terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Linguagem de ciclista

"Vai devagar que vem aí uma puuuuuuuuutaaaaa!"

Não, não são senhoras que enveredaram pelo difícil caminho da profissão fácil, muito embora também ainda as haja em locais ermos e improváveis. No calor da pedalada, que facilmente deixa para trás as manhãs frias de Janeiro, o emprego do calão vernáculo refere-se a uma subida íngreme e paciente, numa relação baixa, a velocidade quase de passo.

E, no contexto, relação baixa quer dizer uma combinação em que o diâmetro da cremalheira é quase igual ao do carreto.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Das mulheres exigentes

Podem distinguir-se as mulheres entre as boas exigentes e as más exigentes? Assim a modos que tal como a teimosia, há os bons teimosos e os casmurros, marrões, orgulhosos que só servem para tramar a vida aos outros.

 Ou todas as mulheres podem ser ambas as coisas, dependendo de variados factores como aquele a quem se exige, a cor da moda ou a fase da lua?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Diz que é cultura

Já nem falo da comissão de honra, os tais que ganhavam mais pela participação numa reunião do que eu num mês. E eu nem estou mal para o panorama nacional.

Já nem falo no momento actual do país, afinal a candidatura fez-se numa altura em que toda a gente sabia o que ia acontecer mas ainda se pensava que não ia ser nada.

Nem falo, tão pouco, da mobilização que levou uns milhares de pessoas, dizem que 60 milhares, que não contei mas pareceu-me que quem os contou só deve conhecer a tabuada dos cinco, à cidade.

Mas chamar uns tipos catalães, contra quem nada tenho, até me dou muito bem com os poucos que conheço, para fazer movimentar um cavalo mecânico e um crash test dummy gigantescos, pendurados de gruas, numa coreografia do tipo gigantones na romaria da Senhora da Aflição está muito para além da minha sensibilidade artística. Mas isto sou só eu a falar.

Gostei do fogo de artifício coordenado com a música e das projecções no edifício da praça. Tive pena que o som gravado se sobrepusesse ao da orquestra.

Onze anos depois do Porto continua a parecer que há pouca cultura nacional.

Diz que é cultura

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A médica MSN

Dor de cabeça, dores nos ouvidos, pingo no nariz, mais uma vez lá paguei, olha, não paguei nada que, por agora, a miúda ainda está isenta, uma visita de urgência ao Centro de Saúde. Tradicionalmente, quem se encontrava a desoras neste mítico local eram os médicos mais experientes, nunca soube se pela referida maior formação prática, se por maior disponibilidade familiar ou outro motivo qualquer. Essas senhoras e esses senhores cresceram num tempo em que a televisão começava às seis da tarde, ou por aí, e as máquinas de escrever se limitavam aos escritórios, pelo que, quando lhes deram um teclado para prescrever receitas era vê-los com os indicadores em riste à procura da próxima tecla que comporia o nome do medicamento. Nada contra, eu não sou capaz de escrever mensagens no telemóvel sem olhar para o visor, ao contrário de quem tenho lá em casa.

Ora com a corrida às  aposentações dos últimos anos tem-se assistido ao renovar dos profissionais que prestam serviço público de saúde, dando lugar a gente mais jovem, alguns nascidos já no tempo dos telemóveis. Consequência disto é a velocidade vertiginosa com que a Senhora Doutora Médica que ontem tratou a minha mais nova preencheu o formulário para levar à farmácia. E, já agora, o empenho que demonstrou durante a consulta, pouco mais do que de rotina, a provar, mais uma vez, que é útil reflectir se as condições que temos para trabalhar são ou não adequadas à realidade que vivemos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Os paradoxos da crise

Por natureza, todas as crises são férteis em paradoxos. Esta não lhes é alheia, aliás, sendo, muito provavelmente, uma das mais marcantes dos últimos 60 anos, será geradora de uma boa mão cheia deles.

No caso particular da entidade onde passo os meus dias ditos úteis, vive-se um desses paradoxos. Enquanto muitos estão em casa sem o desejarem, os de cá têm dificuldade em respirar tal a carga que têm em cima dos ombros. Também paradoxalmente, ninguém garante que este ritmo não acabe abruptamente num futuro muito próximo.

Mas, enquanto isto se mantiver, eu estarei pouco presente por aqui e pelos locais que costumo observar. Mas com muita vontade de voltar.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Redondas

A circulação nas numerosas placas redondas espalhadas pelo nosso país e não só é das tarefas mais complicadas de toda a condução, qualquer que seja o veículo envolvido. Suponhamos que o Sr. Bernardino quer, numa confluência de quatro vias, percorrer três quartos da dita. Imbuído dos ensinamentos dos primórdios da condução, percorre toda a distância na via da direita, cruzando duas saídas antes de chegar à sua. Como tem prioridade, já que circula pela direita, todos os outros terão que ter cautela.

Já o seu neto, o Tomás, jogador compulsivo de tudo o que são Colin McRaes e afins, seguidor fiel das provas de Fórmula 1 e Moto GP, desenha uma tangente perfeita sempre que passa naquelas novas que inventaram para o meio das vias de duas faixas para cada lado e quer optar pela segunda saída, ou seja, a oposta à entrada, entrando e saindo pela faixa da direita. A sinalização, o pisca, não interessa para nada.

A marcação no pavimento também não ajuda, quando existe limita-se à separação entre faixas, excepção feita à Praça Mouzinho de Albuquerque, vulgarmente conhecida por outro nome.

Eu cá gosto mais de outras redondas, onde o único pisca é o dos meus olhos, o uso das mãos na condução quer-se prolongado em voltas e voltas sem fim e os lábios são empregues para prolongar a obra de arte em altura, em vez de combaterem com o telemóvel no sistema mãos livres. Mas apreciava com agrado uma redução de sustos no contorno das placas deste país.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Collants brancos



Não vou à bola com leggings. Não são collants nem são calças, depois é preciso vestir qualquer coisa por cima e o resultado é muito pouco sensual na esmagadora maioria dos casos. Os collants sim, podem ser muito apelativos, de preferência lisos e negros ou brancos. Esta última cor também me parece delicada de combinar, mas a dona do par de pernas que os envergava na superfície comercial onde me desloquei anteontem conseguiu avivar-me a memória quanto ao uso eficaz dos ditos e transportar-me para o interior do Renault 5 onde por diversas vezes tratei de outra actividade gratificante, livrar a minha companhia do calor incómodo provocado em certas situações pela peça de vestuário. Essa e outras.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A mãe natureza não dorme

O ano que agora chega não promete nada de bom para a maioria de nós. Mas não há nada como a mãe natureza para nos recordar que as criações mais belas podem despontar na altura mais inesperada e mesmo ao lado, quando não é mesmo no meio, da maior montanha da matéria resultante da incompetência de uns quantos na gestão daquilo que é de todos.

Se a imagem acima não servir para pintar de verde os tempos mais próximos, pelo menos recordará que não é preciso consumir toneladas de combustível para poder disfrutar de umas férias retemperadoras e de contenção económica, num local que o autor da fotografia terá todo o gosto em recomendar, promover e divulgar.