sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Este é apenas de teste. Ou não.

Que é aquilo que eu consigo fazer neste momento, bem, se calhar conseguia fazer mais mas depois tinha que responder a comentários e se calhar vinham ideias novas e eu ficava macambúzio por não ter as melhores condições para as escrever e para isso já me basta a situação económica do país e o que não me vai entrar no bolso para o ano.

Tenho, no entanto, uma questão que me anda a picar os miolos: faço ou não os 800 km que deram nome ao braço da galáxia?

E com este post matei 2 coelhos duma cajadada, provei que não há problema algum com o blogger e deixei uma mensagem para quem, como eu, gosta de montar.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Mau demais para ser verdade

Vi o vídeo. Na realidade já o tinha visto no domingo à noite, encontrando-me afastado da televisão e sem ouvir o que se dizia. Achei, na altura, que era outra coisa qualquer, certamente sobre o mesmo tema, mas feito por quem teria objetivos satíricos. Não me passou pela cabeça que o mentor do projeto, Marcelo Rebelo de Sousa, concordasse em passar tal produção na televisão alemã.

Entendo que o tempo foi curto, entendo que havia falta de meios, já não entendo que se caísse no erro da precipitação e se desse o salto em frente num tema sério com a ligeireza de algo feito em cima do joelho. Portugal não é aquilo que se mostra no vídeo. O Zé Povinho? O travesti vianense? Os men-in-black representando a Troika e assaltando os nossos subsídios como se não os tivéssemos gasto em estradas e estádios e experiências ditas verdes? E o muro, senhores, nunca nenhum dos responsáveis do filme falou com alemães o suficiente para saber que o muro e as guerras são assuntos tão sensíveis para os alemães que a sua lembrança lhes provoca imediatamente mal-estar? E admiram-se pela receção negativa que por lá causou?

Senhores, o vídeo dos finlandeses foi certamente feito por uma só pessoa e sem sair do lugar. Será difícil fazer algo parecido?

Perdoem-me o tom negativista, eu gosto de Marcelo Rebelo de Sousa, eu apoio todas as iniciativas que nos engrandeçam em Portugal e no estrangeiro, mas repudio o que é mau, feito sem cabeça e apresentado precipitadamente porque a visita de Ângela Merkel estava iminente. Neste caso, como em tantos outros que nos levaram ao estado lastimável em que nos encontramos, a falta de rigor e de empenho só empobrece a nossa imagem no exterior.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A cigarra a presidente

Não conheço Isabel Jonet. A opinião que tenho sobre a senhora é baseada unicamente em algumas aparições na televisão e no pouco que conheço do Banco Alimentar Contra a Fome, incluindo duas participações como voluntário na recolha de alimentos à porta de supermercados. Considero o trabalho desta senhora absolutamente notável e parece-me que as reações às suas declarações espelham a fielmente a mentalidade daqueles a quem se refere.

Concordo com tudo o que disse, eu cresci no tempo em que uma caixa de bolachas Maria e uma bola de queijo tinham que dar para o mês inteiro, numa casa de seis pessoas. Nunca me faltou nada, mas não se ia a correr ao supermercado porque acabou a caixa dos Chocapics e os miúdos não comem mais nada ao pequeno almoço.

Temos todos que aprender a viver mais pobres, provavelmente se Isabel Jonet tivesse dito com menos luxos não tinha utilizado uma palavra que se tornou sensível aos ouvidos daqueles que pensam que basta pedir mais tempo para pagar o que devemos que por milagre a crise desaparece. Mas não me custa a crer que, da boca de quem conhece perfeitamente a realidade da falta de meios de subsistência e dos sacrifícios que alguns fazem para manter um certo estatuto social á custa da ignorância das suas necessidades básicas, as palavras foram medidas e proferidas para serem marcantes.

Nós, os europeus, aqueles que se aproveitam há mais de seis séculos das necessidades de grande parte dos povos do mundo, temos que ter noção que os desequilíbrios sociais têm que ser atenuados, quanto mais não seja pela maior educação desses povos. E isso vai ter consequências nos excessos que temos cometido.

