Ao longo de vários anos, em longas caminhadas, naquilo que agora se designa por autonomia, nas zonas mais elevadas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, sonhava com dias intensos de libertação de adrenalina ao volante de um veículo para todos os terrenos equipado com tracção integral e caixa de transferência para permitir subidas a locais inacessíveis ao comum dos automóveis.
Alguns desses pensamentos auxiliaram os dias igualmente longos imersos em livros, lápis e papéis que permitiram, anos mais tarde, com maior rapidez face à maior parte dos meus concidadãos, aceder a esse e a outros pequenos luxos.
Passei vários dias como tinha sonhado, chegando à conclusão de que a descarga de adrenalina era diretamente proporcional ao esvaziamento do depósito e que a relação entre a quantidade libertada da substância química e o esvaziamento da conta bancária se regia por uma lei exponencial.
Paralelamente, e até antes das caminhadas na montanha, já percorria os montes e vales das redondezas na famosa Órbita de três velocidades e roda pequena à frente, imaginando-me um Markku Alén ao volante dos saudosos Lancia Stratos e Fiat 131 Abarth.
Foi, pois, pacífica e previsível a adesão à bicicleta de todos os terrenos, com travões em vê e forqueta rígida. A evolução que se seguiu levou o apuro da técnica a expoentes que fazem com que haja automóveis mais baratos do que algumas das bicicletas que competem nos campeonatos, com quadros em fibra de carbono, suspensão à frente e atrás, travões de disco e utilização de metais leves e resistentes.
A minha máquina infernal, a que levo para o monte, está a anos-luz desse apuro tecnológico, é uma semi-rígida com uma suspensão interessante à frente e travões hidráulicos básicos, quase a máquina mais modesta do grupo, mas que é capaz de se transformar radicalmente quando a conduzo por descidas longas e rápidas onde as descargas de adrenalina são constantes e custam pouco mais do que uns calços de travões e uns pneus de longe a longe. Nesses momentos torna-se um veículo de possibilidades infinitas, levando-me a admirar como tão simples conjunto mecânico é capaz de proporcionar tão bons momentos.
O prazer proporcionado por um dia no monte pode ser insuperável e é apenas igualado por 36 horas de bons tratos, num hotel com spa e a melhor companhia do mundo.
como eu adooooro ser do contra.... num esqueças a parte do podes cair :p
ResponderEliminardesculpa mas n resisto.... eu a ler o texto, e a relembrar os meus tombos artisticos onde estragava sempre alguma coisa, ou corrente, ou travoes, ou um raio, ou o pneu...ou eu que chegava a casa a sangrar e a minha mae escondia-me a bicicleta durante uma semana:) ela dizia que ainda me havia de matar...ja estive perto...foi so um pequeno acidente com um carro...
isto tudo para dizer... michelle tu vas tombee
Tweety, já caí e já andei de braço ao peito durante duas semanas. A idade vai-nos tornando mais comedidos nas aventuras, mas não estou livre de me meter em mais sarilhos. Tento precaver-me :)
ResponderEliminarNess, escreveste para mim, que é mais ou menos como quem diz, descreveste-me. Esta paixão... não troco a minha bike por nada, nem mesmo pelo spa.
ResponderEliminarEu sei Ness :) nao tenho a paixao que tu tens, mas gosto de andar de bicicleta, e sim, eu tb ando mais calma... antes era tudo á maluca, agora é quase só passeio :)
ResponderEliminarAproveita todas as aventuras que podes viver coma tua bike, é adrenalina pura a baixo custo, retemperas energias, e regressas renovado, para mim o mar e a praia têm esse efeito:)
ResponderEliminarBom fim de semana
Vera, percebo-te, mas acho que deve haver tempo para tudo, mesmo que implique alguns sacrifícios, sobretudo na hora de subir o monte :)
ResponderEliminarTuíti, podes sempre alongar a distância do passeio sem comprometer a segurança :)
ResponderEliminarAC, então e a super bike? Há que a pôr a trabalhar, senão fica preguiçosa :)
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