terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Fim de ciclo


Sempre gostei de carros, não foi por acaso que fui parar a uma profissão que a eles poderia estar intimamente ligada, muito embora por artes do destino não trabalhe nesse ramo.

O primeiro automóvel que comprei obedeceu a três critérios de racionalidade, teria que ser fiável, estar em bom estado e não ser caro. Feita a pesquisa optei por juntar um critério de irracionalidade, que foi a aptidão para andar por terrenos não pavimentados. Escolhi um Renault 4, das últimas séries, já na versão GTL, que conduzi durante três anos e me deixou imensas boas recordações.

Mas o bichinho de um verdadeiro todo-o-terreno não deixou de morder e a oportunidade apareceu dois anos após a venda da chamada 4L. Foi então que comprei o que queria, um veículo de quatro rodas motrizes, com caixa de transferência, vulgarmente denominado de redutoras. O objetivo inicial, de andar no monte, pouco passou de umas centenas de quilómetros de estrada de terra e uns quantos estradões mais estragados, já que rapidamente concluí que era muito mais excitante e incomparavelmente mais barato andar no monte de bicicleta. Além de mais saudável. Mas o dito jipe não ficou na garagem, passou a andar de casa às costas pelo país inteiro e mesmo pelos países vizinhos mais próximos, permitindo cumprir o sonho antigo de conhecer novas paragens. Além disso, sempre permitia estacionar nas praias em locais inacessíveis aos veículos tradicionais, fazendo com que a alavanca pequena mantivesse algum uso, ainda que reduzido. Os mais novos sempre foram adeptos incondicionais do veículo, protestando sempre que se insinuava ao de leve que fosse a possibilidade de o deixar ir embora. Foi sendo religiosamente bem tratado, sabendo que não era um desporto barato e que a qualquer momento um acontecimento com responsabilidade alheia poderia terminar com a brincadeira. E foi precisamente o que aconteceu, felizmente sem qualquer consequência física para os habituais quatro ocupantes. Um veículo com dezoito anos de existência não merece ser cuidado das mazelas que sofreu, de acordo com a lei do país.

Foram catorze anos de peripécias, até a da viagem falhada à Suíça, interrompida à chegada a França e ainda não retomada. Os miúdos cresceram naquele carro. Mas é apenas um objeto inanimado e aquilo que senti no preciso momento em que, ao sair para avaliar os estragos, tive a certeza de que não o voltaria a conduzir, foi rapidamente ultrapassado pela pequenez dos sentimentos face à grandeza das relações humanas, essas sim verdadeiramente importantes.

Entretanto, a tarefa de levar a casa às costas para fora dos limites do país já tinha sido entregue a outro veículo, mais potente e, sobretudo, mais económico, pelo que, face aos valores entretanto exorbitantes para um carro semelhante, se fecha aqui um ciclo longo da minha vida. Ficarão as boas recordações e a vontade de que o substituto também deixe as suas.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Ó Pedro, vê lá se aprendes com o Tó Zé

O Tó Zé disse hoje que não defende a extinção da ADSE mas é a favor da sua reformulação. Isto, em Segurês, língua própria do Tó Zé mas nada diferente do antigo Socratês, quer dizer que a ADSE deve continuar a ser um subsistema mas de futuro as suas regalias serão as mesmas do SNS.

Eu acho que falta algo de Coelhês à linguagem do Pedro.