Eram seis. Deram dez contos cada um e compraram uma pão de
forma, ferrugenta no exterior e com alguns buracos no chão, mas em boas
condições mecânicas, não fosse aquele motor de cilindros horizontais opostos
indestrutível. Mandaram fazer uma revisão e meteram-se a chapeiros e pintores
para tapar os buracos e dar-lhe um aspeto mais apresentável, o que rendeu umas
tardes de alegria e brincadeiras, próprias de quem terminava os estudos e tinha
a vida pela frente. Cenas divertidas ficaram várias, desde pegar à primeira no
cimo da Penha depois de o BMW novo estacionado ao lado não o ter conseguido,
até à roda que saltou numa sexta à tarde, feriado, a subir para Vieira do
Minho, levando a uma caminhada noturna ao Bom Jesus e à espera pela visita do
mecânico ao sucateiro no dia seguinte.
E histórias mais privadas também as houve, ficar sem
gasolina em frente à praia já de noite, com regresso no UMM da GNR até à praça
de táxis mais próxima, ou a capa negra a servir de agasalho em noite de
serenata.
A verdade é que era meter gasolina e arrancar, aquele som
inconfundível do ronronar compassado a encher o habitáculo, o movimento
pendular da suspensão da frente quando se mudava de velocidade, um deleite para
quem sempre apreciou os automóveis. Muitos anos mais tarde foi o olhar
embevecido para outra igual, às portas de Veneza, com matrícula portuguesa.
Contas feitas já foram uns quantos clássicos a deixar
memórias sonoras, olfativas, afetivas, o 124, a VW pão de forma, a 4 L, a tal que
era GTL, o Terrano, mais recente e até, de raspão, o Corolla 1200 e a subida do
Cávado ao som de Vivaldi.
Oh... eu queria tanto uma pão de forma. Mesmo muito.
ResponderEliminarAquelas a gasolina já são raras, mas ainda apanhas uma Transporter a gasóleo a bom preço. E com as biclas atrás dá uma fotografia invejável :)
ResponderEliminarAdoro as pão de forma...nunca pensei ter uma, mas pensei ter uma autocaravana ( já em condições, jeitosinha) e correr mundo em 4 rodas, com uma bicla atrás...Tive um VW pólo, G40 vermelho que andava que se desunhava e que soube mais tarde ser apelidado do carro assassino porque montes de gente nova morria ao volante daquele modelo, andava muito, e era leve.
ResponderEliminarBoas estórias...cheias de peripécias.
AC, aquela pão de forma não foi devidamente valorizada, eram outros tempos e outras ambições, mas valeu pelo tempo que serviu. O G40 era fantástico, em menos de um fósforo o ponteiro do conta-rotações batia no fundo, nas 7000 rpm. Não tive nenhum, mas andei algumas vezes num deles.
EliminarTenho um vizinho que tem uma pão de forma, toda arranjada e pintada de amarelo. Um espetáculo, são mesmo giras :) Faço uma pequena ideia das aventuras...
ResponderEliminarGM, são iguais às de todos os outros, uns na pão de forma, outros nas Transit, outros nas Hiace :)
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