigente para com quem interajo. Dentro do que referi neste parágrafo, considero que o tipo de mulheres que cumprem estas premissas são as boas exigentes. Se, além disso, forem exigentes boas, então terei acertado no euromilhões.

No outro pólo da questão estarão as más exigentes, boas ou não. Felizmente não tenho muitas experiências com tal tipo, a única de que me recordo tem a ver com a pessoa que devia estar no topo da cadeia, aquela que me devia orientar como função principal e sem exigir mais do que o respeito geracional. As más exigentes reclamam aquilo que não dão, apenas por estarem ao nosso lado. Crêem que a promoção pessoal é baseada em bens materiais e não naquilo que são. Estão convencidas de que o mundo gira em seu torno. Essas, sejam quem forem, serão sempre mantidas à distância.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A médica MSN

Dor de cabeça, dores nos ouvidos, pingo no nariz, mais uma vez lá paguei, olha, não paguei nada que, por agora, a miúda ainda está isenta, uma visita de urgência ao Centro de Saúde. Tradicionalmente, quem se encontrava a desoras neste mítico local eram os médicos mais experientes, nunca soube se pela referida maior formação prática, se por maior disponibilidade familiar ou outro motivo qualquer. Essas senhoras e esses senhores cresceram num tempo em que a televisão começava às seis da tarde, ou por aí, e as máquinas de escrever se limitavam aos escritórios, pelo que, quando lhes deram um teclado para prescrever receitas era vê-los com os indicadores em riste à procura da próxima tecla que comporia o nome do medicamento. Nada contra, eu não sou capaz de escrever mensagens no telemóvel sem olhar para o visor, ao contrário de quem tenho lá em casa.

Ora com a corrida às  aposentações dos últimos anos tem-se assistido ao renovar dos profissionais que prestam serviço público de saúde, dando lugar a gente mais jovem, alguns nascidos já no tempo dos telemóveis. Consequência disto é a velocidade vertiginosa com que a Senhora Doutora Médica que ontem tratou a minha mais nova preencheu o formulário para levar à farmácia. E, já agora, o empenho que demonstrou durante a consulta, pouco mais do que de rotina, a provar, mais uma vez, que é útil reflectir se as condições que temos para trabalhar são ou não adequadas à realidade que vivemos.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Das férias que não o são

Podia reclamar, não fosse não gostar de estar encafuado em casa sem grande coisa que fazer. Podia dizer palavrões, se calhar até o faria noutras alturas, não fosse ter sabido de mais um que está em casa contra a vontade, por já não ter o que fazer. Podia estar em cima da bicicleta, mas deixa-me estar por aqui a ver se o que tenho a mais por agora não tenho a menos nos tempos mais próximos.

Mas lá que me apetecia ir aproveitar o sol...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Dos disparates políticos

A política tem destas coisas, quando se tenta a fuga para a frente como forma de tentar branquear um disparate, geralmente resulta no aumento da dimensão do facto absurdo. Vem isto a propósito daquilo que parece ser um apelo à emigração por parte do nosso governo. Tenho a opinião de que Passos Coelho tem demonstrado ser mais sensato do que a seu antecessor, muito embora o clima político destes tempos seja muito mais propício a esse comportamento. Não obstante o líder da oposição ter feito declarações recentes muito mais alinhadas com a falta de bom senso revelada até há alguns meses atrás. Voltando ao facto político, parece-me inusitado estar um país a formar a sua população durante quase vinte anos para depois os enviar para o estrangeiro. Podemos discutir se a formação ministrada nas duas últimas décadas é aquela de que o país precisa, em muitas áreas terá sido, noutras provavelmente deverá ser repensada, agora incentivar a saída do país é algo que me suscita as maiores dúvidas como linha política.

Há já várias áreas profissionais, e aquela onde me enquadro é uma delas, que saltaram as fronteiras na busca do trabalho que por cá vai rareando. Felizmente há muitas empresas nacionais que tomaram essa iniciativa, gerando no estrangeiro movimentos de capitais que beneficiam o país. Mas as pessoas continuam a trabalhar para o país. Quando fazemos a malas por conta própria e vamos trabalhar para outras paragens deixamos de contribuir para a nação que nos formou.

Provavelmente, a questão será outra. Já em tempos defendi que a diferença entre salários praticados em Portugal é vergonhosa. É encarado com uma naturalidade gritante que haja diferenças de um para cinco nos vencimentos de pessoas que não tenham cargos de elevada responsabilidade, deixando de lado a questão de se este tipo de cargos merece uma remuneração claramente destacada das outras. Esta realidade, conjugada com a ideia dos nossos pais de que um curso superior implica um ordenado e um estatuto social correspondente ao que era um doutor ou um engenheiro há quarenta anos atrás, distorceram o mercado do ensino através da procura desenfreada de cursos privados, resultando num desequilíbrio da oferta relativamente à procura e na perda de expectativas por parte de uma grande parte dos formados.

Se neste país a diferença de ordenado entre quem menos ganha e quem mais recebe não fosse superior a três, acredito que não houvesse necessidade de dizer às pessoas para emigrarem.