terça-feira, 26 de maio de 2015

Princesa


Quinze anos. Roubava-lhe os caracóis muito louros quando a acordava para ir para a escola dos pequeninos, aquela que nunca esqueceu, de que fala sempre com um brilho nos olhos. Saltava da cama num impulso para recuperar o cabelo, agora diz que já não os tem porque lhos tirei.

Adivinha-me os pensamentos, que será de mim quando me ler aqueles que não quero, sabe o que espero dela e gere as minhas expetativas de acordo com a sua determinação, cada vez mais forte, naquela personalidade em construção nos valores que leva de casa, mas já tão marcada pela sua própria cabeça.

Agarra-se ao pai com tanta força que me pergunto como será no dia em que entrar em casa agarrada a um barbudo, de quem não reclamará como agora faz contra a barba de fim de semana.

Dá-me medo, não de a deixar ir, essa é a ordem natural e nada tenho contra, não negarei aquilo que reclamei, mas por não ser capaz de terminar a tarefa, é irracional, eu sei, o campeão da racionalidade, mas alguma ponta de emotividade há-de aparecer em dias em que se olha para trás e o ontem já está tão longe.

4 comentários:

  1. E ela terá, cada vez mais, amor e admiração pelo homem que a educou e a ama como ninguém, ainda que tenha um outro homem ao seu lado. Acredita! As filhas amam os pais com uma força inexplicável. Eu sei!

    Beijos, Ness, e parabéns! :)

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  2. Obrigado, Maria :) E obrigado pela forma como falas dos afetos, todos eles :)

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  3. Parabéns ao pai babado e à sua Princesa. :)

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Dá mais uma chapada, mas com jeitinho