Agora, condenar Isabel Jonet, uma das pessoas que mais tem lutado pelo bem estar de quem menos tem, é o mesmo que matar a formiga e promover a cigarra a presidente.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Falar de barriga cheia

Estava com muita vontade de ir de férias, muito porque já não as fazia desde o verão passado, falhando os tradicionais períodos do Natal e Páscoa. Talvez por essa razão tenha acedido a ficar no mesmo local mais de uma semana, algo que raramente se tinha passado e que vai frontalmente contra o meu espírito reconhecidamente nómada. O plano inicial previa uma deslocação ao país vizinho, que teria aproveitado certamente para acrescentar mais dois ou três locais ainda não visitados ao imaginário mapa alfinetado. Mas uma intervenção do mais mediático comentador da nossa praça apelando ao dispêndio dos gastos de férias em terras nacionais acabou, este ano e por reconhecimento da gravidade da situação económica geral, por fazer alterar os planos. Isso e um convite para três dias consecutivos e intensos de pedalada, com final num local próximo de um outro onde é habitual passar uns dias.

Os dias de pedalada chegaram, foram divertidos e interessantes mas passaram depressa. Depois foram quase duas semanas de rotina de praia, com piada nos primeiros dias mas sabor a pouco a partir daí. De maneira que, pela primeira vez desde que me lembro, fiquei com vontade de voltar a casa, prometendo a mim mesmo, mesmo sabendo que depressa disso me esquecerei, que não me volto a meter noutra, nem que tenha que me enfiar num hotel de turistas gordos e ruidosos durante uma semana. O melhor mesmo é começar já a planear as do ano que vem.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Água das pedras da Escócia e chave de parafusos

Dançar durante quatro horas, para quem só o faz porque é algo que dá prazer à pessoa a quem proporcionamos os melhores momentos que conseguimos apenas pelo facto de gostar de a ver feliz, é um feito que roça o extraordinário. Naturalmente, à proeza não foi estranho o nível de etileno que circulava na corrente sanguínea. Há quem raramente beba bebidas alcoólicas, uma francesinha com fino a acompanhar ou um jantar de amigos com um copo de vinho não contam para o campeonato.

Sabendo do efeito benéfico que as substâncias eufóricas legais lhe causam quando ingeridas controladamente, libertando-o da timidez quase apática demonstrada em situações onde a extroversão é recomendável, evita recorrer ao seu uso, quer por considerar que a situação falseia o seu comportamento habitual, quer pelas consequências imediatas, o mau hálito e o quase torpor do dia seguinte. Mas uma vez não são vezes.

E a música até ajudou, dando vontade de regressar a locais onde não põe o pé há mais de uma década, caracterizados por música aos berros e poucas luzes, algumas coloridas.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ainda que o motivo seja diferente

Costumo ansiar pelas férias porque são mais uma oportunidade para conhecer novas paragens, novos costumes, percorrer estradas por onde nunca passei, aprender mais sobre o mundo enorme que nos rodeia.

Este ano preciso de férias porque do ponto de vista físico já noto alterações, sobretudo ao nível da atenção que costumo dispensar às tarefas mais básicas. Continuo a gostar de trabalhar, a gostar do meu trabalho, não me importo de sair de casa às 6 da manhã ou de regressar depois do jantar, mas fico preocupado quando dou por mim sem me lembrar quando virei em determinada rua.

Ainda falta um mês para o dia já reclamado. Mas, apesar do cansaço, será com a expectativa e a vontade do costume que me farei à estrada. Mesmo sendo um percurso conhecido, tenho a certeza de que encontrarei novos motivos de interesse.

terça-feira, 17 de julho de 2012

E finalmente o Verão

As saudades que todos tínhamos de uma noite quente, pelo menos por cá, pelas nossas terras. Noite magnífica na capital, terreno que piso com pouquíssima frequência, sobretudo fora de horas. Jantar numa esplanada sem arrepios de frio, caminhada longa e revigorante na marginal, muito bem composta a hora tardia de dia de semana.

Perfeito teria sido com companhia, desde que adequada.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Pequenos gestos

Ser servido à mesa do restaurante por quem se senta à nossa frente pode parecer um gesto banal, mas tem um significado de enorme amplitude quando visto à luz da história dos intervenientes.

E as férias ainda tão longe

"Play it again, Sam" e "We'll always have Paris" são frases de gente que se pretende fazer passar por culta mas vê o filme como os japoneses visitam monumentos em Itália.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Com a idade a satisfação do pensamento é cada vez menor

A antecipação mental de uma viagem de vários dias de bicicleta nunca chegará ao prazer real de a fazer, por muito sofrimento físico que implique.

