terça-feira, 19 de maio de 2015

É longo mas tem mensagens importantes


Foi uma prenda adiantada da quarta classe, porque o padrinho o tinha prometido um dia, sabendo-se condenado por uma doença que agora tem cura na grande maioria dos casos, a avó que não madrinha por desgosto de não o ter sido para o primeiro neto que apenas o foi por três dias cumpriu o desígnio do marido falecido e ofereceu a bicicleta de roda pequena à frente e três velocidades com alavanca no quadro, entre o assento e o guiador.


Dali até à entrada na faculdade foram muitas tardes a percorrer quantos caminhos de terra havia nas redondezas, numa área continuamente alargada à medida que a força nas pernas aumentava e a procura por caminhos novos também, sempre a imaginar-se ao volante dos carros de rali que preenchiam as páginas das revistas e jornais religiosamente lidos logo que saíam para as bancas.


Depois, com um dos ordenados iniciais, foi a entrada na moda que despontava lentamente das novas bicicletas de montanha, com pneus largos e dezoito combinações possíveis para desmultiplicação da pedalada, a juntar aos travões do tipo vê, v-brake na notação inglesa. Depois os amortecedores, os travões de disco e a adição da bicicleta de estrada, porque nessa é que se ganha potência para longas maratonas, a menos que se possa andar na outra todos os dias.


A moda das bicicletas é recente para as grandes massas e, paradoxalmente, aumentou com o agravar da crise económica, será pela saída dos ginásios ou por mudança de mentalidade ou por simples processo de seguir o rebanho. O efeito é de tal dimensão que os municípios desataram a construir ciclovias, os passeios organizados atingiram dimensões gigantescas e até já se fazem peregrinações em duas rodas. O reverso da medalha é a convivência com os restantes utentes das vias públicas, peões e automóveis. Se a convivência com os peões pode não ser pacífica mas não tem grandes consequências físicas, já a relação com os automobilistas se pode tornar conflituosa e até mesmo ameaçadora para a integridade física dos ciclistas, como se pode, infelizmente, concluir por este post da virtual muito amiga e simpática AC. É certo que há uma mentalidade ainda dominante entre os automobilistas de que têm sempre prioridade sobre os ciclistas mas também é verdade que aqueles não estão habituados à lentidão dos ciclistas nem estes estão preparados para andar em estrada.


O ciclismo desportivo é mais uma vertente do lazer em bicicleta que está em franca expansão e tem particularidades muito diferentes do simples andar de bicicleta. É praticado preferencialmente em grupos, que podem ir de dois elementos até duas dezenas ou até mais. Não é compatível com as ciclovias, quer porque nestas circulam ciclistas de todas as idades e ritmos de pedalada, quer porque os peões andam muito perto e até na própria ciclovia. O ciclista desportivo, ainda que amador, pode atingir médias superiores a 30 km/h, pedalar 200 km num dia e atingir velocidades de ponta superiores a 60 km/h.


Estas caraterísticas colocam problemas de convivência com os automobilistas, muitos dos quais não entendem que andar de bicicleta pode ser encarado como um desafio pessoal de desenvolvimento muscular, semelhante a qualquer outro desporto praticado com empenho e dedicação. Claro que requer cuidados especiais da parte do ciclista, que deve ter a noção de que a bicicleta é o elemento mais frágil da equação e que há regras de trânsito a cumprir.


Noutra vertente do uso de bicicletas deve reforçar-se que não se deve usar as passadeiras para atravessamento enquanto ciclista, porque a chegada à passadeira é muito mais rápida do que quando é feita por peões e pode impedir a travagem a tempo de evitar o embate por um veículo automóvel.


Para que se evitem desfechos de infortúnio como o relatado pela AC.

4 comentários:

  1. Neste país Ness a regra da prioridade é esta: quem anda mais rápido tenta passar primeiro e depois quem se trama é sempre o ciclista que não pedala a 100 à hora. Neste caso que relatei do miúdo atropelado foi um carro que não parou num stop e o abalroou quando ele lá ia nas calmas da sua vidinha.

    É preciso evitar a todo o custo que situações destas se repitam, acho que todos nós temos que abrandar o ritmo, reduzir a velocidade e viver mais calmamente... e olha que contra mim falo que tenho dias que parece que ando a mil.

    Gosto sempre de vir aqui. Obrigada pelo carinho e simpatia com que sou sempre recebida nesta tua casa.

    Beijinho

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    1. Olá AC :)

      Tens toda a razão, andamos todos feitos baratas tontas às voltas sobre nós próprios sem chegar a lado nenhum e, pior do que isso, a atropelar-nos uns aos outros, alguns infelizmente no sentido literal.

      Obrigado pelas tuas palavras :)

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  2. Esta é uma questão com a qual me deparo algumas vezes quando ando na estrada ou nas ciclovias, há por vezes um desrespeito por parte dos automobilistas e algumas vezes também por parte de alguns ciclistas. Por isso gosto mais do puro btt, por pinhais, serras, estradões, aí também existem perigos, mas são diferentes. Nas estradas os perigos são muito mais graves...

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    1. GM, eu sinto-me muito mais seguro no btt, sem dúvida, além disso é muito mais divertido. Mas a estrada vicia, a facilidade com que se percorrem distâncias grandes, à escala da bicicleta, em pouco tempo faz querer mais na semana seguinte. Falta-nos a cultura da bicicleta, tão enraizada em alguns países do norte da Europa, tenho esperança que para lá caminhemos :)

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Dá mais uma chapada, mas com jeitinho