terça-feira, 22 de novembro de 2011

Serviço público de televisão

Um homem foi condenado pelo assassinato do dono de um posto de abastecimento de combustível. Cumpriu parte da pena e evadiu-se da cadeia. Passado algum tempo participou no sequestro de um avião, incidente com várias peripécias que custaram certamente rios de dinheiro em prejuízos, envolvendo episódios nos Estados Unidos, Argélia e França. Conseguiu escapar e pediu asilo político na Guiné-Bissau. Alguns anos volvidos acabou por vir para Portugal, casou com uma cidadã nacional e adquiriu a nacionalidade portuguesa. Pergunto-me como terá sido feita a tramitação legal, uma vez que me parece que se tivesse apresentado a sua identificação verdadeira teria despoletado a atenção das autoridades.

Foi identificado há dois meses como foragido das autoridades americanas. O tribunal da relação de Portugal decidiu não o extraditar. Ouvi eminentes advogados da nossa praça declararem que concordam com a decisão uma vez que os prazos já prescreveram segundo a lei portuguesa e a pessoa em causa é agora outro homem.

Reconheço às pessoas o dever de emendarem os seus erros. Não sei se concordo com a argumentação das pessoas que ouvi na televisão, certamente o homem que foi assassinado tinha família e não creio que esses concordem com o que foi dito.

Mas aquilo que me choca é que alguns órgãos de comunicação social avancem para entrevistas de branqueamento da situação. Além de vários crimes, há muitos artifícios pouco ou nada claros na vida daquele homem. E há muitas pessoas que mataram outras, umas porque foram abusadas e espancadas durante anos, outras porque não aceitaram os abusos sobre terceiros, pessoas que cumpriram as suas penas, imagino que tenham tido grandes dificuldades na sua reintegração social, mas a quem a comunicação social nunca deu qualquer destaque além da notícia do crime.

Se isto é serviço público de televisão, então, por favor, dêem-me apenas estações privadas.

6 comentários:

  1. Este caso também me deixou dividida...
    Se por um lado ele fez "trinta por uma linha" e merecia a punição correspondente... por outro o tempo foi passando e ele viveu o suficiente para ter oportunidade de mudar de vida e ser um cidadão normal.

    Agora quanto à mediatização que fizeram a este caso... não será todos os dias que temos oportunidade de "passar uma rasteira" aos americanos... ahahahahahaha


    Beijinhos imediatos mas não mediáticos :)

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  2. Orquídea, penso que esse é o prazer inconfessado da classe ligada ao direito. Não será por muito tempo, que o tio Sam não costuma deixar de dar a resposta devida :)

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  3. Não deve ter sido por acaso que ele escolheu Portugal para passar o resto dos seus dias. De certeza que já há décadas o senhor em questão conhecia as nossas leis.

    É por estas e por outras que não me importo de não ver as notícias. Prefiro lê-las quando me apetece. :)...ou sabê-las por terceiros.

    Eh pah! Letrinhas AQUI?? Não te comento mais!

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  4. Letrinhas? Deve ser só contigo. Cá para mim a tua ligação é que deve ser dubidosa :P

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  5. Caríssimo Ness, o autor do blogue não as vê, só quem quer comentar. Desactiva lá essa opção, sim?

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  6. Pronto, sempre soubeste que eu sou um nabo nestas coisas das páginas pessoais :) Diz-me lá se acertei no botão.

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Dá mais uma chapada, mas com jeitinho