Da mesma forma, a imaginação de um olhar insinuante e tenso de desejo, de um corpo voluptuoso cuidadosamente vestido para ser liberto de amarras que provocam arrepios de calor será sempre largamente superada pela realidade da entrega, do empenho colocado no ansiado momento.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Um pouco mais de mim

A dedicada Paixão incluiu-me num desafio, cujas respostas seguem abaixo, ainda que com algum atraso motivado pela conjugação de afazeres pessoais com outros profissionais. Os tempos que vivemos são diferentes do comum das últimas décadas e presenteiam-nos com paradoxos pouco previsíveis. Mas isso são outros quinhentos. Cá vai o desafio:


O que te tira do sério: O ziguezague. Dizer agora que tomamos um caminho e no momento de o começar voltar atrás e dizer que afinal não é por ali.
A que cheiras: Gosto de pensar que cheiro a manhãs luminosas de Primavera.
A que sabes: Em simultâneo a doce e a salgado. Menta e chocolate.
O que gostas de ler: Aquilo que não sei escrever, Saramago, Lobo Antunes.
Sentes-te: Tranquilo, motivado, com vontade de percorrer o mundo de bicicleta.
O que te deixa com um sorriso nos lábios: A estrada desconhecida.
O que dizem os teus olhos: Que sou um otimista incorrigível, por vezes inconsequente.
O que me oferecias: Um livro de Gabriel Garcia Marquez, “O amor nos tempos de cólera”.

Não o vou passar a ninguém, mas será com inegável prazer que lerei as respostas de quem tiver a ousadia de continuar a corrente.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O meu primeiro beijo

Não foi desse que pretendi falar há alguns dias, mas devido às valiosas contribuições das minhas estimadas leitoras que contaram as suas experiências nesse campo senti-me compelido a partilhar também aqui a minha. Foi muito romântico, deixem-me que vos diga, tudo tinha começado algumas horas antes em casa de uma amiga, durante a assistência a um filme, eu estava ao lado da mocinha, cruzei os meus braços, ela fez o mesmo e os nossos dedos tocaram-se no espaço entre ambos. À saída acompanhei-a até casa, éramos todos vizinhos e debaixo de uma árvore com rebentos novos de Primavera, a coberto da noite, trocamos um beijo de despedida. Para mim foi breve, mas deixou-me nas nuvens e fez com que tivesse uma imensa dificuldade em adormecer. O primeiro com a língua foi no dia seguinte, na mesma casa e com a mesma pessoa, foi estranho a princípio mas rapidamente se tornou numa opção a desenvolver. Ainda recordo as tentativas com a boca completamente aberta e círculos desenfreados, ignorando completamente as potencialidades que tal órgão muscular oferece. A bem dizer, só ao fim de alguns anos e na procura de sensações tântricas é que me apercebi do verdadeiro valor da língua durante o beijo.

Tendo a Pseudo falado no assunto numa perspetiva diferente e interessante sob o ponto de vista da experiência, fiquei com a pulga atrás da orelha na tentativa de que ela dissesse quando mudou de ideias. Pelo que lanço agora aqui o desafio para saber quais as primeiras impressões quanto ao uso da língua como potenciador de estados de alma e em que altura se tornou inigualável.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Mau perder

Bateram-se com dignidade, com uma pontinha de sorte até podiam ter passado a eliminatória. Mas suspeito que alguém não esteja a olhar para o jogo com olhos de ver. Os ingleses passearam-se no campo, falharam golos incríveis e quando tiveram que marcar não deixaram de o fazer, em qualquer dos jogos. Não ouvi falar no golo do Rui Meireles, um prodígio de bem jogar à bola. E voltou a notar-se a agressividade dos jogadores, bem interpretada pelos árbitros, quer na expulsão de há duas semanas quer no segundo amarelo de ontem. Não há necessidade de entrar com os pitons em riste. O discurso dos dirigentes e do treinador é confrangedor, mesmo tendo em conta a grande penalidade nítida não assinalada no primeiro jogo.

O meu clube joga daqui a pouco e terá que ter muita concentração para ganhar a eliminatória. O golo marcado pelo Metalist no final do jogo de Alvalade torna a tarefa muito complicada. Não acredito que seja fácil, muito embora reconheça que seja possível. Espero que não haja desculpas esfarrapadas em caso de desaire.

