sexta-feira, 30 de março de 2012

Parece que me enganei

Às vezes engano-me. Habitualmente não gosto, tenho o meu ego e se for a ver bem as coisas é capaz de não ser tão pequeno quanto a ideia que tenho dele. Mas de longe a longe até gosto de me enganar. Disse aqui há tempos que não me agradava a troca de Domingos Paciência por Sá Pinto. Uma das razões, talvez a mais forte, é porque a minha personalidade está mais próxima do primeiro. Mas a verdade é que Sá Pinto voltou a fazer com que o Sporting fosse uma equipa, seja lá porque conhece os cantos à casa, seja porque consegue motivar mais os jogadores. Pela minha parte voltei a ter prazer em ver os jogos do meu clube, ainda que pela televisão, dada a distância ao campo da bola e a opção consciente de despender do meu dinheiro preferencialmente para outros divertimentos.

Continuo a ter grossas dúvidas sobre a manutenção da pose equilibrada que Sá Pinto tem mostrado. Custa-me acreditar que de um momento para o outro deixe de ter picardias com aqueles com quem trabalha. Mas tenho que reconhecer o bom trabalho que realizou desde que tomou conta da equipa. E espero que nos proporcione algumas alegrias, das tais que não enchem a barriga mas nos deixam com o espírito elevado e um sorriso nos lábios.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Conversa de bancada

Eram três, alguns metros atrás, a mais velha não teria mais de 14 anos. No meio de várias conversas, incluindo chamadas de telemóvel, sai esta: “Eles não eram casados, estavam numa relação aberta”.

Numa quê? Fiquei a pensar, o que é uma relação aberta? Qual será, na cabeça de uma miúda pré-adolescente, a distância entre o casamento e uma relação aberta?

sexta-feira, 16 de março de 2012

Swimmimg pool update

Acordei com uma pontada no pescoço, assim aqui do lado esquerdo, que aumenta quando inclino a cabeça para a direita. Também dói quando a rodo para a esquerda, o que é chato quando tenho que prestar atenção ao trânsito desse lado.

Mas não era disso que eu queria falar, mas sim confirmar que fui 55 segundos mais rápido do que na terça-feira. E, não obstante a dita pontada, fui 9 segundos mais rápido do que na semana passada. Não fora a lesão e tinha cumprido o objetivo de baixar dos 45 minutos.

E como imagino o teor de alguns dos comentários, mato já duas coelhas: sim, é uma desculpa esfarrapada e sim, não havia uma única nadadora na piscina.

terça-feira, 13 de março de 2012

Mistério aquático


Tento manter o bom hábito de ir à piscina duas vezes por semana. Apesar de ver os miúdos nas pistas ao lado a passarem por mim como se levassem barbatanas nos pés, ou como se eu arrastasse um petroleiro, o que vai dar no mesmo, passo ali três quartos de hora sem parar, o que me deixa muito satisfeito, dada a minha já avançada idade. Há, no entanto, um mistério que me anda a intrigar. Sou cerca de um minuto mais rápido, o que equivale a cerca de um longo segundo a menos por percurso, para a mesma distância e igual programa, na segunda sessão semanal, que tem sido à sexta-feira. Será o cheiro a fim-de-semana? Não sei, não encontro explicação racional, não tenho sequer distrações a meio da semana, não sei bem porquê mas as poucas sereias que de vez em quando me faziam voltar a cabeça e me torturavam passeando-se em trajos menores nas pistas ao lado parecem ter emigrado para águas mais quentes.

sexta-feira, 9 de março de 2012

A chegada do tempo quente


O dia cheira a Primavera, o céu de um azul metalizado empresta um tom apenas um pouco mais escuro ao espelho de água que enche o horizonte. A seus pés estende-se o tapete verde que se prolonga até à água, ao longe avistam outro verde, o dos pinheiros da margem oposta, levando-os a inspirar profundamente o ar ameno esquecido durante o Inverno. Lígia sente-se de novo adolescente, lança um riso breve, quase gritado, avança dois passos e tira a camisola de uma só vez, num gesto tão rápido como teatral. Vasco percebeu imediatamente onde iria parar a brincadeira, deixou-a ganhar a distância suficiente para que começasse sozinha a livrar-se da restante indumentária e atirou-a ao chão de areia no momento em que tinha desapertado os botões das calças de ganga. Lígia, às gargalhadas, levantou as pernas para que Vasco lhe puxasse as calças, levantou-se de um salto e ajudou-o a livrar-se da camisa e dos seus jeans. Vasco beijou-a, pegou nela ao colo e dirigiu-se para a água, fazendo com que mergulhassem em simultâneo. Depois dos risos e beijos que a excitação do momento impunha, Lígia lembrou:

-         Tenho a minha roupa interior vestida!
-         Não faz mal, tiro-ta e ponho a secar.
-         E enquanto seca?
-         Não podemos sair da água.
-         Vou ficar com a pele enrugada.
-         Não, eu aqueço-te quantas vezes for preciso para que não tenhas frio.

