Primeiro foram quatro anos a
fazer trabalho que deveria requerer um profundo conhecimento prático de muitas
e variadas situações em contexto industrial. Foi num tempo em que toda a gente
era especialista em tudo desde que tivesse um guião para seguir e depois havia
outro alguém com experiência que passava os olhos pelo trabalho e dava uma
achega aqui e outra ali, em função do reduzido tempo de que dispunha para o
fazer. Foi uma forma de o recém-formado ganhar gosto pelas máquinas e decidir
que queria passar do ver o cozinhado pronto para o fazer a receita.
E assim foi, durante dezoito
meses mudou-se para um local a oitenta quilómetros do local de residência, para
onde ia e de onde voltava todos os dias. Ali havia conhecimento de causa e uma
verdadeira estrutura fabril, num local onde trabalhavam trezentas pessoas e a
tecnologia usada era de ponta e as condições de trabalho ao nível do melhor da
indústria. Mas tinha um senão, ficava num local suficientemente longe do núcleo
familiar e pouco atrativo para o outro membro adulto, que também tinha
legítimas aspirações profissionais. Por isso, o convite para o regresso ao
local inicial de trabalho, investido nas funções que ambicionava quando deixou
a empresa e novas condições remuneratórias a condizer, foi aceite com
prontidão. A proximidade à morada, às escolas, ao centro de gravidade familiar
potenciou a manutenção nesse emprego, onde foi possível desenvolver um trabalho
contínuo, com melhorias sensíveis de projeto para projeto, com contacto direto
com muitas empresas de reconhecida valia no tecido industrial do país. Foram
anos bons, embora pautados por uma perda contínua de condições para o melhor
desempenho profissional, muito ténue nos primeiros anos, mais acelerada com o
final da era das vacas gordas.
Termina assim um período de
dezassete anos, muito rico em valorização profissional, em que a vontade de
prosseguir cada um dos projetos faz escarnecer dos lugares-comuns das manhãs de
segunda-feira na rádio, com louvas ao descanso e lamentos pelo início da semana.
É, no entanto, o culminar de um período em que os projetos perdiam
continuamente qualidade, cedendo terreno ao argumento gasto das dificuldades
económicas, apesar de confirmarem continuamente que o barato sai sempre caro.
Vai começar uma nova fase, num
local onde a qualidade tem sido a bandeira que fez crescer sustentadamente a
empresa. Oxalá saiba contribuir para esse crescimento e que se mantenham as
condições que o proporcionaram.
Desejo-te muita sorte, Ness! Infelizmente, hoje, ser-se bom numa área não parece representar tudo o que deveria mas que seja o início de algo bom!
ResponderEliminarBeijos. :)
Obrigado, Maria, vivemos tempos estranhos, pelo menos tendo em conta o contexto laboral em que crescemos. Oxalá volte a estabilidade :)
EliminarBoa sorte, espero que consigas o teu intento :)
ResponderEliminarObrigado, GM, assim continue a haver uns resistentes a lutar contra o fim da insústria neste país :)
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