segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Lembrando o rei de Espanha

Tenho um grande respeito, cada vez maior, pelos idosos. Quando penso que as sociedades que ainda se regem por leis tribais confiam os seus destinos aos mais velhos, penso que todos poderíamos beneficiar se essa regra fosse adaptada ao governo dos países ditos democráticos, que cada vez mais tendem a desprezar a sabedoria de quem já passou por quase tudo na vida e sabe prever nas palavras e atitudes dos mais novos as suas verdadeiras intenções. Naturalmente, há gente nova com enorme capacidade e maior motivação para dirigir, mas cada vez é mais difícil conseguir escolher essas pessoas dentre um numeroso grupo que utiliza técnicas cada vez mais sofisticadas para se fazer sobressair, apenas pela vontade de ser conhecido a todo o custo.

Voltando aos idosos, aprecio neles a qualidade da discrição, muitos sabem exatamente o que se passa no mundo que os rodeia, seja na esfera familiar ou no universo mais alargado do público, mas mantém-se calados até que alguém lhes peça ajuda. Já me entristece quando vejo que há outros, que até tiveram papéis muito relevantes à escala das nações, onde granjearam respeito e admiração, que tentam usar os seus créditos em prol de objetivos sectários, quiçá até pessoais, fazendo afirmações de grande exagero e a roçar o ridículo. E eu fico hesitante entre a falta de lucidez que me custa admitir em quem tanto tempo se mostrou muito perspicaz e a tentativa de subverter um sistema apenas porque se deixou se fazer parte dele. Seja qual for a razão, fico incomodado.

1 comentário:

Dá mais uma chapada, mas com jeitinho