Saíram da água pouco depois, subiram apenas alguns metros até à intimidade proporcionada por um velho carvalho, sobre o tapete relvado aconchegante. Depois de colocar as peças molhadas ao sol, Vasco entendeu a toalha que trouxera na mochila de passeio e cumpriu a sua promessa, comemorando desta forma perfeita a chegada dos dias quentes.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Das áreas de serviço


Tenho uma visão quase mítica das áreas de serviço das auto-estradas ou daquelas estações de serviço das antigas estradas nacionais que se encontram isoladas do mundo exterior. Em Espanha até parecem cenários de filmes americanos. Quem as usa fá-lo como complemento das viagens que empreende, uns em meio profissional, outros por prazer ou simplesmente como forma de chegar a um local distante. Eu uso-as mais vezes em contexto profissional, mas como tenho o estranho prazer de percorrer grandes distâncias por via rodoviária durante as férias também as frequento por motivos lúdicos. Por vezes tento imaginar de onde vem e para onde vai aquela família que está sentada na mesa ao lado, por onde já andou o casal da auto-caravana italiana ou quantas estradas diferentes já percorreu o camionista que dormita na cadeira de praia, à sombra do mastodonte que conduz. Outras vezes observo o rosto da senhora que me serve o café do lado de lá do balcão, na esperança de ler o seu pensamento enquanto me olha. Tentará adivinhar porque estou eu ali, o que faço na vida, estará contente por morar longe da confusão das grandes metrópoles ou sonhará ser o viajante que descansa por uns momentos antes de se voltar a fazer à estrada a grande velocidade?

Muitas vezes olho para as casas térreas com jardins e uma horta para toda a família ao lado das quais passo e imagino o sossego que será ali viver, sem filas de trânsito nem encontrões no supermercado. E penso em como ansiaria pelo ritmo frenético da cidade se ali morasse.

terça-feira, 6 de março de 2012

Não me consigo decidir


Ontem ouvi duas notícias, perdão, duas não notícias, que me deixaram indeciso sobre qual seria a mais idiota. Alguém me quer dar uma mão?

Primeiro foi a suposta polémica sobre as audiências. Uma vez ouvi uma explicação sobre como se fazem as avaliações, diz que colocam um aparelho em casas seleccionadas e sabem por essa via o que as pessoas estão a ver. Ora eu não conheço ninguém que tenha esse zingarelho, nunca ninguém me perguntou o que estou a ver na televisão, por isso concluo que a avaliação dos famosos shares deve ter uma base científica de elevado gabarito. Vir a companhia A dizer que o telejornal da RTP teve ontem uma quota de 20% e depois chegar a companhia B e dizer que foram 30% deve dar azo a pareceres científicos e teses de doutoramento até, pelo menos, ao ano 2078.

Não contentes com isto, ontem outros estudiosos fizeram saber que 40% dos portugueses disseram que não iam passar férias ao estrangeiro este ano. Espera, então isto quer dizer que 60%, números redondos tantos quantos os adeptos do Benfica, vão para o estrangeiro? Apelo desde já ao senhor primeiro-ministro que preste muita atenção a este facto, porque se calhar tem espaço para mais um aumento da dita austeridade, que afinal parece que não o é.

Como se nota, a crise não é só na economia.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Da dança da chuva

Gosto do cheiro da terra quente quando molhada, entra pelas narinas despertando metáforas de vales de relva com aroma inebriante, dilatados pelo calor de um sol cujo toque de raios intensos provoca arrepios, suspiros, batidas aceleradas e faz fluir o mel, prelúdio da dança da natureza em ritmos inicialmente calmos e depois em crescendo, ao sabor do aumento da temperatura rumo ao clímax estival que dá descanso aos corpos exaustos.