Estão ali os vasos com a sementeira das petúnias, a
terra por cima está a ficar seca, que caralho vou eu fazer se lhes deito água e
chove ficam encharcadas e as folhinhas começam a boiar, se não rego e não chove
ficam secas e já acho que me vão desaparecer todas, isto de andar a comprar
sementes no supermercado é o que dá, bem fizeste em comprar as dos pepinos e
dos tomates no Grémio, por falar nisso estão a ficar grandes, os rebentos dos
pepinos, está a ficar na altura de os mudares para o canteiro, tens medo que os
caracóis ou as lesmas ou que raio de bicharada anda por lá os comam mas não
tens alternativa, mete lá uns quantos rebentos e logo vês. Uma estufa ali é que
ficava bem, mas o jardim ou quintal ou horta ou lá o que seja é tão pequeno que
ocupava metade daquilo e já sabes que a patroa, se sabe que lhe chamas isso
atira-te com o vaso das petúnias em crescimento à testa, é contra, que fica mal
e depois quando fores fazer o churrasco não tens onde sentar as pessoas, que
umas almofadas para pousar por cima do murete de pedra é que ficam bem, depois
calcam-me os canteiros e lá vai o projeto de mandar isto tudo à merda e passar
a cultivar tomates e pepinos e feijão verde e as favas que ficaram por semear
este ano. Entretanto a relva está a crescer e também crescem as ervas daninhas
e todos o tipo de fetos e sei lá mais o quê e os testes da catraia que são
todas as semanas e quero manter o bom hábito de rever a matéria, uma horita que
seja para cada teste e na sexta feira se a malta for andar todo o dia eu também
quero ir, se apanhar o empeno no regresso hei-de acabar por chegar mas quero
manter o bom hábito de ir a Fátima uma vez por ano, qual promessa qual caralho,
é sinal que continuo a ter pernas e me mantenho a andar com a regularidade
suficiente para aguentar a estafa, olha o homem que ia connosco no domingo,
setenta e quatro anos e lá fazia as subidas mais devagar mas chegava lá acima e
a rolar ninguém tinha que esperar por ele e ontem ia para Viana depois do
noventa do dia anterior, eu tinha que chegar aos cem e lá fui dar mais uma voltinha.
Fechei os olhos e inspirei o ar fresco trazido pelo vento. Fi-lo sempre que precisava de me encontrar, até que, de olhos fechados e pensamento vagueante, senti-a, forte, intensa, despertadora da realidade que me recusava a admitir: a chapada cruel do défice.
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terça-feira, 28 de abril de 2015
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Notícias da horta
É um interesse antigo, tem piada
colocar uma semente na terra preparada com cuidado, regá-la, ter a surpresa de
ver emergir uma planta muito verde e frágil, continuar a regá-la, retirar as
ervas daninhas que vão nascendo nas imediações. Cientista falhado, procedo a
experiências com pequenas amostras colocadas em locais mais abrigados, com
diferentes tipos de terra. A primeira conclusão é que a terra usada como base é
fraca, a segunda é que a densidade de sementes usada é grande, face ao diminuto
espaço disponível. A terceira é que são demasiadas experiências em simultâneo
e, ano após ano, os progressos são muito reduzidos, o melhor é mesmo escolher
apenas uma ou duas espécies e começar a estudar com maior profundidade.
O feijão verde até deu resultado,
já recolhi semente para a próxima época. As cenouras germinaram por todo o lado
mas cresceram muito pouco, não me parece que cheguem sequer a dimensão que
permita a prova.
Já os tomates, senhores, depois
de ter passado um ano a vê-los crescer e amadurecer aos milhares de toneladas
em estufas, dando a sensação de que aquilo é só deitar a semente à terra ir
amarrando a planta à medida que cresce, foram a minha grande desilusão. Até
germinaram em quantidade, até mantiveram uma cor verde e viçosa, mas nem uma única
flor, para amostra, apareceu. Não me cresceram os tomates!
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