terça-feira, 2 de junho de 2015

Das agulhas


A perspetiva era aterradora, é daquelas coisas que só acontece aos outros, nunca a quem andou a torrar as pestanas durante a juventude enquanto os amigos mais espigadotes tinham já empregos que lhes permitiam comprar um carrito e passar os fins de semana entre as esplanadas e as discotecas da moda e ir para o Algarve no verão. O mundo profissional é pequeno, para o bem e para o mal, toda a gente se conhece e em tempos em que o dinheiro a circular não abunda cada um deixa-se ficar no seu canto à espera que passe a borrasca, que bem tempestuosa tem sido. Além disso, na área técnica as oportunidades que aparecem são para o estrangeiro, longe da família e da zona de conforto e se a perspetiva até era interessante quando os compromissos eram poucos, agora será apenas o plano D ou P ou até Z.

O telefonema foi completamente inesperado, de tão esperado que tinha sido ao longo de anos e anos. Nenhuma resposta tinha surgido das poucas tentativas estratégicas já feitas para outros contactos nos últimos tempos e já apelava silenciosamente à famosa sorte dos nascidos no final do ano, aquela que advém do facto de viver a vida disposto a trilhar todo o tipo de terreno, naturalmente em função das circunstâncias do momento.

Foi um alívio, um respirar fundo e mudar de agulha, nunca nada é tão bom quanto parece nem tão mau como o fazemos, mas bem se pode dizer que quem espera sempre alcança.

2 comentários:

  1. Que a mudança de agulha sirva para melhores melodias!

    Beijos, Ness. :)

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    1. Obrigado, Maria, isso e que a linha leve a estações mais interessantes :)

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Dá mais uma chapada, mas com jeitinho