A política tem destas coisas, quando se tenta a fuga para a frente como forma de tentar branquear um disparate, geralmente resulta no aumento da dimensão do facto absurdo. Vem isto a propósito daquilo que parece ser um apelo à emigração por parte do nosso governo. Tenho a opinião de que Passos Coelho tem demonstrado ser mais sensato do que a seu antecessor, muito embora o clima político destes tempos seja muito mais propício a esse comportamento. Não obstante o líder da oposição ter feito declarações recentes muito mais alinhadas com a falta de bom senso revelada até há alguns meses atrás. Voltando ao facto político, parece-me inusitado estar um país a formar a sua população durante quase vinte anos para depois os enviar para o estrangeiro. Podemos discutir se a formação ministrada nas duas últimas décadas é aquela de que o país precisa, em muitas áreas terá sido, noutras provavelmente deverá ser repensada, agora incentivar a saída do país é algo que me suscita as maiores dúvidas como linha política.
Há já várias áreas profissionais, e aquela onde me enquadro é uma delas, que saltaram as fronteiras na busca do trabalho que por cá vai rareando. Felizmente há muitas empresas nacionais que tomaram essa iniciativa, gerando no estrangeiro movimentos de capitais que beneficiam o país. Mas as pessoas continuam a trabalhar para o país. Quando fazemos a malas por conta própria e vamos trabalhar para outras paragens deixamos de contribuir para a nação que nos formou.
Provavelmente, a questão será outra. Já em tempos defendi que a diferença entre salários praticados em Portugal é vergonhosa. É encarado com uma naturalidade gritante que haja diferenças de um para cinco nos vencimentos de pessoas que não tenham cargos de elevada responsabilidade, deixando de lado a questão de se este tipo de cargos merece uma remuneração claramente destacada das outras. Esta realidade, conjugada com a ideia dos nossos pais de que um curso superior implica um ordenado e um estatuto social correspondente ao que era um doutor ou um engenheiro há quarenta anos atrás, distorceram o mercado do ensino através da procura desenfreada de cursos privados, resultando num desequilíbrio da oferta relativamente à procura e na perda de expectativas por parte de uma grande parte dos formados.
Se neste país a diferença de ordenado entre quem menos ganha e quem mais recebe não fosse superior a três, acredito que não houvesse necessidade de dizer às pessoas para emigrarem.
Ora agora é que tu esmiuçaste o assunto na perfeição...Ganhamos muito pouco em comparação com o resto dos europeus, e são nos exigidas as mesmas competências... ou mais ainda.
ResponderEliminarE os nossos directores gerais, chefias e mais altos cargos, ganham uma barbaridade de vencimentos comparados com o resto dos funcionários...:)
Somos um país de chicos-espertos, AC, atropelamo-nos mais do que andamos para a frente :)
ResponderEliminarA afirmação em si não me choca. Choca-me ter sido dita por quem foi, alguém que tem a responsabilidade de saber atrair quem cá está e cá quer permanecer. Foi uma afirmação dele no mínimo infeliz. Por outro lado, mobilidade não é o que se pede aos trabalhadores neste século? Como disse a Pusinko no blogue dela há dias, há casos e casos. Eu não me via a fazer tal, já me basta estar "emigrada" dentro do meu país. Mas devo estar a olhar só para o meu umbigo, como é costume.
ResponderEliminarAcertaste na mouche, desta vez. :)
Pseudo, eu, do meu ponto de vista profissional, não tenho nada contra a mobilidade. Quero manter-me a trabalhar o mais próximo possível da família mas serei capaz de ir para qualquer parte do mundo se estiver em causa a segurança económica daqueles que tenho o dever de criar e educar. O que me choca é ver o elevado investimento que o país fez na formação dos mais novos assim desbaratado. Parece vindo do menino caprichoso que atira ao rio o brinquedo caro que o pai lhe deu, porque tem outros mais caros.
ResponderEliminarSó desta vez? :P