Portugal é um país corporativo. Há classes profissionais que moldam as leis de forma a protegerem-se, inclusivamente das ameaças daqueles que aspiram a fazer parte da própria classe. Há grupos que se fazem valer da dependência a que conseguiram votar a sociedade para exercerem pressões no sentido de terem regalias, mascaradas com o termo direitos, que se tornam claros abusos, desproporcionados relativamente aos seus concidadãos.
De vez em quando alguém com poder para o efeito aparece empenhado em alterar radicalmente este estado de coisas. Na maior parte das vezes a vontade desaparece rapidamente, ou porque a pessoa só pretendia fazer-se notar ou porque alguém do lado dos potencialmente afetados demonstrou que não era uma boa ideia.
Ontem ficámos a saber que em Espanha as coisas não serão muito diferentes. No entanto, a pessoa que detinha o poder avançou no sentido de alterar o estado da situação e acabou vítima daquilo que pretendia alterar. Tivesse sido por movimentação política, tivesse sido por influência corporativa, a verdade é que a caravana seguirá o seu caminho e o juiz justiceiro será mantido à margem. Aquilo que os delinquentes não conseguiram, travar o temerário juiz, foi alcançado pelos seus pares.
Já não sou partidário de soluções radicais, a menos de uma situação em que já nada mais reste do que passar uma esponja e começar de novo, o que até poderá nem estar tão longe. Mas isso seria um sistema completo e não só um dos pilares da sociedade. Entendo que vale mais vencer pequenas batalhas do que partir para a guerra pura e dura, já que o exército a enfrentar pode ser poderoso e aniquilar facilmente em general sozinho. Espanha perderá um dos seus mais empenhados generais, diminuindo-se assim a sua capacidade para moralizar aos poucos um sistema de vícios. Igual a tantos outros bem perto de nós.
Excelente texto com título a condizer. Parabéns.
ResponderEliminarSabes o que eu disse ontem à minha cara metade quando ouvi nas notícias falarem do Baltasar Garzon? Que este homem é um sobrevivente pois o que nunca lhe faltou foi gente com vontade de o matar. Fiquei perplexa com a notícia da sua condenação e subsequente impossibilidade de exercer a magistratura.
"The white knight was overthrown by the forces of darkness"
Um beijo :)