Na segunda é o jogo com o Benfica. Acredito que a raça de Sá Pinto seja capaz de contagiar os jogadores.

terça-feira, 3 de abril de 2012

O beijo


Investiu no beijo. Porque chegou à conclusão de que é capaz de uma catarata de emoções, por si só tem a capacidade de libertar os sentidos, concentrando-os no prazer sublime do toque leve mas intenso da pele fina dos lábios. Essa leveza, quando explorada no limite da sensibilidade, produz tal explosão de erotismo que suplanta em muito toques ardentes e palavras incendiárias. E quando as línguas entram em acção, então o resultado pode tornar-se devastador.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Parece que me enganei

Às vezes engano-me. Habitualmente não gosto, tenho o meu ego e se for a ver bem as coisas é capaz de não ser tão pequeno quanto a ideia que tenho dele. Mas de longe a longe até gosto de me enganar. Disse aqui há tempos que não me agradava a troca de Domingos Paciência por Sá Pinto. Uma das razões, talvez a mais forte, é porque a minha personalidade está mais próxima do primeiro. Mas a verdade é que Sá Pinto voltou a fazer com que o Sporting fosse uma equipa, seja lá porque conhece os cantos à casa, seja porque consegue motivar mais os jogadores. Pela minha parte voltei a ter prazer em ver os jogos do meu clube, ainda que pela televisão, dada a distância ao campo da bola e a opção consciente de despender do meu dinheiro preferencialmente para outros divertimentos.

Continuo a ter grossas dúvidas sobre a manutenção da pose equilibrada que Sá Pinto tem mostrado. Custa-me acreditar que de um momento para o outro deixe de ter picardias com aqueles com quem trabalha. Mas tenho que reconhecer o bom trabalho que realizou desde que tomou conta da equipa. E espero que nos proporcione algumas alegrias, das tais que não enchem a barriga mas nos deixam com o espírito elevado e um sorriso nos lábios.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Conversa de bancada

Eram três, alguns metros atrás, a mais velha não teria mais de 14 anos. No meio de várias conversas, incluindo chamadas de telemóvel, sai esta: “Eles não eram casados, estavam numa relação aberta”.

Numa quê? Fiquei a pensar, o que é uma relação aberta? Qual será, na cabeça de uma miúda pré-adolescente, a distância entre o casamento e uma relação aberta?

sexta-feira, 16 de março de 2012

Swimmimg pool update

Acordei com uma pontada no pescoço, assim aqui do lado esquerdo, que aumenta quando inclino a cabeça para a direita. Também dói quando a rodo para a esquerda, o que é chato quando tenho que prestar atenção ao trânsito desse lado.

Mas não era disso que eu queria falar, mas sim confirmar que fui 55 segundos mais rápido do que na terça-feira. E, não obstante a dita pontada, fui 9 segundos mais rápido do que na semana passada. Não fora a lesão e tinha cumprido o objetivo de baixar dos 45 minutos.

E como imagino o teor de alguns dos comentários, mato já duas coelhas: sim, é uma desculpa esfarrapada e sim, não havia uma única nadadora na piscina.

terça-feira, 13 de março de 2012

Mistério aquático


Tento manter o bom hábito de ir à piscina duas vezes por semana. Apesar de ver os miúdos nas pistas ao lado a passarem por mim como se levassem barbatanas nos pés, ou como se eu arrastasse um petroleiro, o que vai dar no mesmo, passo ali três quartos de hora sem parar, o que me deixa muito satisfeito, dada a minha já avançada idade. Há, no entanto, um mistério que me anda a intrigar. Sou cerca de um minuto mais rápido, o que equivale a cerca de um longo segundo a menos por percurso, para a mesma distância e igual programa, na segunda sessão semanal, que tem sido à sexta-feira. Será o cheiro a fim-de-semana? Não sei, não encontro explicação racional, não tenho sequer distrações a meio da semana, não sei bem porquê mas as poucas sereias que de vez em quando me faziam voltar a cabeça e me torturavam passeando-se em trajos menores nas pistas ao lado parecem ter emigrado para águas mais quentes.

