Bastava
ter ganho os dois jogos a Israel. No final das contas, até chegava ter vencido
um deles. Dito de outra forma, era suficiente uma única das três acelerações de
ontem do Cristiano para ter resolvido tranquilamente a questão da qualificação.
Não haveria mais dois jogos, teria sido mais limpo e menos emotivo.
Mas
isso seria como aqueles casamentos do tipo olá querido, correu bem o teu dia,
correu muito bem então e o teu, o meu também correu bem, liga a televisão para
vermos as notícias. Nós, portugueses, não somos nada disso, se mais provas
fossem necessárias juntar à inevitabilidade dos play-offs para a coesão
nacional, cá temos a nova cruzada de fazer de conta que recuperamos a
independência nacional no dia em que os ditadores do orçamento forem embora.
Curiosamente, o calendário é um cabrão sádico, isso acontecerá precisamente por
altura do campeonato para o qual finalmente nos qualificámos, pelo que São
Cristiano terá nos pés a capacidade de dar ao governo a paz necessária para
negociar o famoso programa cautelar que garantirá, novamente, a ausência de
responsáveis nacionais pelas políticas de austeridade. O que, convenhamos,
representa a única forma de ter uma direção política definida.