segunda-feira, 15 de junho de 2015

Da falta de equilíbrio


Desde muito cedo se habituara a viver consigo próprio. Tinha irmãos, tinha amigos, mas entediavam-no as repetições de jogos, os passeios sempre aos mesmos lugares, as demonstrações de masculinidade de adolescentes nascidos na época conturbada da mudança de regime. Os livros tinham muito mais piada, falavam de locais fantásticos, mais ou menos distantes e pessoas que viviam na procura de novas e excitantes aventuras.

Mal chegou a idade legal partiu para longe, com a conivência do pai e à revelia da mãe protetora, já nem se lembra se pensou no assunto mas a verdade é que durante dois meses viveu por conta própria e deu-se bem, voltou para cumprir o plano desde sempre traçado, que nunca questionara até então e se o fez depois não foi com grande convicção. Habituara-se a cumprir planos, algo de que fez profissão tal a facilidade em obter resultados.

Continuou mais uns anos a decidir sozinho todos os seus passos, muito embora imaginando a partilha do seu espaço com quem comungasse do mesmo desejo de liberdade geográfica e desapego emocional às raízes. Ignorava ingenuamente que aquilo de que precisava era de quem equilibrasse tão grande desvio relativamente ao norte magnético.

4 comentários:

  1. Equilíbrio... Difícil, né? ;)

    Beijos, Ness. :)

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    1. É uma batalha diária :) Mas implica que cada um dos pesos esteja em lados opostos da balança e isso sim leva tempo a perceber :)

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  2. Aí está uma das coisas mais difíceis de conseguir. o equilíbrio...
    Bjs

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    1. Uns dias melhor, outros nem por isso, importa é que haja empenho, não é? :)

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Dá mais uma chapada, mas com jeitinho