Não
se pode fumar no interior de uma sala de cinema. Mas pode-se comer pipocas.
Pode-se remexer o recipiente de cartão e deixar o vizinho do lado quase às
portas da loucura com o restolhar das bolinhas explodidas de milho. Se é para
comer aquela merda, que não passa de uma dúzia de grãos de cereal revestidas de
açúcar, porque é que não se limitam a pegar nelas uma a uma, silenciosamente, e
mastigá-las com a boca bem fechada, que já basta o cheiro enjoativo que largam
quando ainda no pacote. É preciso dar-lhes a volta, sabe-se lá a escolher o
quê, já que se acaba por comer tudo, fazendo uma chinfrineira que se ouve na
sala mais longínqua? Ou será que o objetivo é apenas chamar a atenção, vejam,
olhem para mim, eu estou aqui, sou uma gorda desconsolada que ia ver a nova
comédia nacional mas como já não havia bilhetes acabei por vir parar a esta
sala e quero lá saber que os outros se estejam a tentar concentrar para
perceber como se ligam estas personagens que o realizador entendeu meter em
cenas desligadas para prender a atenção do espetador.
Valha-nos
a cena de ginástica de alta escola sobre o para-brisas do Ferrari amarelo,
primorosamente descrita pelo Javier Bardem. Ficará, sem sombra de dúvida,
registada nos anais da cinematografia pela reinvenção do erotismo na indústria
automóvel. E a comparação com o peixe limpa-fundos não lembraria ao diabo.
Nota: na sequência de uma atenta observação de uma das minhas mais dedicadas leitoras corrigi as palavras compostas para-brisas.
Nota: na sequência de uma atenta observação de uma das minhas mais dedicadas leitoras corrigi as palavras compostas para-brisas.
Desculpa que te diga, Ness, mas achei ali uma frase bastante deselegante de tua parte. Até pode ter sido o caso, acredito que próximo de ti estivesse uma rapariga gorda, mas não me parece que comer pipocas seja feito somente por "uma gorda desconsolada que ia ver a nova comédia nacional mas como já não havia bilhetes acabei por vir parar a esta sala e quero lá saber ...". Algo exagerado. Foste infeliz e exagerado, quanto a mim, na escolha do exemplo, mas tens razão no teu "point": irritam à brava.
ResponderEliminarEstou com a Pseudo!
ResponderEliminarHoje não reconheço, meu amigo!... apesar de que entendo a tua irritação.
Beijos silenciosos
(^^)
Ui! Não posso pôr o pé em ramo verde que levo logo dois puxões de orelhas. Eu ia deixar ali uma etiqueta para o marcador exageros, mas acabei por não a deixar. Já percebi que tinha logo esclarecido muita coisa. Ó pá, não havia maneira de a senhora acabar com o balde. Que praga!
ResponderEliminarFolgo em ver que, afinal, ainda usas "português arcaico" na tua escrita :P
ResponderEliminarEstás mal informada. Depois criticas :P
ResponderEliminarPrescinde-se de acento gráfico para distinguir palavras oxítonas homógrafas, mas heterofónicas/heterofônicas, do tipo de cor (ô), substantivo, e cor (ó), elemento da locução de cor; colher (ê), verbo, e colher (é), substantivo. Excetua-se a forma verbal pôr, para a distinguir da preposição por.
Será que estou? :)
ResponderEliminarhttp://www.priberam.pt/dlpo/p%C3%A1ra-brisas
Enganei-me, carago! Mas esclarece-me, no comentário referias-te ao texto ou ao meu comentário anterior? :P
ResponderEliminarO meu segundo puxão de orelhas, de carácter ortográfico, referia-se à tua primeira frase do teu último parágrafo. :)
ResponderEliminarCito: "Com o Novo Acordo Ortográfico, não se acentuam as palavras graves:
-(...)
- homógrafas de palavras com vogal tónica aberta ou fechada:
(á) forma do verbo "parar" e (preposição)
-(...)
