quarta-feira, 7 de março de 2012

Das áreas de serviço


Tenho uma visão quase mítica das áreas de serviço das auto-estradas ou daquelas estações de serviço das antigas estradas nacionais que se encontram isoladas do mundo exterior. Em Espanha até parecem cenários de filmes americanos. Quem as usa fá-lo como complemento das viagens que empreende, uns em meio profissional, outros por prazer ou simplesmente como forma de chegar a um local distante. Eu uso-as mais vezes em contexto profissional, mas como tenho o estranho prazer de percorrer grandes distâncias por via rodoviária durante as férias também as frequento por motivos lúdicos. Por vezes tento imaginar de onde vem e para onde vai aquela família que está sentada na mesa ao lado, por onde já andou o casal da auto-caravana italiana ou quantas estradas diferentes já percorreu o camionista que dormita na cadeira de praia, à sombra do mastodonte que conduz. Outras vezes observo o rosto da senhora que me serve o café do lado de lá do balcão, na esperança de ler o seu pensamento enquanto me olha. Tentará adivinhar porque estou eu ali, o que faço na vida, estará contente por morar longe da confusão das grandes metrópoles ou sonhará ser o viajante que descansa por uns momentos antes de se voltar a fazer à estrada a grande velocidade?

Muitas vezes olho para as casas térreas com jardins e uma horta para toda a família ao lado das quais passo e imagino o sossego que será ali viver, sem filas de trânsito nem encontrões no supermercado. E penso em como ansiaria pelo ritmo frenético da cidade se ali morasse.

10 comentários:

  1. Eu tenho pensamentos do género quando me ponho a observar as pessoas na Praça da Restauração do Minho Center ou mesmo quando entro no Continente. :)

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  2. Pseudo, mas tu é mais do tipo olha ali aquela pindérica que não sabe andar em cima dos andaimes e vai mais pintada do que os graffitis do muro da estação :P

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  3. Nada disso, rapaz. Quando comento mentalmente, com os meus botões, os outros e as outras, normalmente - não quer dizer que não haja excepções - é para elogiar :P "casaco giro, cara bonita, gostava de conseguir manter as unhas assim, rebeubeubéu pardais ao ninho" :)

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  4. Essa das unhas é um mistério para mim, haverá gente que trata das nails todos os dias ou quem as tem tratadas não é mãe de família? Porque à quantidade delas que vejo, não acredito que sejam todas professoras casadas com diretores gerais de um qualquer organismo da função pública :)

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  5. A julgar pelo que vejo, pelas cores diferentes que observo diariamente, há mães de família que o fazem e nem todas são professoras. Tens cada uma. Não sejas tu preconceituoso, sim? :P...quem não é casado com um director geral de um qualquer organismo de função pública não as pode tratar diariamente? Não sabes que a aparência conta muito, em muitas profissões? :P
    No meu caso, é mais falta de paciência do que outra coisa.

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  6. Olha, deixou-se picar :P

    Pela minha experiência, quem trabalha em casa, suponho que a grande maioria, não consegue tratar das mãozinhas e do cabelito e de mais muita coisa diariamente. Com sorte, só ao fim-de-semana :)

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  7. Não me deixei nada picar, mas esperavas mesmo que a minha boa disposição de hoje não retorquisse? Não foi tua intenção provocar quem te lê? :) Não me serviu nenhuma carapuça, meu querido :)

    Quem trabalha em casa pode, se quiser, tratar disso diariamente, pah. Haja vontade e paciência e muito verniz enquanto se vê televisão.

    Que desconhecedor me saíste :P

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  8. Impressionante é quando encontramos alguém conhecido nas áreas de serviço, sério, fico sempre de boca aberta com a coincidência.

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  9. Ainda esta semana parei em diferentes áreas de serviço ao longo do meu trajecto..e o único pensamento que me ocorreu foi que são lugares de passagem, impessoais, de conveniência para necessidades básicas, e caros para caraças..um café um euro e meio? Vão chular o catano!

    Detesto áreas de serviço e sempre que posso vou por estradas nacionais secundárias..muito mais fixe.

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  10. Vera, sim, a probabilidade é grande, se bem que fico mais impressionado com as pessoas que encontro quando estou de férias em locais longínquos e geralmente pouco frequentados :)

    AC, essa perspetiva também é verdadeira, mas eu associo-as a férias e viagens longas, que me ficam na memória e por isso gosto destas pausas sem relógio. Quanto às nacionais, também já te tinha dito que gosto delas e sou frequentador habitual, até porque em férias vou devagar, por levar a casa às costas, e a auto-estrada pouco me vale, além de ser cara.

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Dá mais uma chapada, mas com jeitinho