Desde muito cedo se habituara a
viver consigo próprio. Tinha irmãos, tinha amigos, mas entediavam-no as
repetições de jogos, os passeios sempre aos mesmos lugares, as demonstrações de
masculinidade de adolescentes nascidos na época conturbada da mudança de
regime. Os livros tinham muito mais piada, falavam de locais fantásticos, mais
ou menos distantes e pessoas que viviam na procura de novas e excitantes
aventuras.
Mal chegou a idade legal partiu
para longe, com a conivência do pai e à revelia da mãe protetora, já nem se
lembra se pensou no assunto mas a verdade é que durante dois meses viveu por
conta própria e deu-se bem, voltou para cumprir o plano desde sempre traçado,
que nunca questionara até então e se o fez depois não foi com grande convicção.
Habituara-se a cumprir planos, algo de que fez profissão tal a facilidade em
obter resultados.
Continuou mais uns anos a decidir
sozinho todos os seus passos, muito embora imaginando a partilha do seu espaço
com quem comungasse do mesmo desejo de liberdade geográfica e desapego
emocional às raízes. Ignorava ingenuamente que aquilo de que precisava era de
quem equilibrasse tão grande desvio relativamente ao norte magnético.
Equilíbrio... Difícil, né? ;)
ResponderEliminarBeijos, Ness. :)
É uma batalha diária :) Mas implica que cada um dos pesos esteja em lados opostos da balança e isso sim leva tempo a perceber :)
EliminarAí está uma das coisas mais difíceis de conseguir. o equilíbrio...
ResponderEliminarBjs
Uns dias melhor, outros nem por isso, importa é que haja empenho, não é? :)
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