Tivesse eu a possibilidade de fazer apenas o que me dá na real gana, como
aconteceu durante a adolescência e uma parte do início da vida adulta, e
agarrava na bicicleta e percorria o país inteiro durante umas boas três
semanas. Já tive uma fase de muita estrada de carro, já tive outra fase de
querer ver outras paragens garantindo o meu próprio sustento durante a estadia
fora de portas. Neste momento gostava de percorrer as vilas deste país e as
estradas que as ligam com lentidão e sem outra produção de dióxido de carbono
que não a da minha própria respiração.
Sendo independente e autónomo pergunto-me por que razão não conseguiria
viver emocionalmente sozinho. Quando entro numa estrada não me contento sem lhe
chegar ao fim. Quando uma mulher bonita me deixa entrar no mais fundo da sua
cabecinha, tenho que saber o que se esconde para lá de cada curva, numa viagem
sem fim à vista. Felizmente conheço poucas mulheres que escondam frondosas
paisagens floridas e coloridas para lá da fronteira que o meu passaporte
permitiu transpor.