In, Gramática Prática de Português, Raiz Editora, 2013; pág. 38
Falta "para" antes de (á) e "para" antes de (preposição), bem como as aspas a seguir ao último parêntesis. :)
ResponderEliminarSim, esse eu já tinha percebido, só estava a ver se te tinha apanhado distraída com o pôr :)
ResponderEliminarEu escrevo aqui segundo o novo AO, para me ir habituando e poder aprender, como foi o caso :)
Mingana keu gosto :P
ResponderEliminarA palavra em questão, a tal escrita por ti, com acento mas que afinal já não o leva, é uma das que não faz sentido nenhum alterar: se "pôr" não vê o acento eliminado, precisamente para se distinguir da preposição, porque é que "para" é decapitado de acento, não se distinguindo na ortografia da preposição "para", apenas na fonologia? Incoerências dum desacordo :)
E quando as pipocas são partilhadas e o parceiro não sabe se o balde tem muitas ou poucas e remexe ainda com mais força, mergulhando a mão atoda a brida?? JASUS!
ResponderEliminarBeijinhos Marianos! :)
Maria, a senhora repetia esse gesto até à exaustão, mesmo sem partilhar. Parecia que estava a remexer as rodinhas do loto :)
ResponderEliminarIa para comentar a cena das pipocas mas com tanto comentário sobre ortografia até perdi a vontade.. Eu ainda sou do tempo em que farmácia se escrevia com PH :) não escrevo de acordo gom o novo AO e por isso farto-me de dar erros.
ResponderEliminarAgora que já desabafei, acho que giro, giro e pisar algumas pipocas a saída do cinema e ficar com elas coladas ao sapato de tal forma que tenho de as descolar bom o dedo.... Blhac!
Olha, não sei se te chame Gaja, se Maria, acho que o melhor é D. Gaja Maria :) Eu também sou desse tempo, mas os mais novos escrevem de acordo com o acordo, por isso o melhor é mesmo modernizar-me. Daí a guerra que mantenho com quem insiste em se agarrar ao passado :)
ResponderEliminar(Ontem levei tantas que já devia ter aprendido a estar caladinho)
"agarrar" ao passado? Se fosse o caso, eu não te tinha corrigido com 100% de certeza que eu estava certa e tu errada quando à caligrafia da palavra em questão. Se eu estivesse agarrada ao passado, eu nem sequer conheceria o AO de 1990, que tanto defendes, nem o usaria no meu local de trabalho. Discordar da sua aplicação não é, quanto a mim, estar agarrada ao passado. É ser teimosa ou casmurra ou persistente ou convicta quanto aos meus argumentos. :)
ResponderEliminarOu tu concordas com todas as mudanças que querem impor-te, independentemente da sua natureza? Onde está o teu espírito crítico? Na barriga da tua mãe, lá bem no passado? :)
Desculpa lá, não se trata aqui de concordar ou discordar. Foi um acordo assumido pelo governo português, não sendo jurista entendo que tem força de lei, logo é para aplicar. Se for decretado que a velocidade máxima na autoestrada é de 100 km/h eu até posso não concordar mas tenho que cumprir. São regras elementares da democracia :)
ResponderEliminarEu sei que tu sabes muito mais do AO do que eu. E posso concordar que há situações que parecem ter sido resolvidas em cima do joelho. Mas acho que na maior parte dos casos as alterações refletem melhor a linguagem falada e a simplificação na escrita. Na escrita inglesa, e vou meter-me numa camisa de nove varas, não são necessários acentos nem se dobram consoantes. Por que razão necessitamos nós do cê cedilhado e dos acentos gráficos? Os alemães, que são os alemães, já aboliram o esszet e os tremas da escrita. Nós não o podemos fazer relativamente aos nossos carateres especiais? Porque não escrevemos cansaum?
Desculpa lá, AQUI, no teu blog, trata-se precisamente de concordar ou discordar com aquilo que o governo português acordou. Ou lá porque eu sou obrigada a aplicá-lo e usá-lo - e faço-o na escola, é um facto - não posso usar o meu direito, como ditam as regras elementares da democracia, de dar a minha opinião sobre o assunto, onde e quando bem me aprouver?
EliminarGosto de saber que cumpres com todas as leis que te impõem (ou não, pois duvido que cumpras com os limites de velocidade :P).
E no alemão o quê?? Acho que estás mal informado. :)
Ok, escreve "canssa" ou era "canssaum"? então...afinal é como se lê, certo? :)