sexta-feira, 20 de abril de 2012

Um pouco mais de mim

A dedicada Paixão incluiu-me num desafio, cujas respostas seguem abaixo, ainda que com algum atraso motivado pela conjugação de afazeres pessoais com outros profissionais. Os tempos que vivemos são diferentes do comum das últimas décadas e presenteiam-nos com paradoxos pouco previsíveis. Mas isso são outros quinhentos. Cá vai o desafio:


O que te tira do sério: O ziguezague. Dizer agora que tomamos um caminho e no momento de o começar voltar atrás e dizer que afinal não é por ali.
A que cheiras: Gosto de pensar que cheiro a manhãs luminosas de Primavera.
A que sabes: Em simultâneo a doce e a salgado. Menta e chocolate.
O que gostas de ler: Aquilo que não sei escrever, Saramago, Lobo Antunes.
Sentes-te: Tranquilo, motivado, com vontade de percorrer o mundo de bicicleta.
O que te deixa com um sorriso nos lábios: A estrada desconhecida.
O que dizem os teus olhos: Que sou um otimista incorrigível, por vezes inconsequente.
O que me oferecias: Um livro de Gabriel Garcia Marquez, “O amor nos tempos de cólera”.

Não o vou passar a ninguém, mas será com inegável prazer que lerei as respostas de quem tiver a ousadia de continuar a corrente.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O meu primeiro beijo

Não foi desse que pretendi falar há alguns dias, mas devido às valiosas contribuições das minhas estimadas leitoras que contaram as suas experiências nesse campo senti-me compelido a partilhar também aqui a minha. Foi muito romântico, deixem-me que vos diga, tudo tinha começado algumas horas antes em casa de uma amiga, durante a assistência a um filme, eu estava ao lado da mocinha, cruzei os meus braços, ela fez o mesmo e os nossos dedos tocaram-se no espaço entre ambos. À saída acompanhei-a até casa, éramos todos vizinhos e debaixo de uma árvore com rebentos novos de Primavera, a coberto da noite, trocamos um beijo de despedida. Para mim foi breve, mas deixou-me nas nuvens e fez com que tivesse uma imensa dificuldade em adormecer. O primeiro com a língua foi no dia seguinte, na mesma casa e com a mesma pessoa, foi estranho a princípio mas rapidamente se tornou numa opção a desenvolver. Ainda recordo as tentativas com a boca completamente aberta e círculos desenfreados, ignorando completamente as potencialidades que tal órgão muscular oferece. A bem dizer, só ao fim de alguns anos e na procura de sensações tântricas é que me apercebi do verdadeiro valor da língua durante o beijo.

Tendo a Pseudo falado no assunto numa perspetiva diferente e interessante sob o ponto de vista da experiência, fiquei com a pulga atrás da orelha na tentativa de que ela dissesse quando mudou de ideias. Pelo que lanço agora aqui o desafio para saber quais as primeiras impressões quanto ao uso da língua como potenciador de estados de alma e em que altura se tornou inigualável.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Mau perder

Bateram-se com dignidade, com uma pontinha de sorte até podiam ter passado a eliminatória. Mas suspeito que alguém não esteja a olhar para o jogo com olhos de ver. Os ingleses passearam-se no campo, falharam golos incríveis e quando tiveram que marcar não deixaram de o fazer, em qualquer dos jogos. Não ouvi falar no golo do Rui Meireles, um prodígio de bem jogar à bola. E voltou a notar-se a agressividade dos jogadores, bem interpretada pelos árbitros, quer na expulsão de há duas semanas quer no segundo amarelo de ontem. Não há necessidade de entrar com os pitons em riste. O discurso dos dirigentes e do treinador é confrangedor, mesmo tendo em conta a grande penalidade nítida não assinalada no primeiro jogo.

O meu clube joga daqui a pouco e terá que ter muita concentração para ganhar a eliminatória. O golo marcado pelo Metalist no final do jogo de Alvalade torna a tarefa muito complicada. Não acredito que seja fácil, muito embora reconheça que seja possível. Espero que não haja desculpas esfarrapadas em caso de desaire.

Na segunda é o jogo com o Benfica. Acredito que a raça de Sá Pinto seja capaz de contagiar os jogadores.

terça-feira, 3 de abril de 2012

O beijo


Investiu no beijo. Porque chegou à conclusão de que é capaz de uma catarata de emoções, por si só tem a capacidade de libertar os sentidos, concentrando-os no prazer sublime do toque leve mas intenso da pele fina dos lábios. Essa leveza, quando explorada no limite da sensibilidade, produz tal explosão de erotismo que suplanta em muito toques ardentes e palavras incendiárias. E quando as línguas entram em acção, então o resultado pode tornar-se devastador.