terça-feira, 13 de novembro de 2012

Mau demais para ser verdade

Vi o vídeo. Na realidade já o tinha visto no domingo à noite, encontrando-me afastado da televisão e sem ouvir o que se dizia. Achei, na altura, que era outra coisa qualquer, certamente sobre o mesmo tema, mas feito por quem teria objetivos satíricos. Não me passou pela cabeça que o mentor do projeto, Marcelo Rebelo de Sousa, concordasse em passar tal produção na televisão alemã.

Entendo que o tempo foi curto, entendo que havia falta de meios, já não entendo que se caísse no erro da precipitação e se desse o salto em frente num tema sério com a ligeireza de algo feito em cima do joelho. Portugal não é aquilo que se mostra no vídeo. O Zé Povinho? O travesti vianense? Os men-in-black representando a Troika e assaltando os nossos subsídios como se não os tivéssemos gasto em estradas e estádios e experiências ditas verdes? E o muro, senhores, nunca nenhum dos responsáveis do filme falou com alemães o suficiente para saber que o muro e as guerras são assuntos tão sensíveis para os alemães que a sua lembrança lhes provoca imediatamente mal-estar? E admiram-se pela receção negativa que por lá causou?

Senhores, o vídeo dos finlandeses foi certamente feito por uma só pessoa e sem sair do lugar. Será difícil fazer algo parecido?

Perdoem-me o tom negativista, eu gosto de Marcelo Rebelo de Sousa, eu apoio todas as iniciativas que nos engrandeçam em Portugal e no estrangeiro, mas repudio o que é mau, feito sem cabeça e apresentado precipitadamente porque a visita de Ângela Merkel estava iminente. Neste caso, como em tantos outros que nos levaram ao estado lastimável em que nos encontramos, a falta de rigor e de empenho só empobrece a nossa imagem no exterior.

1 comentário:

Dá mais uma chapada, mas com jeitinho