sexta-feira, 9 de março de 2012

A chegada do tempo quente


O dia cheira a Primavera, o céu de um azul metalizado empresta um tom apenas um pouco mais escuro ao espelho de água que enche o horizonte. A seus pés estende-se o tapete verde que se prolonga até à água, ao longe avistam outro verde, o dos pinheiros da margem oposta, levando-os a inspirar profundamente o ar ameno esquecido durante o Inverno. Lígia sente-se de novo adolescente, lança um riso breve, quase gritado, avança dois passos e tira a camisola de uma só vez, num gesto tão rápido como teatral. Vasco percebeu imediatamente onde iria parar a brincadeira, deixou-a ganhar a distância suficiente para que começasse sozinha a livrar-se da restante indumentária e atirou-a ao chão de areia no momento em que tinha desapertado os botões das calças de ganga. Lígia, às gargalhadas, levantou as pernas para que Vasco lhe puxasse as calças, levantou-se de um salto e ajudou-o a livrar-se da camisa e dos seus jeans. Vasco beijou-a, pegou nela ao colo e dirigiu-se para a água, fazendo com que mergulhassem em simultâneo. Depois dos risos e beijos que a excitação do momento impunha, Lígia lembrou:

-         Tenho a minha roupa interior vestida!
-         Não faz mal, tiro-ta e ponho a secar.
-         E enquanto seca?
-         Não podemos sair da água.
-         Vou ficar com a pele enrugada.
-         Não, eu aqueço-te quantas vezes for preciso para que não tenhas frio.

Saíram da água pouco depois, subiram apenas alguns metros até à intimidade proporcionada por um velho carvalho, sobre o tapete relvado aconchegante. Depois de colocar as peças molhadas ao sol, Vasco entendeu a toalha que trouxera na mochila de passeio e cumpriu a sua promessa, comemorando desta forma perfeita a chegada dos dias quentes.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Das áreas de serviço


Tenho uma visão quase mítica das áreas de serviço das auto-estradas ou daquelas estações de serviço das antigas estradas nacionais que se encontram isoladas do mundo exterior. Em Espanha até parecem cenários de filmes americanos. Quem as usa fá-lo como complemento das viagens que empreende, uns em meio profissional, outros por prazer ou simplesmente como forma de chegar a um local distante. Eu uso-as mais vezes em contexto profissional, mas como tenho o estranho prazer de percorrer grandes distâncias por via rodoviária durante as férias também as frequento por motivos lúdicos. Por vezes tento imaginar de onde vem e para onde vai aquela família que está sentada na mesa ao lado, por onde já andou o casal da auto-caravana italiana ou quantas estradas diferentes já percorreu o camionista que dormita na cadeira de praia, à sombra do mastodonte que conduz. Outras vezes observo o rosto da senhora que me serve o café do lado de lá do balcão, na esperança de ler o seu pensamento enquanto me olha. Tentará adivinhar porque estou eu ali, o que faço na vida, estará contente por morar longe da confusão das grandes metrópoles ou sonhará ser o viajante que descansa por uns momentos antes de se voltar a fazer à estrada a grande velocidade?

Muitas vezes olho para as casas térreas com jardins e uma horta para toda a família ao lado das quais passo e imagino o sossego que será ali viver, sem filas de trânsito nem encontrões no supermercado. E penso em como ansiaria pelo ritmo frenético da cidade se ali morasse.

terça-feira, 6 de março de 2012

Não me consigo decidir


Ontem ouvi duas notícias, perdão, duas não notícias, que me deixaram indeciso sobre qual seria a mais idiota. Alguém me quer dar uma mão?

Primeiro foi a suposta polémica sobre as audiências. Uma vez ouvi uma explicação sobre como se fazem as avaliações, diz que colocam um aparelho em casas seleccionadas e sabem por essa via o que as pessoas estão a ver. Ora eu não conheço ninguém que tenha esse zingarelho, nunca ninguém me perguntou o que estou a ver na televisão, por isso concluo que a avaliação dos famosos shares deve ter uma base científica de elevado gabarito. Vir a companhia A dizer que o telejornal da RTP teve ontem uma quota de 20% e depois chegar a companhia B e dizer que foram 30% deve dar azo a pareceres científicos e teses de doutoramento até, pelo menos, ao ano 2078.

Não contentes com isto, ontem outros estudiosos fizeram saber que 40% dos portugueses disseram que não iam passar férias ao estrangeiro este ano. Espera, então isto quer dizer que 60%, números redondos tantos quantos os adeptos do Benfica, vão para o estrangeiro? Apelo desde já ao senhor primeiro-ministro que preste muita atenção a este facto, porque se calhar tem espaço para mais um aumento da dita austeridade, que afinal parece que não o é.

