Olho o teu corpo de contornos suaves e voluptuosos através do reflexo devolvido pelo espelho redondo do tecto, a tua pele morena, já recuperada das carícias longas e quentes do sol do verão em vias de esquecimento, esse sol que invejo por lhe teres permitido tão prolongado deleite, os teus joelhos levemente flectidos em pose de modelo renascentista ante os olhos dos pintores flamengos de vida boémia, os braços ainda conformados no arco de êxtase com que rodearam os meus ombros, teus olhos escuros e expressivos irradiando uma luz intensa tal qual a luz negra que realça os brancos na escuridão profunda, o teu sorriso travesso e provocante a lembrar que o descanso é apenas o estritamente necessário até ao próximo assalto. Derreto-me, estarreço-me, esforço-me por manter viva a imagem, mesmo sabendo que a recordação que guardarei a partir desse momento nunca será mais do que um efémero resquício do deslumbramento desses minutos.
Lendo-me o pensamento, levantas-te e fazes questão de passear pelo quarto em passo lento mas firme, de negra cabeleira sobre os ombros, olhar longe do meu, ombros levantados e em esquadria perfeita, deixando-me rendido, prostrado, boquiaberto com tal pose de beleza feminina.
Qualquer dia tens à perna alguma comentadora anónima...hahahaha!
ResponderEliminarTu andas a sonhar muito ultimamente. :P
Pseudo, eu sonho sempre muito, há alturas em que os sonhos chegam mais facilmente à extremidade das mãos :P
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