sexta-feira, 9 de março de 2012

A chegada do tempo quente


O dia cheira a Primavera, o céu de um azul metalizado empresta um tom apenas um pouco mais escuro ao espelho de água que enche o horizonte. A seus pés estende-se o tapete verde que se prolonga até à água, ao longe avistam outro verde, o dos pinheiros da margem oposta, levando-os a inspirar profundamente o ar ameno esquecido durante o Inverno. Lígia sente-se de novo adolescente, lança um riso breve, quase gritado, avança dois passos e tira a camisola de uma só vez, num gesto tão rápido como teatral. Vasco percebeu imediatamente onde iria parar a brincadeira, deixou-a ganhar a distância suficiente para que começasse sozinha a livrar-se da restante indumentária e atirou-a ao chão de areia no momento em que tinha desapertado os botões das calças de ganga. Lígia, às gargalhadas, levantou as pernas para que Vasco lhe puxasse as calças, levantou-se de um salto e ajudou-o a livrar-se da camisa e dos seus jeans. Vasco beijou-a, pegou nela ao colo e dirigiu-se para a água, fazendo com que mergulhassem em simultâneo. Depois dos risos e beijos que a excitação do momento impunha, Lígia lembrou:

-         Tenho a minha roupa interior vestida!
-         Não faz mal, tiro-ta e ponho a secar.
-         E enquanto seca?
-         Não podemos sair da água.
-         Vou ficar com a pele enrugada.
-         Não, eu aqueço-te quantas vezes for preciso para que não tenhas frio.

Saíram da água pouco depois, subiram apenas alguns metros até à intimidade proporcionada por um velho carvalho, sobre o tapete relvado aconchegante. Depois de colocar as peças molhadas ao sol, Vasco entendeu a toalha que trouxera na mochila de passeio e cumpriu a sua promessa, comemorando desta forma perfeita a chegada dos dias quentes.

10 comentários:

  1. e sede... de repente fiquei com muita sede!
    :)

    ResponderEliminar
  2. Luigi e Vânia, os dois cachopos que viviam nas terras ali por perto, conhecedores deste cantinho secreto, predilecto dos amantes à procura de sensações aquosas, andaram pé-ante-pé até ao local onde a roupa estava pendurada a secar e sorrateiramente e rindo baixinho, surripiaram a indumentária dos outros dois, tão entretidos nos seus afazeres. :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pseudo,
      É impossível não esboçar um sorriso malandro e começar a cantarolar a música do Nel Monteiro..."ai como é que eu hei-de (x3) ir embora, com as perninhas todas à mostra..."

      :)

      Eliminar
    2. HAHAHAH...Orquídea, consegues ser pior do que eu. Mas concordo absolutamente contigo. É A música adequada a esta situação. :)

      Eliminar
  3. Amanda, aquela pode beber-se embora haja melhor bem próximo; mas diz-me, é sede de saciar com água?

    ResponderEliminar
  4. Pseudo, a mim parece-me que não será um problema preocupante, se se limitar às peças húmidas; mas parece-me, isso sim, um excelente prólogo para a continuação da historia. Não quererás escrever mais dois parágrafos, não?

    ResponderEliminar
  5. E estragar-te ainda mais o momento? :P

    ResponderEliminar
  6. A chegada do tempo quente é super inspirador. A primavera exerce um enorme fascínio e magia sobre todos nós.

    Beijinhos primaveris :)

    ResponderEliminar
  7. Orquídea, é inspirador e às vezes até incómodo, à força de provocar pensamentos inconvenientes em alturas de necessidade de concentração ;)

    ResponderEliminar

Dá mais uma chapada, mas com jeitinho