Como se nota, a crise não é só na economia.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Da dança da chuva

Gosto do cheiro da terra quente quando molhada, entra pelas narinas despertando metáforas de vales de relva com aroma inebriante, dilatados pelo calor de um sol cujo toque de raios intensos provoca arrepios, suspiros, batidas aceleradas e faz fluir o mel, prelúdio da dança da natureza em ritmos inicialmente calmos e depois em crescendo, ao sabor do aumento da temperatura rumo ao clímax estival que dá descanso aos corpos exaustos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O golo do Crixiano


Como jogador de futebol, tenho uma grande admiração pelo nosso compatriota. Em casa há momentos de saudável picardia com o adepto mais novo de futebol, porque a juventude, vá-se lá saber porquê, prefere o homem da camisola 10 azul e vermelha.

O golo de ontem foi mais um momento de inspiração, um golo monumental de simplicidade, de tal forma que a concorrência parece ter admitido que a questão do campeonato está resolvida. O sucesso de uma equipa que, em Espanha, tem mais portugueses que a maior parte, senão a totalidade, das equipas do nosso campeonato, equipa técnica incluída, deixa-me satisfeito. Não gosto da atitude de Mourinho, como profissional, mas não posso deixar de reconhecer os seus resultados e de o admirar por isso. Sobretudo no ambiente que imagino seja de cortar à faca da capital do país rival histórico.

Quanto a Cristiano Ronaldo, só desejo que faça a sua melhor época de sempre e que o corolário seja no Verão.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A máquina infernal


Ao longo de vários anos, em longas caminhadas, naquilo que agora se designa por autonomia, nas zonas mais elevadas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, sonhava com dias intensos de libertação de adrenalina ao volante de um veículo para todos os terrenos equipado com tracção integral e caixa de transferência para permitir subidas a locais inacessíveis ao comum dos automóveis.

Alguns desses pensamentos auxiliaram os dias igualmente longos imersos em livros, lápis e papéis que permitiram, anos mais tarde, com maior rapidez face à maior parte dos meus concidadãos, aceder a esse e a outros pequenos luxos.

Passei vários dias como tinha sonhado, chegando à conclusão de que a descarga de adrenalina era diretamente proporcional ao esvaziamento do depósito e que a relação entre a quantidade libertada da substância química e o esvaziamento da conta bancária se regia por uma lei exponencial.

Paralelamente, e até antes das caminhadas na montanha, já percorria os montes e vales das redondezas na famosa Órbita de três velocidades e roda pequena à frente, imaginando-me um Markku Alén ao volante dos saudosos Lancia Stratos e Fiat 131 Abarth.

Foi, pois, pacífica e previsível a adesão à bicicleta de todos os terrenos, com travões em vê e forqueta rígida. A evolução que se seguiu levou o apuro da técnica a expoentes que fazem com que haja automóveis mais baratos do que algumas das bicicletas que competem nos campeonatos, com quadros em fibra de carbono, suspensão à frente e atrás, travões de disco e utilização de metais leves e resistentes.

A minha máquina infernal, a que levo para o monte, está a anos-luz desse apuro tecnológico, é uma semi-rígida com uma suspensão interessante à frente e travões hidráulicos básicos, quase a máquina mais modesta do grupo, mas que é capaz de se transformar radicalmente quando a conduzo por descidas longas e rápidas onde as descargas de adrenalina são constantes e custam pouco mais do que uns calços de travões e uns pneus de longe a longe. Nesses momentos torna-se um veículo de possibilidades infinitas, levando-me a admirar como tão simples conjunto mecânico é capaz de proporcionar tão bons momentos.

O prazer proporcionado por um dia no monte pode ser insuperável e é apenas igualado por 36 horas de bons tratos, num hotel com spa e a melhor companhia do mundo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Não era por isto que gostava de voltar a falar de bola


No único texto por aqui escrito sobre futebol deixei bem vincada a minha simpatia por Domingos Paciência. É alguém que admiro pelo seu passado como desportista, assim como pelo seu trabalho como treinador, sobretudo no S. C. Braga. Ontem fiquei estarrecido pela notícia da sua saída do Sporting, porque acreditava que o clube tinha um projeto sólido baseado no treinador e na equipa de futebol. É certo que os resultados têm sido maus, é verdade que não compreendo porque ganhou o clube dez jogos seguidos e depois deixou de saber jogar à bola, mas o que me deixa verdadeiramente incrédulo é mudar de treinador três vezes em menos de um ano. Não aceito que Domingos tivesse tido todas as condições, os jogadores que compõe a equipa são quase todos oriundos de campeonatos estrangeiros há menos de um ano, não é possível pedir-lhes que componham uma equipa em menos de uma época. Há jogadores bons, sem dúvida, embora sem terem a qualidade dos melhores das equipas rivais. Mas não se conhecem, Mourinho sempre disse por onde andou que a equipa só jogaria a sério no segundo ano e sempre herdou estruturas já existentes. Continuo a ter a opinião de que os dirigentes do Sporting não se dão ao clube, usam-no para promoção pessoal.

