terça-feira, 16 de junho de 2015

A propósito da pão de forma


Eram seis. Deram dez contos cada um e compraram uma pão de forma, ferrugenta no exterior e com alguns buracos no chão, mas em boas condições mecânicas, não fosse aquele motor de cilindros horizontais opostos indestrutível. Mandaram fazer uma revisão e meteram-se a chapeiros e pintores para tapar os buracos e dar-lhe um aspeto mais apresentável, o que rendeu umas tardes de alegria e brincadeiras, próprias de quem terminava os estudos e tinha a vida pela frente. Cenas divertidas ficaram várias, desde pegar à primeira no cimo da Penha depois de o BMW novo estacionado ao lado não o ter conseguido, até à roda que saltou numa sexta à tarde, feriado, a subir para Vieira do Minho, levando a uma caminhada noturna ao Bom Jesus e à espera pela visita do mecânico ao sucateiro no dia seguinte.



E histórias mais privadas também as houve, ficar sem gasolina em frente à praia já de noite, com regresso no UMM da GNR até à praça de táxis mais próxima, ou a capa negra a servir de agasalho em noite de serenata.



A verdade é que era meter gasolina e arrancar, aquele som inconfundível do ronronar compassado a encher o habitáculo, o movimento pendular da suspensão da frente quando se mudava de velocidade, um deleite para quem sempre apreciou os automóveis. Muitos anos mais tarde foi o olhar embevecido para outra igual, às portas de Veneza, com matrícula portuguesa.



Contas feitas já foram uns quantos clássicos a deixar memórias sonoras, olfativas, afetivas, o 124, a VW pão de forma, a 4 L, a tal que era GTL, o Terrano, mais recente e até, de raspão, o Corolla 1200 e a subida do Cávado ao som de Vivaldi.

6 comentários:

  1. Oh... eu queria tanto uma pão de forma. Mesmo muito.

    ResponderEliminar
  2. Aquelas a gasolina já são raras, mas ainda apanhas uma Transporter a gasóleo a bom preço. E com as biclas atrás dá uma fotografia invejável :)

    ResponderEliminar
  3. Adoro as pão de forma...nunca pensei ter uma, mas pensei ter uma autocaravana ( já em condições, jeitosinha) e correr mundo em 4 rodas, com uma bicla atrás...Tive um VW pólo, G40 vermelho que andava que se desunhava e que soube mais tarde ser apelidado do carro assassino porque montes de gente nova morria ao volante daquele modelo, andava muito, e era leve.

    Boas estórias...cheias de peripécias.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. AC, aquela pão de forma não foi devidamente valorizada, eram outros tempos e outras ambições, mas valeu pelo tempo que serviu. O G40 era fantástico, em menos de um fósforo o ponteiro do conta-rotações batia no fundo, nas 7000 rpm. Não tive nenhum, mas andei algumas vezes num deles.

      Eliminar
  4. Tenho um vizinho que tem uma pão de forma, toda arranjada e pintada de amarelo. Um espetáculo, são mesmo giras :) Faço uma pequena ideia das aventuras...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. GM, são iguais às de todos os outros, uns na pão de forma, outros nas Transit, outros nas Hiace :)

      Eliminar

Dá mais uma chapada, mas com jeitinho