segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A cena de filme

Passaram quantos anos, aí um quarto de século, passei algumas vezes por aquela estrada, de carro e até de bicicleta. Desta vez lembrei-me, lembrar lembro-me sempre, agora é que o pensamento foi mais além, talvez pelo tempo quente e húmido, ou a hora do dia, ou a música, diferente, já não Vivaldi, nem sequer gravada, era a da rádio escolhida pela mais nova. Naquele dia o carro nem era meu, não tinha nenhum, já não me recordo que tipo de planos imaginava para quem ia ao meu lado mas sei como sou, pelo que nos veria no mesmo cenário de ontem, com os mais novos no banco traseiro, não estes porque os pares das cadeias em hélice não o permitiriam mas outros que me tratariam da mesma forma. Qual cena banal de filme americano, vi-me no presente igual ao futuro que tinha projetado, tendo ao meu lado quem queria ter, nomes à parte que não é do nome que se trata mas de quem connosco faz a caminhada ou, no caso, a viagem pela estrada.
 
O prazer de percorrer sem pressas a estrada que sobe o vale do Cávado a caminho do Rio Caldo, esse, é o mesmo, assim como a paisagem melancólica de chuva miudinha e folhas castanhas ou amarelas que dão uma enorme vontade de por lá ficar mais uns dias, ainda que sabendo que a cara e o cabelo ficarão molhados sempre que saiamos para sentir o cheiro tão forte quando agradável do outono em tão bela região.

4 comentários:

  1. Repetir um trajecto de que se gosta particularmente com alguém que escolhemos ao nosso lado é fantástico! Se for ESSE trajecto, ainda mais! :)

    Beijinhos, Ness. :)

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  2. Maria, ESSE e tantos outros de Melgaço a Pitões das Júnias :)

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  3. Viagens nas nossas memórias que de tão boas repetimos vezes sem conta. Bom, tão bom :)

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  4. GM, também é bom comparar o que é com aquilo que esperávamos que viesse a ser :)

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Dá mais uma chapada, mas com jeitinho