Sá Pinto tresanda a Paulo Bento, com a diferença de ser muito mais impulsivo, para usar um eufemismo. Não acredito nele como condutor de homens. Até acredito que consiga motivar os jogadores durante algum tempo, mas não tardarão as questiúnculas com os jogadores, nunca conseguirá deixar de ser um companheiro de balneário, que se impõe pela hierarquia e não por qualidades de liderança. Quem expulsou para uma época de sonho bem longe daqui o melhor avançado do campeonato português dos últimos dez anos não conseguirá certamente comandar uma equipa de futebol.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Do dia dos namorados


É daquelas datas que me faz revirar os olhos. Mesmo desgastando o lugar-comum, não se namora com data marcada. Sobretudo quando é uma data marcada para o país inteiro e mais alguns por esse planeta fora.

Eu sou bom com datas, não é uma coisa pela qual faça qualquer esforço, apenas as sei porque sim. Há algum tempo atrás perguntaram-me a data do meu casamento, num contexto da catequese dos miúdos. Percebi o sorriso trocista na cara de quem o fez, antecipando algum embaraço que a situação me pudesse causar. Naturalmente, respondi sem hesitar, sem qualquer necessidade de ler a cábula no lado interior da aliança. Comemoro essa data com muito prazer e espero ansiosamente que chegue o dia, o único que os mais novos passam longe da companhia dos pais, pelo menos por iniciativa dos adultos.

A publicidade, no entanto, é uma indústria desenvolvida e faz muito bem o seu papel de criar necessidades na cabeça das pessoas. Eu sou imune à que rodeia esta época, mas não o sou relativamente a outros assuntos. A minha cara-metade já tem mais dificuldade em lidar friamente com o São Valentim. Amanhã haverá jantar cuidado, a quatro, em casa, que os restaurantes estarão cheios não obstante os tempos que se vivem. Eu levarei um ramo de flores. Pensando bem no assunto, acabará por ser uma excelente forma de lidar com o dia. E, se fizer mais um esforço de memória, terei que reconhecer que é uma boa maneira de não me manter indefinidamente afastado da florista.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A queda do general solitário


Portugal é um país corporativo. Há classes profissionais que moldam as leis de forma a protegerem-se, inclusivamente das ameaças daqueles que aspiram a fazer parte da própria classe. Há grupos que se fazem valer da dependência a que conseguiram votar a sociedade para exercerem pressões no sentido de terem regalias, mascaradas com o termo direitos, que se tornam claros abusos, desproporcionados relativamente aos seus concidadãos.

De vez em quando alguém com poder para o efeito aparece empenhado em alterar radicalmente este estado de coisas. Na maior parte das vezes a vontade desaparece rapidamente, ou porque a pessoa só pretendia fazer-se notar ou porque alguém do lado dos potencialmente afetados demonstrou que não era uma boa ideia.

Ontem ficámos a saber que em Espanha as coisas não serão muito diferentes. No entanto, a pessoa que detinha o poder avançou no sentido de alterar o estado da situação e acabou vítima daquilo que pretendia alterar. Tivesse sido por movimentação política, tivesse sido por influência corporativa, a verdade é que a caravana seguirá o seu caminho e o juiz justiceiro será mantido à margem. Aquilo que os delinquentes não conseguiram, travar o temerário juiz, foi alcançado pelos seus pares.

