quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A paixão à portuguesa

Bastava ter ganho os dois jogos a Israel. No final das contas, até chegava ter vencido um deles. Dito de outra forma, era suficiente uma única das três acelerações de ontem do Cristiano para ter resolvido tranquilamente a questão da qualificação. Não haveria mais dois jogos, teria sido mais limpo e menos emotivo.

Mas isso seria como aqueles casamentos do tipo olá querido, correu bem o teu dia, correu muito bem então e o teu, o meu também correu bem, liga a televisão para vermos as notícias. Nós, portugueses, não somos nada disso, se mais provas fossem necessárias juntar à inevitabilidade dos play-offs para a coesão nacional, cá temos a nova cruzada de fazer de conta que recuperamos a independência nacional no dia em que os ditadores do orçamento forem embora. Curiosamente, o calendário é um cabrão sádico, isso acontecerá precisamente por altura do campeonato para o qual finalmente nos qualificámos, pelo que São Cristiano terá nos pés a capacidade de dar ao governo a paz necessária para negociar o famoso programa cautelar que garantirá, novamente, a ausência de responsáveis nacionais pelas políticas de austeridade. O que, convenhamos, representa a única forma de ter uma direção política definida.

2 comentários:


  1. Somo um povo latino e, por isso, passionais!
    Sofremos muito... e com estas coisas de paixões, como a dos "futebois", somos arrebatados. A prova está na forma como todos sofremos em frente ao televisor ontem à noite e explodimos de alívio ao ver que a bola entrou na baliza deles reforçando a margem de segurança que já levávamos da Luz.

    Uns dizem "a religião é o ópio do povo"... outros que "o trabalho é o ópio do povo"... mas eu, definitivamente reafirmo que "o futebol é que é o ópio do povo". Por isso no verão do próximo ano temos muitas cruzadas pela frente... mas o futebol vai continuar a ser REI.


    Beijinhos majestosos
    (^^)

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    1. Ditinha, nós temos vários ópios, o futebol é um deles. E temos uma grande capacidade de inventar alguns, tipo Timor. Somos assim desde o berço da nacionalidade e não mudaremos, a julgar pela história de mais de 8 séculos :)

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Dá mais uma chapada, mas com jeitinho