Já não sou partidário de soluções radicais, a menos de uma situação em que já nada mais reste do que passar uma esponja e começar de novo, o que até poderá nem estar tão longe. Mas isso seria um sistema completo e não só um dos pilares da sociedade. Entendo que vale mais vencer pequenas batalhas do que partir para a guerra pura e dura, já que o exército a enfrentar pode ser poderoso e aniquilar facilmente em general sozinho. Espanha perderá um dos seus mais empenhados generais, diminuindo-se assim a sua capacidade para moralizar aos poucos um sistema de vícios. Igual a tantos outros bem perto de nós.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Hoje vou na corrente


Não sou adepto destas correntes, porque não vou em selos nem em perguntas formatadas. Mas reconheço que me tenho defendido muito e admito que haja quem tenha curiosidade em me conhecer um pouco melhor. Por isso decidi responder ao desafio proposto pela AC e envolver mais algumas pessoas, que terão toda a legitimidade para recusar o desafio se assim o entenderem.


Qual a tua principal meta para 2012?
Eu sou um corredor de fundo, um maratonista, acredito que devagar se vai ao longe. Em 2012 pretendo continuar no caminho que trilho há muitos anos, assistir à família, educar os miúdos de forma empenhada e aproveitar os tempos livres para me manter em forma física, ir a lugares onde nunca estive e aproveitar os poucos dias de férias.

Quem é que gostarias de ressuscitar se tivesses poder para isso?
O meu pai. Podia fugir à questão e responder de forma jocosa, mas esta é uma questão sensível. Preparou-me bem para ser auto-suficiente, fez-me falta mas fui capaz de ultrapassar a sua ausência. Mas gostava tanto de o ver brincar com os netos que nunca conheceu.

O que mais te faz feliz?
Pieguices à parte, que estão fora de moda, a visão da estrada em tempo de férias, ter o cu no selim, como diz alguém próximo deste canto e uma francesinha acompanhada pela respetiva caneca, no tasco do costume.

Qual a tua foto favorita?
Eu sou “The man behind the camera”, como diz outra pessoa virtualmente próxima, pelo que não tenho muitas. Tenho uma fotografia muito antiga, tirada no Lake District, no norte de Inglaterra. Numa altura em que não tinha obrigações, tinha pouco dinheiro, mas fazia o que queria. E ia para onde queria. O que continuo a fazer, embora limitado pelos compromissos entretanto assumidos de livre vontade.

Um lugar que adoraste conhecer?
Já são bastantes, felizmente. O Lake District, por exemplo. Apesar de os lagos serem artificiais, uma vez que resultam da exploração mineira, o contraste terra/água é belíssimo. Roma é outro lugar mítico.

Qual foi o presente que recebeste que mais te surpreendeu?
O jantar que a cara-metade organizou juntando alguns dos meus amigos mais chegados quando passei a ser enta. Por ser uma prova de que o conhecimento daquele/a com quem se partilham os dias evolui todos os dias e nunca será uma tarefa terminada.

O teu prato favorito?
Tem variado ao longo dos tempos e confesso que atualmente o que mais aprecio são as entradas. Melão com presunto, tomate com queijo de cabra, gambas com maionese.

O que costumas pensar antes de dormir?
Gosto de deixar a minha mente vaguear, sei que quando começo a pensar em alguma coisa que não tem nada a ver com o que se passa na minha vida estou prestes a adormecer. Quando estou com pouco sono revejo um dos muitos planos que tenho engatilhados para férias. Habitualmente, não demoro muito até adormecer.

Qual foi a ultima coisa que ofereceste a ti própria de presente?
Estou prestes a oferecer-me uma bicicleta de estrada com quadro em fibra de carbono. Será extravagância para vários anos, espero eu.

Tiveste algo que te entristeceu, desapontou ou tirou do sério o ano passado?
A única pessoa com quem mantenho uma relação difícil, para mais alguém com quem deveria ter uma relação de grande proximidade, deu-me o pretexto de que necessitava para a manter afastada. Após muitos anos de ansiedades por sustentar uma situação insustentável tenho algum descanso, mas continua a ser a única pedra no meu sapato.

O que gostarias de realizar em 2012 e que não conseguiste realizar o ano passado?
Nada de realmente importante, assim colocado desta forma ir de bicicleta a Fátima com o grupo com quem habitualmente ando. A dificuldade não é chagar, é chegar com eles.

Um motivo pelo qual te sintas agradecido?
Para além de não ter, há já muitos anos, preocupações verdadeiras, por ter encontrado uma mulher que me dá estabilidade e com quem construo uma família feliz.

Devo passar este selo e respectivo desafio a 5 pessoas...
Mas só vou passar a quatro, por evidente limitação de leitores.

Pseudo/ Pseudoblog
Amanda/ Toukibem
Orquídea Selvagem/  Orquídea Selvagem
Tweety/ Pequenas coisas